segunda-feira, 29 de junho de 2015

O vestido azul

O vestido azul


Soneto azul : 

Quando meu vestido azul usei,
Senti-me bem e pensei:
- Sendo o azul celeste cor,
Porque não reflecte amor?

-Porque é que o azul das  nuvens
Não traz paz aos inquietos homens?
-E porque é que o azul do mar
Não aumenta a sede de amar?

- É porque o azul precisa  ser forte
Anilado, como preciosa safira, 
E fazer do mundo tela colorida, 

Para conduzir o Mundo ao Norte
Sem invejas, maldade ou ira,
Onde o importante seja a Vida!

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Que bela troca...

Os adultos, neste caso as educadoras e pais, dão-lhes todo o amor,  dedicação e tempo de que dispõem, em troca, elas dão-se-lhes inteiramente... Estou a falar de crianças, do seu crescimento, do seu desenvolvimento, da sua evolução, da sua doce inocência, do querer fazer bem e agradar.É como que uma flor a voltar-se para a luz no seu lindo e lento desabrochar!
Foi o que se viu ontem passar no centro de Angra, foi o que eu pensava enquanto assistia ao desfilar de muitas crianças que se esforçavam, que se divertiam, mas sobretudo que nos alegravam os olhos e nos aqueciam o coração com aquela ingenuidade, com aquela pureza, com aquela inocência que nos deixa tanta saudade...
Que bela troca!!!












O dedo de Deus:




Cada vez estou mais certa de que  a criatividade tem muito pouco a ver com a cultura académica e muito menos com o extracto social a que o individuo pertence. Defíno-a (de uma forma simbólica), como uma centelha que passa da vontade de Deus para a pessoa e com a vontade e trabalho desta, toma a sua forma definitiva, quer seja na pintura, música literatura, poesia na política, na informática e na vida de cada um, de modo geral.
Vem isto a propósito da homenagem prestada ontem, na Câmara Municipal de Angra  do Heroísmo, Terceira, Açores, a João Ângelo Vieira pelos seus oitenta anos, completados ontem e pela sua postura ao longo dos mesmos, como homem íntegro e vertical que sempre foi, o que não é pouco, nos tempos que correm, mas sobretudo pela figura de primeira que foi nas cantigas ao desafio, com um estilo muito próprio, com um sentido de humor apurado o seu sarcasmo acutilante mas  sempre atento aos outros, meigo, amigo e simples.
Quem não conhece ou nunca ouviu falar "Das Velhas" nas cantigas ao desafio, que quanto a mim se enquadram na lírica portuguesa como  uma forma de cantigas de escárnio e maldizer de sentido crítico e satírico, das quais ele foi um exímio cantador tendo como parceiros os cantadores Doninha, Plácido, Mota e José Eliseu
João Ângelo Vieira  tem no seu percurso de vida muitas homenagens as quais constam do livro biográfico ontem publicado em sua homenagem e como presente de anos, mas conta sobretudo com a maior homenagem que um ser humano pode granjear ao longo da vida; A admiração, a amizade e o respeito dos que privaram e privam com ele ao longo destes oitenta anos.  
Aqui vai uma quadra de João Ângelo, no seu melhor:

Todos estamos sujeitos
A ter dificuldades na vida
Porque todos temos defeitos
E também qualidades.

Parabéns pelas suas qualidades e que não venha a ter dificuldades nos longos anos que desejo, ainda tenha para viver.                                                                                                                                                                  
                                                                        

quarta-feira, 24 de junho de 2015

O lampião antigo fala das Sanjoaninas(Diálogo):

-Diz-me, amigo lampião:

 -Tu que estás aí especado,
Tu que estás tão ornamentado,
O que tens visto nestes dias?
Conta-me tuas alegrias... 

 -Ai, sou um lampião florido,
Mas estou um pouco dorido,
Todos  a mim  se encostam
Mas nunca de mim se lembram...

 -Mas, antigo lampião
Afinal por que te queixas?
Estás no centro das festas
Não me digas que desgostas!

-Não quero isso dizer
Só tenho a agradecer,
É que  tudo tão iluminado
Até me  me sinto ofuscado...

 -Nunca serás esquecido
 A rua tens enriquecido,
 Abrilhantas nossas marchas
E ficas perto das bandas...

 -Nisso dou-te muita razão
 Está grato meu coração
 Quando a  rainha passou
 Sorriu e para mim olhou...

 -E os desfiles e desporto,
O pezinho e muito povo
E da escadaria da Catedral
Todos te davam aval...

 -Sou um lampião angrense,
Sou um lampião terceirense
Só tenho que estar orgulhoso
Deste povo ordeiro e brioso..

 -Deste povo e desta terra
Desta gente de grande garra,
Que sabem lutar festejando
E fazem a festa lutando!!! 

Clara Faria da Rosa
Sanjoaninas de 2015

Colchas de tear

 colchas nas nossas varandas






As colchas são um primor
Nas ruas da nossa cidade,
Brilham com esplendor
e dão  ar de antiguidade.

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Feitas  em artesanais teares
A rigor e a preceito ,
São certamente resultantes 
De muita  criatividade e jeito.
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Quando as nossas avós
Se sentavam no tear
Pensavam de certeza em nós
e no legado a deixar!
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E deste modo se fizeram
Tecidas, lindas colchas
Que as janelas decoram,
Nas nossas Sanjoaninas.
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Aqui quero enaltecer
Donos de tais janelas,
Que para nos dar prazer
Expõem as suas riquezas!

À procura da luz:

Marchas de São João em Angra do Heroísmo





Hoje é dia de São João. Por ter nascido a 24 de Junho em  todo o país se festeja este santo popular que nos transmitiu a mensagem de que "Devemos mudar os nossos rumos para encontrar a luz". Daí a tradição de se fazerem fogueiras nesta noite, penso eu.
Longe vão os tempos em que eu , na minha freguesia natal, hoje Vila das Lajes, costumava saltar as fogueiras,na noite de São João, nas proximidades da minha casa, na Aldeia Nova, com as minhas amigas dando vivas a este santo. Penso que esse hábito de se fazerem fogueiras tem a ver com a procura da luz que este santo aconselhava e ainda sinto nos meus ouvidos os vivas a São João que ecoavam naquelas noites da minha infância e juventude assim como o calor que emanava das labaredas que se confundia com o prazer das brincadeiras e com a camaradagem meiga, desinteressada e pura que então se vivia. Quem viveu tal experiência certamente perceberá o que aqui tento transmitir embora mal, porque há certas emoções que só o muito talento consegue descrever.
Agora está tudo diferente e fazem-se marchas para aclamar o santo e as pessoas que não marcham  assistem ao respectivo desfile participando com as suas palmas e o seu apreço.
Deste modo, esta noite,  assisti, na rua da Sé, em Angra do Heroísmo,até às 3 horas da manhã, ao desfilar de 27 marchas que festejavam o São João, cada uma diferente da outra no tema, colorido, música e coreografia, mas todas bonitas na sua diversidade e alegria que contagiava quem apreciava o desfile e se esquecia dos seus problemas e dores. Durante várias horas não houve lugar para tristezas nem lamentações, houve isso sim , uma vontade enorme de viver em plenitude a festa porque há que viver as oportunidades  visto que esta vida são dois dias e este já vai na conta, portanto toca de ver as marchas ou, em falta delas. as fotos que mostro as quais não ficaram muito boas porque o lugar onde eu estava não permitiu melhor. É só  apreciar!















terça-feira, 23 de junho de 2015

O talento de um bom vitrinista!






Passeava eu, na baixa de Angra do Heroísmo, quando me deparei com esta montra  na "Venda Açoriana", uma iniciativa da Sociedade para o Desenvolvimento Empresarial dos Açores,e da Câmara do Comércio e Indústria  dos Açores, onde estão representados e à venda inúmeros produtos oriundos de todas as ilhas dos Açores, que  me fez parar e observar com atenção a arte do decorador, sim, porque para se ser vitrinista é preciso ter preparação, sensibilidade e arte!
Na verdade, esta montra estava decorada com muita simplicidade, mas uma simplicidade requintada e  apelativa. Aproveitando a beleza dos nossos bordados,  foi feito um vestido de noiva com uma linda toalha de mesa bordada com recorte, ilhoses e abertos (Richilieu), que serviu para a saia e o corpo  com os guardanapos. A decoração tinha tudo a ver com o tipo de estabelecimento, com o tipo de materiais existentes e com a época  que se atravessa e com a chamada de atenção que se queria implementar junto dos visitantes para o valor do produto em causa, os bordados açorianos...
Isto é que é arte e saber em vitrinismo.
Um aplauso!

segunda-feira, 22 de junho de 2015

São João, santo festeiro:



Esta é a imagem de São João que todos os anos regressa à esquina da rua da Sé com a rua com o nome do Santo, isto em Angra do Heroísmo, Terceira Açores. É o Patrono das festas que estão a decorrer com um vasto programa as quais, por tradição, festejam o   solstício de Verão, que tem lugar a 21 de Junho e é celebrado até ao fim do mês, é o momento em que, segundo os estudiosos, o Sol perde o controlo e atinge o máximo da sua força. Nessa noite a ordem das coisas é alterada e tudo pode acontecer... 

 São João,  segundo São  Lucas, foi o precursor de Cristo, tendo sido a voz que clamava no deserto, anunciando a vinda do Messias. Filho de Zacarias e Isabel, só mais tarde, depois de ter baptizado Jesus é que recebeu o cognome de "O Baptista". No calendário religioso está-lhe reservado o dia 24 de Junho por ter sido o dia do seu nascimento. Tem o titulo de santo festeiro por isso há muita festa no seu dia em especial muita dança, daí as marchas com o seu nome
Em Lisboa compram-se manjericos, cravos, alhos-porros e martelinhos para bater nas cabeças de quem se encontra, naturalmente para os manter bem acordados para a folia. Comem-se sardinhas assadas, saltam-se fogueiras, enchem-se e largam-se balões, fazem-se concursos de janelas alusivas ao S. João,  e marchas populares em vários locais do país querendo destacar aqui o que se passará  em Angra do Heroísmo, ilha Terceira, a minha cidade na noite de 23 par 24 
A noite de S. João, com as tradicionais marchas dos adultos e a noite seguinte com as marchas das crianças serão, em Angra do Heroísmo, duas noites de magia, cor alegria, criatividade, pedagogia, arte e são convívio que dificilmente se pode explicar por palavras, só vendo, vivendo, sentindo, presenciando se pode ficar com a ideia do que se passará que impregnará a alma da multidão presente da alegria atribuída a este santo.
Vem até cá amigo/a, estás convidado!


domingo, 21 de junho de 2015

Baile de roda:

As Sanjoaninas da Terceira
Ai, são um baile de roda,
Em que todos em fileira
Ai, dançam  a mesma moda.
Nas Sanjoaninas da Terceira
Ai, tudo  de mão dada dança, 
E Angra é um palco de primeira
Ai, onde impera a esperança.
As sanjoaninas da Terceira
Ai, são música, canto e alegria, 
E é assim desta maneira
Ai, que se vive a fantasia.
Ai, eu quero ouvir as vozes da Terceira,
Ai, eu quero ouvir os sons da Terceira,
Ai, eu quero viver na Terceira,
Ai, eu quero morrer na Terceira,
Ai, eu Tenho Esperança 
De que a fantasia,
Ai, não acabará na Terceira!
De que a fantasia, 
Ai, viverá nas Sanjoaninas!

Clara Faria da Rosa
21/Junho/1015
( fotos - desfile das Sanjoaninas 2015/A. do Heroísmo, Terceira, Açores)