domingo, 27 de setembro de 2015

Biscoitos

Tradição e progresso...

Foram as festas da Serreta, da Lapinha, da Penha de França, hoje  o Domingo dos Biscoitos, amanhã Segunda-Feira de São Carlos e  para a semana as festa das Lajes, para culminar este ciclo festivo que se desenrola, anualmente, à volta da nossa ilha Terceira, nos Açores.
E como é tradicional, estive hoje na tourada do Porto, nos Biscoitos  e dei por mim a pensar:
-Esta é mesmo uma terra de bravos, que souberam preservar as velhas tradições, e fazer com que estas coexistam harmoniosamente com o progresso, aproveitando o facto de nascerem livres e por isso com direito a serem diferentes, deixaram e fizeram com que o que há de melhor na sua ilha subsista e continue como legado para os seus filhos!
E para os que não puderam estar lá, por estarem ausentes, doentes  ou por qualquer motivo alheio à respectiva vontade, sim,  porque acredito que qualquer terceirense que se preze gosta de ir aos Biscoitos, neste dia, aqui fica um cheirinho como referência porque sei que uma boa memória nunca é tão boa nem tão nítida  como uma boa imagem...
















sábado, 26 de setembro de 2015

Bodas de Ouro

Que Deus Seja Louvado!

Cinquenta anos  passaram,
Muitas alegrias viveram,
E também muito sofreram,
Mas com coragem seguiram...
Até às bodas de ouro
Festa para celebrar,
Cada dia como um  tesouro 
Suas vidas a celebrar...
É por isso que aqui estou
Com um abraço apertado,
Louvando o que passou
Que Deus seja louvado...
Pela saúde  e pelo amor
Pelas forças e coragem,
Pelo respeito sem rancor
Pelo sorriso, pela mensagem...
Que Deus seja louvado
Por isto terem conseguido,
E a felicidade terem vivido
Sempre juntos, lado alado...
Que seja longa a caminhada
Ao lado da pessoa amada,
E que espalhem  bons exemplos
Até ao fim da Jornada,
Por muitos e muitos anos
Assim Deus seja louvado!

Clara Faria da Rosa
25/Setembro/2015

Bodas de ouro

Cinquenta anos passaram
Muito foi o que amaram
Sofreram e desculparam
E também muito aprenderam!
************
Aprenderam a esquecer
Ofensas, mágoas, sofrimento...
e o companheiro enaltecer
Com amor e sentimento.
**************
Nem tudo foram flores
Houve atritos, espinhos e dores.
Depois de tudo ultrapassado
Há vitórias, alegrias, recordações...
Momentos de muitas emoções
Tudo ficou bem registado!

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Folha de Outono:

A folha de outono cai de mansinho
e a vida lá vai devagarinho,
A folha de outono cai dourada
e a vida  lá vai triste e   cansada,
A folha de outono  o chão atapeta
e a vida já não sofre, já não luta,
A folha de Outono já está morta
e a vida espera e acredita:
Que a folha de Outono dará nova vida
e a Natureza ficará de novo grávida...
De muitas e lindas cores
De  grandes e profundos amores
De alentadoras esperanças
De inesquecíveis  lembranças...
Porque a folha e a vida 
andam sempre de mão dada,
Porque a folha e a vida 
São esperança aguardada,
Porque a folha e a vida
são uma linda morada
que alberga a alvorada!

Clara Faria da Rosa
23/09/2015



Outono...

Ouves?

A folha caiu
Grávida de luz e sol,
Em saudade que partiu
Dourando o chão com lençol.
Ouves?
O vento apressado sopra,
Querendo ser o primeiro,
Diligente mensageiro,
Dos Bons tempos de outrora.
Sentes?
O frio que arrepia,
Anunciando longas noites
De aconchego e alegria,
Calmas, meditadas,quentes!
****Clara Faria da Rosa
           22 /09/2015


sábado, 19 de setembro de 2015

Socas, massarocas ou espigas de milho.


Ontem, ao abrir a porta, encontrei uma saca com massarocas de milho. Mão amiga, sabendo que gostamos muito delas, deixou-as como que um cartão de visita testemunhando amizade que se revela de um modo tão simpático e  peculiar .
Lembrei-me então que por esta altura, o quintal da minha casa das Lajes costumava estar repleto de montes de massarocas à volta dos quais nos sentávamos, com  vizinhos e amigos que nos vinham ajudar, para se fazer a desfolhada. Tiravam-se as folhas velhas e deixavam-se algumas para  o meu pai as prender em "cambulhos" e depois os pendurar na burra do milho a secar.

Bateu-me fundo uma certa saudade e pensei que todas as famílias, por mais humildes que sejam, possuem a sua própria história, o seu passado, e a minha família não foge à regra. Quanto a mim a lembrança desse passado fascina-me com a sensação profunda de um romance duradouro, como se fosse o passado ou as tradições de uma família real.
 Bem, mas o que quero é dar-te conta das massarocas que me foram ofertadas:
Primeiro tirei-lhes as folhas e limpei-as dos cabelos de milho e dos grãos estragados,



Depois fiz vários sacos para congelar, aproveitando já, para cozer algumas em água e sal.
Depois de cozidas, há quem as asse na brasa, mas nós gostamos assim mesmo, com um pouco de manteiga,
Agora é só comer à dentada, às vezes eu corto-as ao meio antes de cozer mas desta vez foi assim mesmo!
Claro que é uma coisa mais rústica, não se serve numa refeição de cerimónia, mas eu tenho este pequeno servicinho próprio, com umas massaroquinhas que servem para pegar na massaroca, quando está muito quente e o utensílio para, quem gostar, distribuir a manteiga sobre elas.

Um pouco de saber...
O milho é  um cereal cultivado em grande parte do mundo. É utilizado na alimentação humana ou como ração para animais, devido às suas qualidades nutricionais e aos aminoácidos que o integram.
Pensa-se que este cereal é originário da América, existindo várias espécies do mesmo.

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Sorrindo...

Li algures que "O Sorriso é a escova que consegue tirar as teias de aranha do coração",é por isso que me esforço para estar sempre o mais bem disposta possível e afastar "fantasmas" passados, presentes e ou futuros.

Estar bem disposta é um hábito que se adquire, quando compreendemos o quanto é valioso o bem que temos, por mais insignificante que seja, e quando aprendemos a viver contentes com o que temos.
É por isso que me estou a rir para ti neste momento, para te desejar uma bom fim de semana, que sejas forte e que uses o teu senso comum que te ajudará a afastar as teias de aranha que possas ter no teu coração...sorrindo!

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Uma grande viagem...Ler e escrever!

Ler e escrever é como quem anda ou faz uma viagem, quanto mais lemos ou escrevemos mais nos apetece a fazê -lo. Eu, confesso, sou dependente! É que tenho ido a muito lugar, tenho visto e aprendido muita coisa, tenho arranjado muitos amigos, enfim, tenho enriquecido muito através da prática da leitura e da escrita...´
Sei que isto não é novidade para ninguém, mas não me importo, pois não tenho a veleidade de descobrir nada, visto que, já Salomão dizia:"O QUE FOI É O QUE HÁ-DE SER, E O QUE SE FEZ , SE TORNARÁ A FAZER, NADA HÁ, POIS, DE NOVO DEBAIXO DO SOL" (Eclesiastes 1/9).
Não existindo, portanto, nada de novo debaixo do Sol, resta-me a coragem de deixar vir à superfície , através do prazer de escrever, as minhas alegrias , angústias, aprendizagens, medos, ansiedades e expectativas, sentindo-me um ser humano normal mas translúcido.
Sei que as mesmas palavras e textos não têm idêntica conotação para todos os leitores, pois isso tem a ver com variados factores como sejam o estado de espírito, as vivências, idade, cultura, etc., o importante é que a minha mão, depois de escrever, repousa sossegada, como alguém que acaba de cumprir um dever e o meu coração sorri, contente por ter contactado contigo, meu amigo/a!

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Coisas bonitas...




Não é bonita a minha colecção de rolhas antigas?
De cristal ou de vidro, brancas ou coloridas, grandes ou pequenas, muito antigas, antigas ou mais recentes, cada uma tem a sua história e conta-nos algo de um modo de vida que está um pouco posto de parte devido ao novo estilo de vida que as pessoas vão adoptando e também devido ao aparecimento de produtos mais baratos, com novos estilos e para gostos diferentes.
Para mim estas são uma beleza e são fruto de muitos anos de procura.
Tens alguma perdida ou escondida no canto da garrafeira ou do armário ? Fala comigo!
























Conversa com a Senhora dos Milagres:







 Lá fui eu no Sábado passado em Romaria à Serreta , visitar a Senhora dos Milagres. Saí pela 16 horas e ao longo de quatro horas e meia dei o melhor de mim, palmilhei caminhos e estradas e atravessei a Boa-Hora, Terra-Chã, o Cantinho, São Mateus,  São Bartolomeu, Cinco Ribeiras, Santa Bárbara, Doze Ribeiras e parte da Serreta tendo sempre em mente que aquele sacrifício só era importante porque era feito com muito amor, muita devoção e muita fé. Cheguei cansada e ao ajoelhar-me  lá vi a Senhora no meio de flores e velas  e dei por mim a falar com ela:
-Adorada Senhora, vim porque quando amamos alguém tudo é evidente e sabemos onde devemos ir, o que devemos fazer e dizer... Creio em ti, respeito-te e sei, que estás aí recolhida a ouvir-me, assim como a toda esta multidão, que ao longo destes dias tem comparecido perante ti !
E porque creio em ti,quero-te dizer que estou triste contigo, porque tens permitido que os homens sofram tanto, que tenham que fugir dos seus países e casas à procura de vidas melhores; E as crianças, como podes permitir que sofram tanto por causa da maldade, incompetência e ganância de alguns homens maus e mal-preparados? 
-Estou aqui cansada, mas com muita fé, a discutir contigo porque não compreendo como podes permitir que os idosos sofram com falta de acessos a cuidados e  a serviços de saúde em conformidade com o que fizeram ao longo das suas vidas e com o que seu estatuto de idosos merece,  e também te quero dizer que os jovens que se esforçaram durante vários anos para  terem preparação tecnológica e científica que lhes permitisse uma vida digna dando em toca o seu trabalho e saber em prol do desenvolvimento do seu país, precisam que olhes para eles e que os ajudes e encaminhes..
Minha Senhora, isto não é um puxão de orelhas, é um alerta, é um pedido, é uma oração informal e não papagueada, para que quando desceres desse altar, e caminhares pelas ruas da tua freguesia no teu andor dourado e florido, espalhes o teu sereno e doce olhar à tua volta e tentes mudar um pouco o mundo, o sofrimento e a maldade que o invade.
Sei que não podes fazer regredir o relógio, mas podes tornar a dar-lhe corda, é isso que peço que faças, que dês corda  à beleza, ao amor, à bondade, à tolerância, à paciência e à competência dos governantes, para que a felicidade venha inundar as nossas casas, ruas aldeias e vilas e as pessoas te possam louvar com os corações repletos de amor e agradecimento ...
E, minha Senhora, prometo, para o próximo ano cá estarei, se tiver vida e saúde, espero que com uma oração de agradecimento!  


sexta-feira, 11 de setembro de 2015

"DIÁLOGO COM A MORTE"

Aqui está Marie de Hennezel, nascida em 1946, formada em psicologia clínica e psicanálise que trabalhou no hospital psiquiátrico de Villejuif na década de 70, tratando de graves casos psicóticos.

Em 1986 o presidente francês Mitterrand propôs-lhe integrar e dirigir uma unidade piloto de cuidados paliativos, em Paris, a 1ª do género da Europa.
Pois é esta senhora, a autora do livro "Diálogo Com a Morte ", livro que é fruto da respectiva experiência,  junto de pessoas próximas da morte, que terminaram as suas vidas, no já referido hospital, que estou a treler ou a quatreler, não sei se o termo existe, e que sempre me fascina pelo relato profundo, sentido e real que faz da sua experiência clínica, assim como pelas suas observações tão caridosas, carinhosas e humanas que transmitem ensinamentos, e uma nova visão da maneira como os doentes terminais vivem a situação, e também do modo como quem os rodeia deve encarar aquele momento, não como um tempo absurdo ou desprovido de sentido, mas como um período de realização da pessoa que muitas vezes encara a morte, segundo Hennezel, com um espírito de curiosidade e de alívio, e da transformação do que a rodeia.
O próprio prefácio de F. Mitterrand, é um apelo à meditação e à descoberta do que se passa " no momento de maior solidão, em que o corpo debruçado à beira do infinito, estabelece um outro tempo, fora das medidas habituais", sendo então a altura em que os doentes "Graças à ajuda de uma presença, permitem que o desespero e a dor se exprimam, entendem a sua própria vida, apropriam-se dela, manifestam a sua verdade e descobrem a liberdade de aderirem a si próprios".
Um livro interessantíssimo, que nos ajuda a pensar, a crescer e a perceber o que se passa no momento em que a pessoa se torna naquilo para que foi chamada a ser, no pleno sentido da palavra, o momento da realização!
Além deste livro Hennezel também escreveu " Morrer de Olhos Fechados", " A Arte de Morrer" e " Nós não nos Despedimos".
Este não pretende ser um trabalho triste, não, nem os livros desta escritora o são, o que pretendo é lembrar-me e lembrar-vos que devemos aproveitar  ao máximo desta experiência maravilhosa que é a vida para sabermos partir em paz, quando chegar a nossa altura,

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Um presente de maracujás e o sótão da minha infância:


Que sentirias tu se recebesses inesperadamente em tua casa uma lindo presente de maracujás  como este que  recebi?
Ficarias feliz, naturalmente!
Pois foi o que me aconteceu, sente-se um calorzinho no coração quando se constata que alguém pensou em nós, não é?
A minha comadre e velha amiga Guida Gomes tendo vindo, da vizinha ilha de São Miguel, visitar-me, pensou em mim e na minha família e falou com o seu filho que seleccionou os melhores frutos  para nos mandar um presente de uma forma tão agradável que nos agradou e sensibilizou sobremaneira.
Quando comecei a escrever era só para te falar deste presente  mas, esta palavra presente "Guindou-me" a um episódio que me aconteceu no mês de Setembro há 60 anos passados:
Preparava-me para entrar na escola primária, como então se chamava, no dia 1 de Outubro, e assim iniciar o meu percurso académico, à altura não havia infantários, nem prés, nem nada dessas vantagens actuais, a que as pessoas de tão corriqueiras, já nem lhes dão o devido valor.
A minha mãe já me havia preparado a minha mala de cartão, não a da cantora, com o livro, um caderno de folhas de duas linhas, uma pedra com a sua esponja, como apagador, e o respectivo lápis e já me tinha feito a bata branquinha, pois à altura era assim, a bata nivelava e tapava as misérias ou necessidades, comprara-me também uma caixinha redondinha em alumínio, para eu levar um lanchinho para os intervalos, pois viria almoçar a casa. 
Muito previdente, a minha mãe, lembrando-se que " a luz que vai à frente é que ilumina", resolveu matricular-me o mês de Setembro na chamada "escola paga" , como então se dizia, para eu já ir um pouco preparada para a escola e não ter problemas de adaptação.
Lá vai a Clarinha, toda contente, com o seu avental com muitos folhos, um grande laço na cabeça, e a sua mala recheada de tesouros, para a escola da Professora Rita,que era uma regente em quem a minha mãe, e outras pessoas confiavam muito no aspecto pedagógico, chegando lá, encontra muitos alunos sentados em pequenos banquinhos à volta de uma sala e a professora, muito profissional, a chamar os nomes que tinha registado na sua lista:
- João,-presente, responde a criança! 
-Maria, -Presente,
- Ilda,-presente, 
-presente, 
-presente,
- presente, vão respondendo as crianças à chamada!
Eis se não quando, grande berreiro na sala, todos espantados sem saber o que se passava, era a Clarinha que chorava aflita por não ter levado um presente para a professora, pois só conhecia a palavra no sentido de oferecer algo a alguém quando a mãe lhe dizia:
-Vai levar este presente à vizinha, ou à tia, quando havia carne fruta, batatas,legumes ou algo mais para partilhar.
Vejam só como uns maracujás, vindos de São Miguel, tiveram o condão de me fazer voltar ao sótão da minha infância!
Obrigada amiga e comadre, pela tua visita, pelos lindos e saborosos maracujás e por me teres feito não sei porquê, talvez por estarmos no mês do regresso à escola,voltar ao sótão da minha infância!
Já agora mostro-te a caixinha de alumínio que eu levava para a escola, já tem sessenta anos, para mim é uma relíquia, com uns mimos que a minha mãe preparava, biscoitinhos e roscas feitos com a manteiga que se tirava do leite, depois de fervido, figos passados, pão com doce de uva, um ovinho cozido, fruta descascada e partida eu sei lá... os sabores, cheiros e recordações que, neste momento, me estão povoando a memória!