terça-feira, 7 de julho de 2015

Coroação das Sanjoaninas 2015


Foi coisa linda de se ver
Foi coisa para comover ,
A ilha disse presente
E o povo esteve contente.
Nuvem branca vestiu a criança
A freguesia trouxe a "briança",
As bandeiras de brocado carmim
Abanavam num saudar sem fim,
Com laboriosos bordados
De fios ricos e dourados,
E as coroas de prata reluzente
Abençoavam o crente e o descrente
Porque:
A ilha esteve presente
E o povo ficou contente!
Clara Faria da Rosa














domingo, 5 de julho de 2015

O que é a poesia:

A poesia lê o mundo
O homem e a alma a fundo,
A poesia vê  a dor
A fome, a tristeza e o amor,
A poesia  a paz canta
E a  bondade que encanta,
A poesia chora a guerra
Derramada sobre a terra,
A poesia é sentimento
Que expressa o sofrimento
Com arte, sentido, emoção,
Com alma ,  corpo e coração.
Poesia...
É  vida é saúde, é morte
É  falar da alegria e da sorte
Da inveja  e da maldade
Da amizade, do amor  e da saudade!

Clara Faria da Rosa

Desabafo de uma dona de casa que não consegue atingir a perfeição:

Sábado, 16.30h, tudo pronto, casa limpa, cozinha arrumada, chão brilhante, tarefa de fim de semana cumprida, só me apetece sentar e ficar a admirar a minha obra, só que este paraíso não dura muito. Repentinamente, chega o filho do ginásio de nariz levantado como que a "farejar" algo diferente:
-O que é que se come? O que há aí para comer? e lá vai direito ao frasco dos biscoitos...
-Usa um pratinho ou um tabuleiro- aconselho.
-Que não,  que não é necessário - responde - são só uns míseros biscoitos e lá vai comendo enquanto eu vejo miolos no chão, que mais ninguém parece ver. Logo, logo, chega o pai todo apressado, à procura de umas chaves deixadas nos bolsos das outras calças, com os sapatos de andar na terra, todos sujos...
 - Que não, que estão limpos... ao que parece só eu vejo que a coisa não está a correr bem e lá me lamento:
- Estava tudo limpo, não aguenta nada em condições nesta casa, se vem alguém cá o que vão dizer?
- Que a casa é nossa, que não está para venda, que não é museu à espera de visitantes, que um lar é mesmo assim -diz o meu marido - e lá me calo...
Bem, já que a coisa está a dar para o torto em matéria de perfeição, resolvo aproveitar pão duro e fazer um pudim de atum e adiantar o almoço do domingo. De repente a minha cozinha fresca e reluzente virou  uma bagunçada: Batatas, cebolas e alhos para descascar, bacalhau ao lume e derrama um pouco de água sobre o fogão antes imaculado, forma para o pudim, tigelas sujas, eu de avental, mal posto e toda afogueada, eu sei lá!
- É  difícil, como o diabo, penso eu, combinar elegância com vida familiar! Contudo, as mulheres que aparecem nas revistas conseguem fazê-lo, será defeito meu?
Gosto de ver revistas das ditas cor-de- rosa, porque me fazem sonhar, fugir da realidade, quando estou desapontada comigo, vejo aquelas casas maravilhosas com cozinhas sempre limpas e reluzentes com mesas requintadamente postas com cristais franceses e porcelanas finas  mas eu, pobre de mim, não consigo atingir esse nível de perfeição o que no fundo, bem lá no fundo, não me desgosta grandemente, o que me interessa é gozar a vida e ver os que estão comigo felizes e se isso só é possível com uma certa confusão, de vez em quando, pois que seja, pois tenho a ilusão de pensar que um dia qualquer os decoradores vão inventar o estilo decorativo "vida real" e então nessa altura, a minha cozinha vai aparecer numa revista cor-de-rosa, num sábado à tarde, quando eu estiver a adiantar o almoço do Domingo e os meus homens entrarem pela porta dentro a desestabilizar a situação e eu serei uma mulher feliz porque os tenho a entrar e a desestabilizar !

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Vou Ali  à casinha:
Esta expressão, talvez desconhecida da maior parte das pessoas, que porventura me venham a ler, tem a ver com uma ida à mata, ou à privada, ou à retrete, casota oculta e retirada da casa, onde as pessoas em tempos idos, satisfaziam as suas necessidades fisiológicas.
Sempre pensei que o termo retrete vinha do francês, mas só hoje confirmei que na verdade vem da palavra francesa " Retraite" que significa retirada .
Quanto aos inventores das retrete, Rosa Ruela, jornalista da revista Visão diz que " Tanto os escoceses como os gregos dizem que foram eles. A verdade é que, numas ilhas que hoje pertencem à Escócia, existem vestígios de umas cabanas de pedra que os historiadores acreditam terem sido casas de banho no Neolítico".
E que "Na Idade Média, nalguns castelos, havia uns pequenos buracos na base das muralhas, por onde escorria a imundice. Agora, parece-nos nojento, mas devia dar jeito para afastar os cavaleiros inimigos! Até que alguém se lembrou de construir uma caixa com tampa, a lembrar as retretes dos nossos dias. Como era preciso usar um balde de água, ganhava mau cheiro facilmente. E, em 1596, há mais de 400 anos, apareceu o autoclismo."
A verdade verdadinha é que as casas de banho e as sanitas nem sempre foram o que são hoje e a comprová-lo aqui vão as fotos de uma "casinha" muito antiga e decadente, escondida pela vegetação, que havia no fundo do quintal do quinteiro, figura que actualmente não existe, porque os tempos não estão para graças, do prédio onde vivo. Levamos uns tempos a recuperá-la porque na verdade não era obra prioritária , mas fizemo-lo porque achamos engraçado e  um contributo histórico para a posteridade. Agora só falta a tampa e a porta, o que ainda ainda vai levar o seu tempo.
Entretanto se alguém te perguntar pela pia, privada, latrina, cumua ou trono, não te admires porque só quer saber onde fica a retrete. Sim, porque ainda há muitos povos que vivem sem casa de banho, sem sanitas de porcelana, sem autoclismos e sem papel higiénico e não te rias, por favor, é por isso que o dia 19 de Novembro é o dia Mundial da retrete, instituído pelas Nações Unidas, como uma chamada de atenção para a falta de esgotos e de higiene sanitária  ainda existente  em muitos países.










terça-feira, 30 de junho de 2015

A colcha da minha amiga Graça Silveira


No dia em que São Pedro Piscou o olho à minha amiga:

Ao passar da  procissão,

Por ser especial ocasião,
A Graça que é minha amiga,
E muito boa rapariga,
Para  São Pedro saudar,
Para o Santo aclamar,
A sua janela escancarou,
E sua colcha pendurou,
Feita por mãos primorosas,
E de cores muito mimosas,
De retalhos miudinhos,
Muito bem alinhadinhos,
A colcha suavemente abanava,
E a todos muito alegrava,
E o santo o pescoço rodou,
E o olho direito à Graça piscou,
E rindo discretamente,
disse muito concretamente:
-Benditas as horas, dias e anos,
Benditas as mãos e os olhos,
Que são usados e gastos, 
Para fazer tais tesouros... 
-Mulheres bem aventuradas!
-Mulheres tão recatadas!
-Mulheres tão delicadas!
-Mulheres tão criadoras!
Eu vos enalteço
Por este serviço,
Eu vos  agradeço
Por me terem apreço...
Amem!!! 

Clara Faria da Rosa
30 de Junho de 2015

Procissão de São Pedro de Angra





Ontem foi dia de São  Pedro padroeiro da nossa freguesia, a freguesia de São Pedro de Angra do Heroísmo na ilha Terceira, Açores. Por ter morrido a 29 de Junho, assinala-se este dia de um modo especial. Este Santo que foi apóstolo de Cristo e é um dos santos populares com Santo António, São João e São Paulo, teve como nome inicial Simão e foi pescador, depois bispo de Roma e o primeiro papa da igreja cristã,
Na igreja paroquial celebrou-se missa festiva e comunhão solene ao que se seguiu a procissão que decorreu com muita ordem e devoção, este ano, para os lados da Silveira.








segunda-feira, 29 de junho de 2015

O vestido azul

O vestido azul


Soneto azul : 

Quando meu vestido azul usei,
Senti-me bem e pensei:
- Sendo o azul celeste cor,
Porque não reflecte amor?

-Porque é que o azul das  nuvens
Não traz paz aos inquietos homens?
-E porque é que o azul do mar
Não aumenta a sede de amar?

- É porque o azul precisa  ser forte
Anilado, como preciosa safira, 
E fazer do mundo tela colorida, 

Para conduzir o Mundo ao Norte
Sem invejas, maldade ou ira,
Onde o importante seja a Vida!

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Que bela troca...

Os adultos, neste caso as educadoras e pais, dão-lhes todo o amor,  dedicação e tempo de que dispõem, em troca, elas dão-se-lhes inteiramente... Estou a falar de crianças, do seu crescimento, do seu desenvolvimento, da sua evolução, da sua doce inocência, do querer fazer bem e agradar.É como que uma flor a voltar-se para a luz no seu lindo e lento desabrochar!
Foi o que se viu ontem passar no centro de Angra, foi o que eu pensava enquanto assistia ao desfilar de muitas crianças que se esforçavam, que se divertiam, mas sobretudo que nos alegravam os olhos e nos aqueciam o coração com aquela ingenuidade, com aquela pureza, com aquela inocência que nos deixa tanta saudade...
Que bela troca!!!












O dedo de Deus:




Cada vez estou mais certa de que  a criatividade tem muito pouco a ver com a cultura académica e muito menos com o extracto social a que o individuo pertence. Defíno-a (de uma forma simbólica), como uma centelha que passa da vontade de Deus para a pessoa e com a vontade e trabalho desta, toma a sua forma definitiva, quer seja na pintura, música literatura, poesia na política, na informática e na vida de cada um, de modo geral.
Vem isto a propósito da homenagem prestada ontem, na Câmara Municipal de Angra  do Heroísmo, Terceira, Açores, a João Ângelo Vieira pelos seus oitenta anos, completados ontem e pela sua postura ao longo dos mesmos, como homem íntegro e vertical que sempre foi, o que não é pouco, nos tempos que correm, mas sobretudo pela figura de primeira que foi nas cantigas ao desafio, com um estilo muito próprio, com um sentido de humor apurado o seu sarcasmo acutilante mas  sempre atento aos outros, meigo, amigo e simples.
Quem não conhece ou nunca ouviu falar "Das Velhas" nas cantigas ao desafio, que quanto a mim se enquadram na lírica portuguesa como  uma forma de cantigas de escárnio e maldizer de sentido crítico e satírico, das quais ele foi um exímio cantador tendo como parceiros os cantadores Doninha, Plácido, Mota e José Eliseu
João Ângelo Vieira  tem no seu percurso de vida muitas homenagens as quais constam do livro biográfico ontem publicado em sua homenagem e como presente de anos, mas conta sobretudo com a maior homenagem que um ser humano pode granjear ao longo da vida; A admiração, a amizade e o respeito dos que privaram e privam com ele ao longo destes oitenta anos.  
Aqui vai uma quadra de João Ângelo, no seu melhor:

Todos estamos sujeitos
A ter dificuldades na vida
Porque todos temos defeitos
E também qualidades.

Parabéns pelas suas qualidades e que não venha a ter dificuldades nos longos anos que desejo, ainda tenha para viver.                                                                                                                                                                  
                                                                        

quarta-feira, 24 de junho de 2015

O lampião antigo fala das Sanjoaninas(Diálogo):

-Diz-me, amigo lampião:

 -Tu que estás aí especado,
Tu que estás tão ornamentado,
O que tens visto nestes dias?
Conta-me tuas alegrias... 

 -Ai, sou um lampião florido,
Mas estou um pouco dorido,
Todos  a mim  se encostam
Mas nunca de mim se lembram...

 -Mas, antigo lampião
Afinal por que te queixas?
Estás no centro das festas
Não me digas que desgostas!

-Não quero isso dizer
Só tenho a agradecer,
É que  tudo tão iluminado
Até me  me sinto ofuscado...

 -Nunca serás esquecido
 A rua tens enriquecido,
 Abrilhantas nossas marchas
E ficas perto das bandas...

 -Nisso dou-te muita razão
 Está grato meu coração
 Quando a  rainha passou
 Sorriu e para mim olhou...

 -E os desfiles e desporto,
O pezinho e muito povo
E da escadaria da Catedral
Todos te davam aval...

 -Sou um lampião angrense,
Sou um lampião terceirense
Só tenho que estar orgulhoso
Deste povo ordeiro e brioso..

 -Deste povo e desta terra
Desta gente de grande garra,
Que sabem lutar festejando
E fazem a festa lutando!!! 

Clara Faria da Rosa
Sanjoaninas de 2015