quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Dona Presbiopia e os meus óculos de ver ao perto

Quando fui ao oftalmologista, ficámos um pouco preocupados quando ele me informou que precisava de ser operada aos olhos, eu com certo receio da operação, embora toda a gente me dissesse ser uma operação simples e o meu marido, com medo, dizia ele, que eu passasse a ver demais, o que lhe poderia complicar a vida...
Lá fui operada,  e o médico todo contente informou que não precisava usar mais óculos, somente para ler, letrinhas miudinhas - dizia ele satisfeito!
O pior foi que, na verdade, fiquei a ver demais, e ao sair à rua  ou em recintos muito iluminados, a luz incomodava-me de tal sorte que tinha que usar lentes escuras, e quando me vi ao espelho!!?, nem imaginas a minha decepção...
A juntar a estes infortúnios, acrescento o facto de andar sempre à procura dos óculos:
- Se estou no computador e toca o telefone lá vou eu de óculos encavalitados no nariz e deixo-os lá;
- Se quero olhar para dentro da panela lá vou à procura dos óculos, que estão na mesa de cabeceira;
- Se preciso procurar um número na lista telefónica ou ler o jornal, aquid'el rei que não encontro os óculos:
- Se vou às compras e quero comparar os preços dos produtos, esqueci os óculos em casa;
Se, ao sair, levo os óculos na mala, quando chego a casa não os tiro de lá, e quando deles necessito,  já não me lembro onde estão...
Naturalmente, estás a pensar e com razão, que posso arranjar um fio para os poder pendurar ao pescoço, o que já fiz mas não resulta, na maior parte das vezes.
 E a culpada  de todos estes infortúnios sabes quem é?
Dona Presbiopia!!!
 Quando o médico todo pimpolho me disse que eu precisava de ser operada logo o interroguei:
- Mas afinal, senhor Doutor,  que mal terrível tenho eu?
Muito cheio  de si e da sua importância e sabedoria , logo pressuroso  me respondeu em voz grossa:
- A senhora sofre de presbiopia!
- Presbiopia - pensei, mas que palavra simpática, elegante, diferente e musical!
E logo eu, que sempre gostei de coisas diferentes, tinha sido bafejada com tal requinte! O que diriam as pessoas amigas e familiares quando eu toda vaidosa , os informasse:
-Tenho presbiopia!
Não quis dar parte de fraca nem que o médico me julgasse ignorante e, durante o trajecto para casa,  fui repetindo a palavra, para não me esquecer:
- Presbiopia, presbiopia, presbiopia...
Cada vez a achava mais requintada, enchia a boca e dava um certo prazer em pronunciá-la, logo a mim me havia de calhar coisa tão especial!
Ao chegar a casa, não me contive, fui ao dicionário, lá estava a palavra bem escarrapachada:
-Presbiopia: - diminuição progressiva da capacidade de ver com nitidez, provocada por perda de elasticidade do cristalino - Depois, vinha o sabor amargo da verdade, tão amargo como fel : " A palavra deriva do grego, presbus - velho"
Afinal era a PDI!!! 
  







terça-feira, 17 de novembro de 2015

A saladeira da "Torre"


Quando vi, a Torre de Belém  "vestir-se" isto é iluminar-se com as cores da bandeira francesa, num ato simbólico de homenagem às vitimas do terrível atentado  da passada sexta - feira, 13 de Novembro, e como forma de repúdio a todas as formas de terrorismo, lembrei-me que, na verdade esta torre mandada construir no reinado de D. João I e construída no reinado do seu sucessor, D. Manuel I, em estilo Manuelino, tendo representado ao longo dos anos funções variadas  como fortaleza, prisão política, farol e sendo visitada por milhões de pessoas nacionais e estrangeiros de todo o mundo, é a torre mais emblemática e conhecida de Portugal , a que  melhor representa  o nosso país , as nossas gentes, a nossa cultura, o nosso sentir, de tal sorte que, não haveria monumento que melhor representasse  o sentir de tristeza, de pesar e de revolta do povo português perante o fatídico acontecimento .
Vai daí, lembrei-me da  fábrica da louça de Sacavém, célebre unidade industrial de produção de cerâmica, fundada em 1850 por Manuel Joaquim Afonso o qual, por razões financeiras, a teve de vender por volta de 1863, a um inglês John Howorth, que introduziu novas técnicas de fabrico fazendo com que a fábrica se tornasse no expoente máximo da produção de cerâmica, de tal modo que o rei D. Luís I ( 1838/1889 ) filho da rainha D. Maria II e do rei D. Fernando II  conferiu ao proprietário o título de barão, e  em simultâneo o privilégio da fábrica se intitular "Real Fábrica da loiça de Sacavém". Após o falecimento do barão em 1893, a baronesa associou-se a James Gilman até 1909, data do seu falecimento, data a partir da qual James Gilman  assumiu o comando,da fábrica. Foi o Período Gilman, e foi  por essa,  altura que a torre de Belém foi minimizada e colocada na saladeira hoje chamada " saladeira da torre" a qual tem três estampas, a Torre, propriamente dita, uma caravela, numa clara alusão aos descobrimentos e um pequeno ramalhete que eu penso ser de oliveira sem contudo o poder afirmar.
E pronto, aqui te mostro a minha "Saladeira da Torre" perfeitamente numerada e identificada, do período Gilman. Agora quero toda agente a  procurar no fundo  das peças antigas, que porventura possam possuir, a ver se alguma tem o símbolo Gilman em caso afirmativo, está de parabéns pois tem algo de valor material e sobretudo histórico, imaterial!
São vários acontecimentos, várias histórias entrelaçadas, ligadas, relacionadas  a que  aqui faço referência, uma muito triste, o atentado em Paris que, embora terrível, pode ter muitas leituras históricas, sobretudo a leitura e o estudo de um grupo prepotente, fanático, que não conhece a palavra multicultural, a da Torre de Belém e dos nossos descobrimentos, uma de muito querer que  interpreta  a persistência e o empenho dos nossos antepassados, a de uma saladeira onde  se pode ler a história do nosso país e a minha, de muito gostar destas coisasde saber as suas origens, de relacionar os factos e sobretudo de de gostar de  contar as coisa que sei ...














quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Em dia de São Martinho:

Em vez de castanhas e  vinho, neste dia dedicado a este santo tão popular  que, segundo a lenda, se privou da sua capa para a dar a um mendigo, mal agasalhado, mostro-te estas fotos da igreja matriz de Pombal, a igreja de São Martinho. Um  templo de características simples, no seu exterior, mas que ao entrarmos nos causa surpresa pela sua talha e belos altares mas sobretudo pelos seus retábulos de pedra policromada que apresentam, entre outros episódios, a história da vida de São Martinho.



 

 
 






















LIONS - o serviço!

Se perguntarmos o que são os Lions  a resposta é simples: PESSOAS!
Pessoas? Perguntarão surpresos os mais distraídos...
Sim pessoas, mas pessoas que querem ajudar e é para isso que se juntam, uma vez por mês, para delinear trabalho, para definir objectivos.
Desta vez o alvo beneficiado foi o Hospital de Angra do Heroísmo, e com muito trabalho arranjaram voluntários, venderam bilhetes e encheram a linda sala do Teatro Angrense na nossa ilha Terceira. Estivemos lá no sábado passado e só temos a agradecer, pois para além de contribuirmos para uma nobilíssima causa assistimos a um espectáculo lindíssimo, podemos até dizer de alto gabarito.
Saímos de lá orgulhosos por termos pessoas na nossa terra que trabalham em favor dos outros de forma tão abnegada e por termos tantos artistas e de tão requintada qualidade.
Aos Lions da ilha Terceira na pessoa do seu presidente local Manuel Amaral, muitos parabéns e sincero agradecimento, pelo belíssimo espectáculo que nos ofereceram e por se esquecerem de si, pensando nos outros , bem hajam!