domingo, 9 de agosto de 2015

As mãos do amor


Olho as minhas mãos e vejo-as:
Grosseiras, ásperas, cansadas,
Olho as minhas unhas e vejo-as:
Baças, rombas, maltratadas...
Tento escondê-las e penso:
-Onde estão aquelas mãos
Finas, esguias e lindas
E aquelas brilhantes unhas
Rosadas e bem-tratadas?
-Aquelas mãos de menina,
Meu orgulho, meu tesouro,
Aquelas unhas de ouro...
Tudo isso já se foi,
Tudo isso é passado.
Aquelas mãos de então,
já muito, muito, amaram,
já muita massa amassaram,
já muita sopa prepararam,
Já muita mesa puseram,
já muita roupa lavaram,
já muitas tartes fizeram,
já muito bolo bateram,
já muito chão varreram,
já muita cera puxaram,
já muita erva arrancaram,
já muitos pontos deram,
Já muita mão encaminharam
E a escrever puseram,
Já muita palma bateram,
já muito, muito escreveram...
Aquelas mãos do passado 
Meu orgulho, meu tesouro, 
já muito, muito, amaram,
Já muito muito acarinharam,
já o meu pai lavaram,
já os seus olhos fecharam,
E continuam abertas 
Embora ásperas e cansadas
Para muito, muito amar
Para alegremente ajudar...
Porque amar vai muito além
De beijar docemente alguém,
Amar é agente esquecer
Que as mãos vão envelhecer
Amar é dar e amparar,
Ajudar,estar presente e  prever
Que o outro vai precisar
Das nossas mãos 
Ásperas e cansadas,
Das nossas mãos 
Grosseiras e calejadas!
 Clara Faria da Rosa
9/08/2015

sábado, 8 de agosto de 2015

A Doroteia e a Marília

Às minhas amigas lajenses:
A Doroteia e a Marília
Foram às festas da Praia, 
Ficaram muito bem sentadas,
Ai, muito bem refasteladas...

Duas manas muito amigas

E muito boas raparigas
Que honram o nome lajense,
Ai, enfeitaram a festa praiense...

Eu penso  muito seriamente,

Que se falhasse a iluminação,
As duas logo brilhariam,   

E alegrariam toda a gente                                           

Assim como a digna comissão,  
Que muita luz logo teriam!                            

Clara Faria da Rosa 
8/8/2015

Festas da Praia da Vitória 2015

Embora, o vereador da cultura da Câmara  da Praia da Vitória, tenha dito ao Diário Insular que a contribuição do município para a realização das festas do presente ano de 2015 na Praia da Vitória, na ilha Terceira foi reduzida em cinco por cento, em relação ao montante atribuído em anos anteriores isto é, contaram com 237 mil euros do Município praiense,  sendo o restante assegurado por receitas próprias e patrocínios, tendo portanto aquele projecto sido  muito condicionado e limitado pelo orçamento disponível, o mesmo resultou de tal forma que me encantou sobremaneira como exemplo de criatividade, sensibilidade, luz cor e algum rigor histórico, com muita fantasia à mistura .

 Quase que me atreveria a dizer que ainda bem que o orçamento foi apertado, pois uma vez mais ficou provado que " a necessidade aguça o engenho" e que quando se tem habilidade, criatividade e vontade as coisas resultam mesmo com pouco dinheiro e sem subsídios...

Afinal, o objectivo deste cortejo , é dar início às festas, de maneira que as pessoas se integrem e interajam com quem programou e planificou dez dias de festa, dando o melhor de si, para publicitar a sua cidade e divertir os habitantes da mesma, do concelho, da ilha e também os muitos forasteiros que a visitam assim como os seus imigrantes.
Não é necessário que realizem projectos megalómanos para se entrar na alma das pessoas, nem grandezas, aliás a Praia da Vitória não necessita disso pois já o é ( grande ) na sua história e nas suas gentes, tal como o canta a marcha de 2015:

-Toquem notas de alegria
-Que chegou o dia,
-A festa já se sente
-Partitura de mil cores,
-Traz  à Praia seus amores
-Seu tesouro, suas gentes!












sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Festas da Praia da Vitória 2015

Ai nas nossas festas da Praia.
Houve, música, dança e fantasia,
Veludos, sedas e cambraia,
Descontracção cor e alegria.
Ai na Praia de Nemésio,
Muitos balões subiram no ar,
Para a tristeza foram remédio,
E trouxeram grande bem-estar,
Ai as Torres da nossa praia,
Do Hospital, Câmara e Matriz
Avistam a cidade  até à areia, 
E vêem o povo muito feliz ...

Clara Faria da Rosa
Festas da Praia da Vitória 2015

Nem quero acreditar!!!


A noite passada, fomos à Praia da Vitória, assistir ao desfilar das marchas.
Vim para casa feliz e orgulhosa por pertencer a uma comunidade que consegue tais feitos.
Era uma mar de gente, tudo feliz e bem-disposto, pois a festa são dois dias e este já vai na conta, não há lugar para tristezas nem desânimos, tudo muito ordeiro, marchas e marchantes lindos, muito colorido, música animada, roupas muito bem confeccionadas e adequadas ao tema das marchas enfim pensava eu:
-Só num local muito civilizado, em que a cultura tem predominância , em que se sabe viver e conviver é que se pode experienciar uma noite como esta!
Depois das marchas passarem fomos a uma tasca, e lá foi uma bifana à maneira e uma deliciosa sangria branca, com sabor a um licor, que só mais tarde deduzi ser amêndoa amarga, de novo muita gente num convívio sereno e bem-disposto que nos dispôs bem de tal maneira que, depois de estarmos um tempão a falar com amigos, só voltamos para casa depois das quatro da manhã.
Ao levantar,que como se compreende não pode ter sido muito cedo, pego no jornal diário e leio um artigo que refere a opinião de Paulo Santos candidato da CDU às eleições legislativas pelo circulo eleitoral dos Açores que diz que "os Açores são uma das regiões mais pobres da Europa...e que a realidade vivida nos Açores mostra que a posição austeritária não resultou ."Aqui penso que este termo austeritária" tem a ver com a austeridade que se tem vivido nestes últimos tempos.
Fiquei de rastos... E eu fascinada com tanta luz, cor e alegria, fui induzida a pensar precisamente o contrário!
Na verdade - concluí eu - se somos a região mais pobre da Europa, ontem camuflou-se a situação muito bem camuflada...


















Ao ritmo da música:


Muitas e lindas fotos e impressões se têm aqui divulgado sobre o cortejo de abertura das festas da Praia da Vitória, na ilha Terceira, Açores, pelo que pensei não publicar nenhuma das minhas pouco profissionais fotos. Contudo, pus-me a pensar que uma das coisas agradáveis da vida são os elogios de que dificilmente nos fartamos, os quais infelizmente são biodegradáveis , isto é, dissolvem-se no tempo com muita facilidade e é por isso, que embora todos os anos elogie este tradicional cortejo, pela sua originalidade, requinte, pormenor, policromia, postura dos seus participantes, guarda-roupa muito bem confeccionado, penteados e muito mais, isso já se diluiu no tempo e penso ser da mais elementar justiça voltar a elogiar o cortejo deste ano que nos trouxe música com a sua magia: música de orquestra, jazz, rock, música latino-americana e o nosso fado património imaterial da humanidade, realçando os instrumentos musicais apropriados a cada tipo, e os seus executantes, tudo prata da casa, mas que não desprimoram em relação aos de fora, e dança que com coreografias adequadas a cada tipo, também esteve presente.
É por tudo isto que a cidade da Praia da Vitória, ilha Terceira, Açores, deve estar pronta a receber de novo elogios, mais do que merecidos, os quais ao longo do ano se vão esvair no tempo, mas estou certa, de que no próximo ano a Praia da Vitória cá estará de novo para ser merecidamente elogiada, pois as gentes do "Ramo Grande" não costumam deixar os seus créditos por mãos alheias!