quarta-feira, 4 de novembro de 2015



Quando se é sessentona, como eu, tem-se muita coisa amealhada que por vezes nos causa confusão, mas das quais não nos queremos desfazer, porque as mesmas nos avivam recordações que não queremos perder. Nesta linha de pensamento quero falar-te das minhas bijutarias que andavam acumuladas em caixas e gavetas de tal maneira que, quando queria usar alguma peça, ou não encontrava a dita, ou então estava de tal modo misturada com as demais que levava um tempão a separá-la o que fazia com que desistisse da ideia de a usar.
Muitas vezes, me apeteceu deitar tudo, ou pelo menos uma parte, para o lixo, mas sabendo, por experiência própria, que o tempo médio que decorre entre deitar fora uma coisa e em precisar desesperadamente dela é cerca de uma semana ... lá ia adiando a ideia sempre na perspectiva de encontrar uma solução para o problema!
Foi então que me lembrei de um antigo e maltratado lavatório que tínhamos na garagem e como sou apologista do contínuo vir- a - ser, vir- a- fazer, com a meta sempre à frente e não atrás, isto é nuca me apego ao que já fiz, mas tenho sempre em mente outros projectos , outros porquês para viver, os quais me ajudam a enfrentar os comos com que me deparo, lá deitei mãos à obra:
Martelei, lixei, dei duas mãos de Amerit, que é um produto anti-ferrugem , duas mãos de sub-capa branca após o que estava pronto para o esmalte, o acabamento final.
Ficou bonito, e deu-me imensa alegria pôr aquela "tralha" toda muito direitinha ; os colares pendurados, as peças pequenas na bacia, as pulseiras no prato em baixo enfim ...enquanto procedia a este trabalho dei por mim a pensar:
-A criatividade, muitas vezes, consiste apenas em dar uma volta, por muito pequena que seja, aquilo que já existe!

Não te esqueças disto, conto-te esta história, numa perspectiva pedagógica, para que te atrevas a deixar brotar o ser criativo que há em ti e se por acaso te sentires deprimida/o faz ou cria alguma coisa e se já estiveres fazendo, troca de trabalho faz qualquer coisa nem que seja restaurar um velho e abandonado lavatório...

Escaldadas



Aqui estão as escaldadas que se costumam fazer por cá pelo Pão-Por-Deus, em tempos idos, de fabrico caseiro, são cada vez mais produto de fabrico industrial. Gosto muito, mas sou mais especialista no comer do que no fazer, contudo, sei que são uns bolos que levam farinha de trigo e de milho em proporções que desconheço, ovos, leite, manteiga, açúcar e erva doce, o que lhes dá um sabor muito especial. O nome de escaldadas vem do facto de esta mistura ser escaldada com água a ferver com a erva doce, há quem lhes junte também algumas sementes desta planta.
Erva doce ou funcho, é uma planta que é utilizada com fins medicinais no combate à má digestão, aos gases, dores de barriga, inchaços, resfriados e também na confecção de confeitos e no fabrico de licores.

terça-feira, 3 de novembro de 2015

A República das Bananas

 Sabes porque estou tão divertida  e simultaneamente concentrada? É que levo o meu bilhetinho para ir ao Politeama assistir a uma revista, de Filipe La Féria. Sempre que vou a Lisboa aproveito para ir ao teatro e gostei, desta vez assisti a uma revista chamada " A República das Bananas", gostei. Muita critica ao que se passa em Portugal, com profissionais  de gabarito como Rita Ribeiro, José Raposo, Anabela, Ricardo Soler, David Mesquita e outros, que me permitiram passar um tempo de fantasia, sonho, cor, música e alegria, deu para descontrair. Apreciei sobretudo o guarda-roupa muito elegante e criativo. Embora já tenha visto melhor de La Féria, mesmo assim, valeu a pena !










Ideias para o Natal

Como a luz que vai à frente é que ilumina, aqui  vai o motivo base para fazeres os teus trabalhinhos para a época que se aproxima, podes copiar por aqui porque não é fácil encontrar um motivo de Natal que caiba nestas barras, agora é só combinar cores e variar o que se põe na bainha, nuns pus um galãozinho apropriado, noutros fiz duas carreiras de ponto de grilhão de cores diferentes, enfim, é só pôr a imaginação a funcionar.
Depois é só embrulhar para presente, antes porém espero que te entusiasmes e faças as tuas próprias lembranças de Natal.






segunda-feira, 2 de novembro de 2015

O que me foi "roubado" pelos meus antepassados:

-Afinal, também sou filha de Deus!  Pensava eu com os meus botões, enquanto bordava um pano com motivos de Natal, um dos imensos que tenho bordado em natais anteriores,  para oferecer, pois, com a minha mania de economia doméstica, gosto de fazer as lembrancinhas para familiares e amigos, este ano foi para mim, finalmente, porque como dizia no início, também sou filha de Deus...
Toda contente e orgulhosa do resultado final, lá o vou testar, no lugar onde ficará pela época festiva que se aproxima, e penso: - ficou lindo!
Eis senão quando, ouço uma vozinha fina e persistente que me sussurra:
- Não te vanglories, afinal isso é um trabalho menor, há quem faça muito melhor, isso não prova nada , lembra-te que a galinha faz um grande barulho com o seu cacarejo, quando põe um simples ovo, como se tivesse posto um diamante, não queres ser como a galinha, pois não? Afinal tudo o que és e tudo o que sabes, te foi "roubado" pelos teus antepassados!
Caio em mim e concordo, não fora eles eu não seria nada, concluo...
Sou o resultado de tantas tentativas de tantas, aprendizagens, de tantos sacrifícios...
O que representa este simples bordado, que já tem as quadriculas, se comparado com os elaborados e finos trabalhos que as nossas avós faziam em tecidos de fios finíssimos, usando muitas vezes uma rudimentar talagarça ( pano grosso e ralo sobre o qual se bordava) e, sem revistas nem modelos !
É aqui que me lembro dos mostruários dos séculos passados, autênticas relíquias, que eram conhecidos pelo termo inglês "samplers" que vem do francês " exemplaire".
Estes "samplers",originários dos séculos XVI, eram repositórios de motivos decorativos representando animais, frutos, flores, alfabetos e números e, em alguns casos, vários pontos que naturalmente, foram usados em lençóis, toalhas de mãos e de mesa, guardanapos, sacos e ainda em iniciais e monogramas que marcavam peças de enxoval. Como não existiam revistas de bordados onde as senhoras se pudessem inspirar, registavam os modelos que iam aprendendo, num tecido totalmente preenchido, pois os tecidos eram caros, não se podia desperdiçar...Com a generalização da imprensa apareceram os livros e revistas de bordados e os "semplers" foram postos de lado...
São peças muito procuradas e de valor, para os apreciadores. Aqui te mostro dois dos meus exemplares um , de tão antigo, já está muito rotinho, e o outro, em melhores condições, estou a pensar emoldurá-lo, quem sabe, um dia!
Afinal, nós não inventámos nada, o caminho já estava aberto, é só percorrê-lo... 

























Pão-Por-Deus:

Muitas foram as crianças que por cá passaram a pedir Pão-Por-Deus, estes três primos, embora radiantes com as saquinhas repletas de guloseimas e moedas, estavam tão cansados que se sentaram logo à sombra da palmeira...

O Castanheiro Frondoso



O castanheiro frondoso
de ouriços carregado,
altivo e muito orgulhoso,
seus ramos, vai abanando...
Adiantado o Outono,
o castanheiro frondoso
dos ouriços se despede...
E sempre muito orgulhoso,
espera o ano que sucede.
E o ouriço ao abrir
como caixinha de jóia
mostra o fruto a sorrir,
seu orgulho, sua vitória.
Esta vitória, esta glória
por mãos rústicas, diligentes
vai ser junta, recolhida
escolhida, seca, lavada,
e no calor do braseiro
vai sofrer até assar,
para a todos agradar,
em festas, convívios, jantares ...
E os comensais
muito satisfeitos dizem :
-Que bela castanha assada!
Ingratos!
Esquecem de endereçar
Um agradecimento, um louvor
ao castanheiro frondoso
Altivo e muito orgulhoso...
Clara Faria da Rosa

 Faz hoje 1 ano
A Bárbara Coelho e o seu irmãozinho Dinis vieram cá a casa pedir Pão-Por-Deus. Foi a 1ª vez que o Dinis veio cá a casa e teve que vir ao colo do seu avô porque ainda não anda, espero e desejo que ele quando andar possa vir cá muitas vezes e eu esteja viva para lhe dar o Pão-Por-Deus!, isto foi há um ano, mas o Dinis voltou, este ano, com a mana, mas já pelo seu pé!

sábado, 31 de outubro de 2015



Pão- por -Deus, uma esmolinha por alma dos seus!!!
Embora se diga que a tradição já não é o que era, neste 1 de Novembro,que assinala o dia de Todos os Santos e antecede o dia que a igreja católica estabeleceu ser o dia dos Fieis Defuntos, logo pela manhã, começarão a bater às portas bandos de crianças e algumas sozinhas ou acompanhadas por familiares, as mais pequenas, de saca colorida na mão, pedindo o Pão- por- Deus.
É uma alegria ver que ainda se repetem hábitos antigos, com raízes profundas, nas nossas crenças, maneiras de ser e de sentir os quais estão lentamente a serem substituídos pelo halloween, abóboras chapéus de bruxas, aranhas e outros.
Penso ser importante conhecer as tradições de outros povos, o que não podemos é pôr de parte o que é nosso, e o que os nossos avós nos deixaram foi a linda e colorida saca de retalhos onde cabem as esmolas, frutos secos, escaldadas, guloseimas ou algumas moedas que alegram o coração da criançada e o dos adultos que as vêem à sua porta como um sinal de que nem tudo está perdido!