sábado, 26 de setembro de 2015

Bodas de Ouro

Que Deus Seja Louvado!

Cinquenta anos  passaram,
Muitas alegrias viveram,
E também muito sofreram,
Mas com coragem seguiram...
Até às bodas de ouro
Festa para celebrar,
Cada dia como um  tesouro 
Suas vidas a celebrar...
É por isso que aqui estou
Com um abraço apertado,
Louvando o que passou
Que Deus seja louvado...
Pela saúde  e pelo amor
Pelas forças e coragem,
Pelo respeito sem rancor
Pelo sorriso, pela mensagem...
Que Deus seja louvado
Por isto terem conseguido,
E a felicidade terem vivido
Sempre juntos, lado alado...
Que seja longa a caminhada
Ao lado da pessoa amada,
E que espalhem  bons exemplos
Até ao fim da Jornada,
Por muitos e muitos anos
Assim Deus seja louvado!

Clara Faria da Rosa
25/Setembro/2015

Bodas de ouro

Cinquenta anos passaram
Muito foi o que amaram
Sofreram e desculparam
E também muito aprenderam!
************
Aprenderam a esquecer
Ofensas, mágoas, sofrimento...
e o companheiro enaltecer
Com amor e sentimento.
**************
Nem tudo foram flores
Houve atritos, espinhos e dores.
Depois de tudo ultrapassado
Há vitórias, alegrias, recordações...
Momentos de muitas emoções
Tudo ficou bem registado!

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Folha de Outono:

A folha de outono cai de mansinho
e a vida lá vai devagarinho,
A folha de outono cai dourada
e a vida  lá vai triste e   cansada,
A folha de outono  o chão atapeta
e a vida já não sofre, já não luta,
A folha de Outono já está morta
e a vida espera e acredita:
Que a folha de Outono dará nova vida
e a Natureza ficará de novo grávida...
De muitas e lindas cores
De  grandes e profundos amores
De alentadoras esperanças
De inesquecíveis  lembranças...
Porque a folha e a vida 
andam sempre de mão dada,
Porque a folha e a vida 
São esperança aguardada,
Porque a folha e a vida
são uma linda morada
que alberga a alvorada!

Clara Faria da Rosa
23/09/2015



Outono...

Ouves?

A folha caiu
Grávida de luz e sol,
Em saudade que partiu
Dourando o chão com lençol.
Ouves?
O vento apressado sopra,
Querendo ser o primeiro,
Diligente mensageiro,
Dos Bons tempos de outrora.
Sentes?
O frio que arrepia,
Anunciando longas noites
De aconchego e alegria,
Calmas, meditadas,quentes!
****Clara Faria da Rosa
           22 /09/2015


sábado, 19 de setembro de 2015

Socas, massarocas ou espigas de milho.


Ontem, ao abrir a porta, encontrei uma saca com massarocas de milho. Mão amiga, sabendo que gostamos muito delas, deixou-as como que um cartão de visita testemunhando amizade que se revela de um modo tão simpático e  peculiar .
Lembrei-me então que por esta altura, o quintal da minha casa das Lajes costumava estar repleto de montes de massarocas à volta dos quais nos sentávamos, com  vizinhos e amigos que nos vinham ajudar, para se fazer a desfolhada. Tiravam-se as folhas velhas e deixavam-se algumas para  o meu pai as prender em "cambulhos" e depois os pendurar na burra do milho a secar.

Bateu-me fundo uma certa saudade e pensei que todas as famílias, por mais humildes que sejam, possuem a sua própria história, o seu passado, e a minha família não foge à regra. Quanto a mim a lembrança desse passado fascina-me com a sensação profunda de um romance duradouro, como se fosse o passado ou as tradições de uma família real.
 Bem, mas o que quero é dar-te conta das massarocas que me foram ofertadas:
Primeiro tirei-lhes as folhas e limpei-as dos cabelos de milho e dos grãos estragados,



Depois fiz vários sacos para congelar, aproveitando já, para cozer algumas em água e sal.
Depois de cozidas, há quem as asse na brasa, mas nós gostamos assim mesmo, com um pouco de manteiga,
Agora é só comer à dentada, às vezes eu corto-as ao meio antes de cozer mas desta vez foi assim mesmo!
Claro que é uma coisa mais rústica, não se serve numa refeição de cerimónia, mas eu tenho este pequeno servicinho próprio, com umas massaroquinhas que servem para pegar na massaroca, quando está muito quente e o utensílio para, quem gostar, distribuir a manteiga sobre elas.

Um pouco de saber...
O milho é  um cereal cultivado em grande parte do mundo. É utilizado na alimentação humana ou como ração para animais, devido às suas qualidades nutricionais e aos aminoácidos que o integram.
Pensa-se que este cereal é originário da América, existindo várias espécies do mesmo.

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Sorrindo...

Li algures que "O Sorriso é a escova que consegue tirar as teias de aranha do coração",é por isso que me esforço para estar sempre o mais bem disposta possível e afastar "fantasmas" passados, presentes e ou futuros.

Estar bem disposta é um hábito que se adquire, quando compreendemos o quanto é valioso o bem que temos, por mais insignificante que seja, e quando aprendemos a viver contentes com o que temos.
É por isso que me estou a rir para ti neste momento, para te desejar uma bom fim de semana, que sejas forte e que uses o teu senso comum que te ajudará a afastar as teias de aranha que possas ter no teu coração...sorrindo!

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Uma grande viagem...Ler e escrever!

Ler e escrever é como quem anda ou faz uma viagem, quanto mais lemos ou escrevemos mais nos apetece a fazê -lo. Eu, confesso, sou dependente! É que tenho ido a muito lugar, tenho visto e aprendido muita coisa, tenho arranjado muitos amigos, enfim, tenho enriquecido muito através da prática da leitura e da escrita...´
Sei que isto não é novidade para ninguém, mas não me importo, pois não tenho a veleidade de descobrir nada, visto que, já Salomão dizia:"O QUE FOI É O QUE HÁ-DE SER, E O QUE SE FEZ , SE TORNARÁ A FAZER, NADA HÁ, POIS, DE NOVO DEBAIXO DO SOL" (Eclesiastes 1/9).
Não existindo, portanto, nada de novo debaixo do Sol, resta-me a coragem de deixar vir à superfície , através do prazer de escrever, as minhas alegrias , angústias, aprendizagens, medos, ansiedades e expectativas, sentindo-me um ser humano normal mas translúcido.
Sei que as mesmas palavras e textos não têm idêntica conotação para todos os leitores, pois isso tem a ver com variados factores como sejam o estado de espírito, as vivências, idade, cultura, etc., o importante é que a minha mão, depois de escrever, repousa sossegada, como alguém que acaba de cumprir um dever e o meu coração sorri, contente por ter contactado contigo, meu amigo/a!

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Coisas bonitas...




Não é bonita a minha colecção de rolhas antigas?
De cristal ou de vidro, brancas ou coloridas, grandes ou pequenas, muito antigas, antigas ou mais recentes, cada uma tem a sua história e conta-nos algo de um modo de vida que está um pouco posto de parte devido ao novo estilo de vida que as pessoas vão adoptando e também devido ao aparecimento de produtos mais baratos, com novos estilos e para gostos diferentes.
Para mim estas são uma beleza e são fruto de muitos anos de procura.
Tens alguma perdida ou escondida no canto da garrafeira ou do armário ? Fala comigo!
























Conversa com a Senhora dos Milagres:







 Lá fui eu no Sábado passado em Romaria à Serreta , visitar a Senhora dos Milagres. Saí pela 16 horas e ao longo de quatro horas e meia dei o melhor de mim, palmilhei caminhos e estradas e atravessei a Boa-Hora, Terra-Chã, o Cantinho, São Mateus,  São Bartolomeu, Cinco Ribeiras, Santa Bárbara, Doze Ribeiras e parte da Serreta tendo sempre em mente que aquele sacrifício só era importante porque era feito com muito amor, muita devoção e muita fé. Cheguei cansada e ao ajoelhar-me  lá vi a Senhora no meio de flores e velas  e dei por mim a falar com ela:
-Adorada Senhora, vim porque quando amamos alguém tudo é evidente e sabemos onde devemos ir, o que devemos fazer e dizer... Creio em ti, respeito-te e sei, que estás aí recolhida a ouvir-me, assim como a toda esta multidão, que ao longo destes dias tem comparecido perante ti !
E porque creio em ti,quero-te dizer que estou triste contigo, porque tens permitido que os homens sofram tanto, que tenham que fugir dos seus países e casas à procura de vidas melhores; E as crianças, como podes permitir que sofram tanto por causa da maldade, incompetência e ganância de alguns homens maus e mal-preparados? 
-Estou aqui cansada, mas com muita fé, a discutir contigo porque não compreendo como podes permitir que os idosos sofram com falta de acessos a cuidados e  a serviços de saúde em conformidade com o que fizeram ao longo das suas vidas e com o que seu estatuto de idosos merece,  e também te quero dizer que os jovens que se esforçaram durante vários anos para  terem preparação tecnológica e científica que lhes permitisse uma vida digna dando em toca o seu trabalho e saber em prol do desenvolvimento do seu país, precisam que olhes para eles e que os ajudes e encaminhes..
Minha Senhora, isto não é um puxão de orelhas, é um alerta, é um pedido, é uma oração informal e não papagueada, para que quando desceres desse altar, e caminhares pelas ruas da tua freguesia no teu andor dourado e florido, espalhes o teu sereno e doce olhar à tua volta e tentes mudar um pouco o mundo, o sofrimento e a maldade que o invade.
Sei que não podes fazer regredir o relógio, mas podes tornar a dar-lhe corda, é isso que peço que faças, que dês corda  à beleza, ao amor, à bondade, à tolerância, à paciência e à competência dos governantes, para que a felicidade venha inundar as nossas casas, ruas aldeias e vilas e as pessoas te possam louvar com os corações repletos de amor e agradecimento ...
E, minha Senhora, prometo, para o próximo ano cá estarei, se tiver vida e saúde, espero que com uma oração de agradecimento!  


sexta-feira, 11 de setembro de 2015

"DIÁLOGO COM A MORTE"

Aqui está Marie de Hennezel, nascida em 1946, formada em psicologia clínica e psicanálise que trabalhou no hospital psiquiátrico de Villejuif na década de 70, tratando de graves casos psicóticos.

Em 1986 o presidente francês Mitterrand propôs-lhe integrar e dirigir uma unidade piloto de cuidados paliativos, em Paris, a 1ª do género da Europa.
Pois é esta senhora, a autora do livro "Diálogo Com a Morte ", livro que é fruto da respectiva experiência,  junto de pessoas próximas da morte, que terminaram as suas vidas, no já referido hospital, que estou a treler ou a quatreler, não sei se o termo existe, e que sempre me fascina pelo relato profundo, sentido e real que faz da sua experiência clínica, assim como pelas suas observações tão caridosas, carinhosas e humanas que transmitem ensinamentos, e uma nova visão da maneira como os doentes terminais vivem a situação, e também do modo como quem os rodeia deve encarar aquele momento, não como um tempo absurdo ou desprovido de sentido, mas como um período de realização da pessoa que muitas vezes encara a morte, segundo Hennezel, com um espírito de curiosidade e de alívio, e da transformação do que a rodeia.
O próprio prefácio de F. Mitterrand, é um apelo à meditação e à descoberta do que se passa " no momento de maior solidão, em que o corpo debruçado à beira do infinito, estabelece um outro tempo, fora das medidas habituais", sendo então a altura em que os doentes "Graças à ajuda de uma presença, permitem que o desespero e a dor se exprimam, entendem a sua própria vida, apropriam-se dela, manifestam a sua verdade e descobrem a liberdade de aderirem a si próprios".
Um livro interessantíssimo, que nos ajuda a pensar, a crescer e a perceber o que se passa no momento em que a pessoa se torna naquilo para que foi chamada a ser, no pleno sentido da palavra, o momento da realização!
Além deste livro Hennezel também escreveu " Morrer de Olhos Fechados", " A Arte de Morrer" e " Nós não nos Despedimos".
Este não pretende ser um trabalho triste, não, nem os livros desta escritora o são, o que pretendo é lembrar-me e lembrar-vos que devemos aproveitar  ao máximo desta experiência maravilhosa que é a vida para sabermos partir em paz, quando chegar a nossa altura,

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Um presente de maracujás e o sótão da minha infância:


Que sentirias tu se recebesses inesperadamente em tua casa uma lindo presente de maracujás  como este que  recebi?
Ficarias feliz, naturalmente!
Pois foi o que me aconteceu, sente-se um calorzinho no coração quando se constata que alguém pensou em nós, não é?
A minha comadre e velha amiga Guida Gomes tendo vindo, da vizinha ilha de São Miguel, visitar-me, pensou em mim e na minha família e falou com o seu filho que seleccionou os melhores frutos  para nos mandar um presente de uma forma tão agradável que nos agradou e sensibilizou sobremaneira.
Quando comecei a escrever era só para te falar deste presente  mas, esta palavra presente "Guindou-me" a um episódio que me aconteceu no mês de Setembro há 60 anos passados:
Preparava-me para entrar na escola primária, como então se chamava, no dia 1 de Outubro, e assim iniciar o meu percurso académico, à altura não havia infantários, nem prés, nem nada dessas vantagens actuais, a que as pessoas de tão corriqueiras, já nem lhes dão o devido valor.
A minha mãe já me havia preparado a minha mala de cartão, não a da cantora, com o livro, um caderno de folhas de duas linhas, uma pedra com a sua esponja, como apagador, e o respectivo lápis e já me tinha feito a bata branquinha, pois à altura era assim, a bata nivelava e tapava as misérias ou necessidades, comprara-me também uma caixinha redondinha em alumínio, para eu levar um lanchinho para os intervalos, pois viria almoçar a casa. 
Muito previdente, a minha mãe, lembrando-se que " a luz que vai à frente é que ilumina", resolveu matricular-me o mês de Setembro na chamada "escola paga" , como então se dizia, para eu já ir um pouco preparada para a escola e não ter problemas de adaptação.
Lá vai a Clarinha, toda contente, com o seu avental com muitos folhos, um grande laço na cabeça, e a sua mala recheada de tesouros, para a escola da Professora Rita,que era uma regente em quem a minha mãe, e outras pessoas confiavam muito no aspecto pedagógico, chegando lá, encontra muitos alunos sentados em pequenos banquinhos à volta de uma sala e a professora, muito profissional, a chamar os nomes que tinha registado na sua lista:
- João,-presente, responde a criança! 
-Maria, -Presente,
- Ilda,-presente, 
-presente, 
-presente,
- presente, vão respondendo as crianças à chamada!
Eis se não quando, grande berreiro na sala, todos espantados sem saber o que se passava, era a Clarinha que chorava aflita por não ter levado um presente para a professora, pois só conhecia a palavra no sentido de oferecer algo a alguém quando a mãe lhe dizia:
-Vai levar este presente à vizinha, ou à tia, quando havia carne fruta, batatas,legumes ou algo mais para partilhar.
Vejam só como uns maracujás, vindos de São Miguel, tiveram o condão de me fazer voltar ao sótão da minha infância!
Obrigada amiga e comadre, pela tua visita, pelos lindos e saborosos maracujás e por me teres feito não sei porquê, talvez por estarmos no mês do regresso à escola,voltar ao sótão da minha infância!
Já agora mostro-te a caixinha de alumínio que eu levava para a escola, já tem sessenta anos, para mim é uma relíquia, com uns mimos que a minha mãe preparava, biscoitinhos e roscas feitos com a manteiga que se tirava do leite, depois de fervido, figos passados, pão com doce de uva, um ovinho cozido, fruta descascada e partida eu sei lá... os sabores, cheiros e recordações que, neste momento, me estão povoando a memória! 





segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Três lindas senhoras:


Estas três lindas senhoras 
Numa esplanada desta cidade
Deram gargalhadas sonoras
De pura felicidade.
Estas três lindas senhoras
Irmanadas pela idade
Passaram algumas horas
A falar de amizade.
Estas três lindas senhoras 
Sentiam muita saudade
De quando eram raparigas
Dos tempos de mocidade. 
E por isso se juntaram, 
E por isso muito riram,
E por isso tanto falaram,
E felizes se sentiram!

Clara Faria da Rosa,
Verão de 2015

domingo, 6 de setembro de 2015

Eu até rezava, à noite, as minhas orações!!!

Era dia de procissão em Santa Luzia da Praia da Vitória, depois do jantar, a minha avó vestia a sua casaca de brocado preto e a sua saia castanha, ajeitava o seu pelo com ganchos de osso e alisava bem o cabelo que prendia com bonitas travessas, punha a sua sombrinha no braço, pegava no missal e no seu terço e lá me levava a reboque para a missa - de - festa e sermão.

Era um martírio para mim, porque a avó era do tempo em que não havia carros e, por isso, tinha tendência para andar no meio da estrada e eu tinha que estar continuamente a puxá-la para a berma da estrada pois os carros dos americanos da base da Lajes, ali ao pé, quase no quintal, ferviam!
Na igreja era só gente de idade e adultos, as roupas cheiravam a naftalina e eu , aos pés da minha avó, sentada no pequeno banquinho de ajoelhar, olhava para o púlpito, para os torneados de madeira com uns anjinhos todos pretos, até as asas, e para o pregador, atónita sem perceber nada, mas pareceu-me, a certa altura, perceber que ele ameaçava os presentes! Mas porquê se eu até fazia tudo o que me mandavam e rezava à noite as minhas orações?

- Avó, ele está zangado comigo?
-Cala-te rapariga, isto não são assuntos para ti!!!
Vão-se lá entender os adultos...

Figos Pretos e Pudim Boca-Doce

Hoje  andei nostálgica.

Foi dia de festa, dia de procissão, em Santa Luzia da Praia da Vitória, terra natal da minha família materna, e não me canso de lembrar que sendo filha única gostava muito de ir para casa da minha avó para brincar com os meus primos que viviam uns em casa dela, outros nos arredores e de lembrar também o que se vivia neste dia.
Nas vésperas eu ia com a minha avó ao pomar, untar os figos da enorme e centenária figueira e lá ficavam eles a apanhar sol, esperando o dia de serem apreciados.
A minha tia Juvolina que vivia com a sua família em casa da minha avó, comprava na loja do Ratinho pudins boca-doce de variadas cores e sabores e, porque à altura não havia formas de alumínio, usava uma lata grande de conserva de frutas, frutas encanadas, como então se dizia, trazidas pelos americanos e lá punha os pudins às camadas, metendo a lata num cesto de vimes que pendurava pela asa com uma corda na cisterna, para se manter fresquinho, era o frigorífico daquele tempo!
No dia da procissão, o meio da casa tinha as cómodas enfeitadas com jarras antigas cheias de flores rústicas, que a minha tia apanhava à volta de casa, e uma grande mesa coberta com uma alva toalha de linho, de dois panos, como a minha mãe dizia, porque tinha uma costura ao meio, devido ao tear não fazer panos tão largos que cobrissem a mesa.
Vinha a família dos arredores, juncal, Canada dos Pastos, Fontinhas e sentáva-mo-nos todos a saborear a sopa de carne e o cozido feitos pela minha avó que era especialista, era mestra de funções. Depois era altura de se porem na mesa grandes pratadas de figos reluzentes que desapareciam como que por magia.
Mas o que eu esperava com impaciência, era pelo pudim boca-doce! Ainda me lembro da sensação de estar a olhar para ele enquanto a minha tia o punha ma mesa, firme, brilhante, colorido, apetitoso... e do êxtase que sentia enquanto a minha tia o repartia por pequenos pratos antigos da minha avó.
Esta história pode parecer ridícula, mas não nos podemos esquecer que naquela época, não se usavam as natas, as gelatinas, o leite condensado e quejandos e que não se faziam muitas sobremesas, só em dias muito especiais!
Infelizmente já nada disto existe, mas o meu coração permanece lá.
Sinto-me contente, por poder partilhar contigo esta história, esta vivência , este fragmento do meu passado, assim como a fotografia da minha avó com alguns dos seus netos, lembrando com muita saudade um que já partiu o José António, o menino lindo que na foto está à esquerda, de gravatinha escura.

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Chapéus há muitos...


A propósito do meu trabalho anterior, em que falo do chapéu de Ana Zamperini, lembrei-me de uma frase, imortalizada pelo actor Vasco Santana no filme "A Canção de Lisboa", uma película a preto e branco com a duração de 1h e 58m. Este filme foi filmado em 1933 tendo sido a 1ª produção sonora integralmente realizada com meios técnicos portugueses.
Numa cena filmada no jardim Zoológico de Lisboa, Vasco Santana proferiu a célebre frase: "Chapéus há muitos, seu palerma!".
Pois é verdade, chapéus há muitos, de vários modelos, de diferentes materiais e para várias finalidades, para proteger do frio ou do calor, para decoração ou para embelezar  e complementar uma toalete, podem ser usados de várias maneiras com mais ou menos galantaria, enterrados na cabeça, para a frente, para trás ou sobre a orelha direita à semelhança do que fazia Ana Zamperini, contudo o que se vem verificando é que desgraçadamente cabeças há poucas, como diz o ditado, especialmente em pessoas que ocupam cargos de responsabilidade que mexem com o futuro de muita gente, e a minha já foi melhor do que agora, para mal dos meus pecados...





quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Meu lar, meu cantinho:


Cantinho da minha casa,
Silêncio doce e profundo
Bendita a porta da rua,
Que me separa do mundo!

Numa feira de antiguidades,  ao apreciar uma bancada de feirante, os meus olhos bateram num pequeno prato de louça de Alcobaça que mostrava a quadra que acima transcrevo e que me ficou a martelar na cabeça, de tal modo que tive que voltar atrás e discutir o preço com o feirante, para o comprar. É que a quadra teve o condão de me pôr a pensar e de avivar as saudades que eu, estando ausente, já tinha de casa...
Na verdade não há nada como o aconchego da nossa casa, do nosso cantinho, onde estão aqueles de quem gostamos , as nossas coisas e as nossas recordações e onde após fecharmos a porta da rua nos sentimos em segurança, longe do bulício e dos perigos do exterior, especialmente num dia como o de hoje, com chuva torrencial em que não se pode pôr o pé na rua...
Num dia destes é que percebemos a sério o valor da palavra "lar" a palavra que exprime o lugar onde amarramos uma das extremidades do fio da nossa vida, pois mesmo que o abandonemos, estaremos sempre a ele ligados, pelo coração, pelas recordações e especialmente pelas saudades.