sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

E as comadres brigaram - em véspera de Natal

Comadre Rosa e comadre Mariquinhas davam-se bem, sem que entre elas houvesse grande cumplicidade, às vezes, outras vezes toleravam-se e de vez em quando punham-se de "candeias às avessas", eram umas pequenas rivalidades que as punham assim, mas nada de maior...
Cada uma tinha uma pequena, eram da mesma idade, igualmente travessas,vivas e muito amigas.
Com a proximidade do Natal comadre Rosa precisou de ir à vila, fazer umas comprinhas, mas a pequena não podia ir, porque já pagava frete na carreira, e a vida não estava para graças. Vai daí, lembrou-se de falar com Mariquinhas
- Podes ficar com a pequena para eu ir à vila?
- Que sim que podia , que ficava com a sua e que se entreteriam uma à outra -Respondeu-lhe Mariquinhas muito prestável.
Lá ficaram as duas muito contentes e como Mariquinhas era costureira e tinha muitas encomendas para aprontar para as festas  que se aproximavam, lá as deixou brincar e deitou-se ao trabalho.
De repente assustou-se com o silêncio, um silêncio aterrador que não pressagiava nada de bom... 
Lá foi pelas gaiatas e -Nossa Senhora de Fátima!- Não lhe deu uma coisinha má porque era forte e tinha que pensar numa maneira airosa de enfrentar a comadre Rosa quando chegasse e viesse pela pequena!
Não é que as duas haviam decidido pôr mãos à obra e praticar o mister de cabeleireira! Onde estavam os caracóis luzidios da afilhada, que eram o orgulho da comadre Rosa e tanto trabalho lhe davam? E a sua filha com um corte ultra - moderno que mais parecia uma galinha de pescoço pelado!!!
Chegada a hora da verdade foi um ai Jesus o que é isto? Uma - que não tinham tomado conta da filha, que até podiam estar as duas mortas, que não tinha cumprido o prometido! A  outra- que tinha sido um azar, que as canalha cega, que tendo muito trabalho se tinha descuidado! Enfim ficaram as duas de candeias às avessas.
Mas, como se sabe, nada é eterno, chegado o dia de Natal lá foram à mijinha do Menino a casa uma da outra, o cabelo cresceu e tudo foi esquecido.
Quem não se esqueceu desse episódio, fui eu que tive de ir ao barbeiro, tal tinha sido o corte! Ainda hoje estou para saber porque fui professora em vez de cabeleireira!? 

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Arranjo de Natal






Arranjo em manhã  de Natal

Numa arca de madeira 
Fiz para o  Natal um arranjo,
Com brilhos bem à maneira,
Foi pena não ter um anjo.

Os brilhos anunciavam 
Que estava perto o Salvador,
E as lindas pérolas lembravam
Os presentes para o Senhor...

Havia  sinos e estrelas,
Magia, alegria e cor,
Pinhas, azevinho e bolas, 
Saúde, festa e amor.

Mas pela manhã ao acordar
Surpreendeu-me o meu arranjo,
pareceu-me mais brilhar 
E vislumbrei um lindo anjo...

Parece que anunciava
Que se cumprira as profecias,  
E dele alegria e cor brotava
Porque nascera o Messias.

Não há arca, nem há cor
Nem verdes, pinhas ou  brilhos
Que venerem o Senhor...
Nem  sequer pérolas ou sinos!

Só muito amor e humildade
Perante mistério tão grande 
Esta surpreendente natividade
Que no Natal celebramos!


Natal de 2014
Clara faria da Rosa 

domingo, 21 de dezembro de 2014

Portugal à Gargalhada:

 Estando há um mês, por esta altura, em Lisboa, aproveitei para ir ao teatro ver um espectáculo do grande produtor e encenador Filipe La Féria que já nos habituou a trabalhos fantásticos e muitas vezes mágicos.
   Aqui vou eu, a caminho do Politeama, ver a revista  Portugal À Gargalhada. Com um elenco constituído por nomes como Marina Mota, Joaquim .Monchique José  Raposo entre outros foi um serão a não esquecer em que se entrosava uma crítica feliz  mordaz e atenta à actualidade nacional com lindas vozes, brilhos, movimento e figurinos de muito bom gosto e bem adequados aos temas.
 Embora tenha ficado no 1º balcão, para ser mais barato e voltar a ir, se tiver nova possibilidade, adorei!  Vale sempre a pena assistir a trabalhos bem feitos...
Cá vou eu com o meu rico bilhetinho, bem estimado, a caminho do dito teatro e no seu interior que é um espaço lindíssimo, bem ao meu gosto!







O meu coração dói!


Ai  dói tanto meu coração
De aflitiva preocupação,
É que vejo o meu Anjinho
Mutilado,  triste, doentinho...

Ao meu adorado Menino
Caiu-lhe o seu dedinho,
Fui ver, era o indicador...
Mas que mágoa, mas que dor! 

Afinal que doença é esta,
Que tal mal causou ao Menino?
Fui ver, era uma inflamação,
Ai que se me parte o coração!

Uma inflamação, artrite chamada 
Ai estou tão preocupada...
Como foi tal mal acontecer?
Triste coisa de se ver ! 

Então ao hospital o levei
E ao médico  lá o mostrei..
-É grave-disse o homem sério,
-Mas não é nenhum mistério!

- É que Ele tem apontado,
E aos homens indicado,
O caminho certo a atingir,
A estrela verdadeira a seguir  ...

- E como os homens são surdos,
E muitas vezes também cegos...
Fazem que não é com eles,
E continuam maus e reles!

- E o Menino continua a confiar,
E a apontar, a apontar, a apontar...
Até que lhe caia  mais um dedo, 
Até que o homem tenha medo!

- Medo de si, dos seus actos,
E mude suas  atitudes e factos... 
Medo da sua grande  maldade, 
E inunde o Mundo de bondade!


Natal de 2014
Clara Faria da Rosa


quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Jantar de Natal

Mais um ano se passou, mais uma vez acompanhei o meu marido ao tradicional convívio de Natal da E.D.A., que este ano se realizou no Terceira Mar Hotel.
Adorei encontrar e reencontrar velhos amigos e conhecidos, o jantar foi  maravilhoso, a sala estava muito bem decorada assim como as mesas, houve distribuição de presentes, bingo, karaoke e no fim todos saíram de lá contentes e felizes.
Quero realçar e sublinhar a ideia de quem decorou a linda árvore de Natal que embeleza o átrio do hotel toda decorada com motivos feitos a partir de material reciclado como podem ver no pequeno vídeo que aqui anexo, uma beleza!
E por fim, quero desejar a todo estes amigos com quem passamos tão agradável serão, que este Natal e no Ano Novo possam tocar as estrelas sem terem necessidade de se porem em bicos de pés, se assim for tenho a certeza de que se sentirão alegres, felizes e realizados















































segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

A linguagem dos pês

Ao ouvir falar, a  cantora e compositora portuguesa Luísa Sobral, sobre o seu novo single, que conta  episódios da respectiva infância e cujo titulo Lu-Pu-Í-Pi-Sa-Pa  remonta a uma linguagem usada na sua infância, deu-me uma saudade dos meus tempos passados e dei por mim a pensar que a vida não é só datada pelos anos mas também por vivências e acontecimentos que nos marcam mais do que o próprio calendário!
E que vivências tenho eu das brincadeiras e conversas com as minhas primas e amigas usando uma linguagem original para que os adultos não soubessem o que estávamos a dizer ou a tramar...
-Era a Língua dos pês:
Uma cifra fonética geralmente usada por crianças e jovens que consiste em em acrescentar a consoante p à  silaba precedente seguida da vogal anterior.
Para ver se ainda me recordo, e se tens lembrança dessa brincadeira  e actividade, tão interessante e simultâneamente pedagógica, pois desenvolvia a oralidade, a escrita e o raciocínio, resolvi enviar-te uma mensagem de Natal nesta linguagem:

--Bompom Napatalpal apa topodospos epe umpum Bompom apanopo Nopovopo compom muipuitapa sapaúpudepe epe muipuitapa apalepegripiapa. Compom muipuitapa apamipizapadepe tepe enpenvipiopo espestapa menpensapagempem epe compom depesepejopo depe quepe tepe enpenconpontrespes bempem àpa espesrapa dopo Napatalpal.Umpum beipeijipinhopo dapa apamipigapa Claparapa Faparipiapa dapa Roposapa!

Popodespes respesponponderper napa línpingupuapa dospos pêspes?
  

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Workshops e companhia

Na minha recente permanência em Lisboa tive conhecimento de que na junta de freguesia de Mina na Amadora, se iria realizar um workshop cujo tema era dobragens, isto é  origami, que é uma arte japonesa de dobrar papel, a partir de um quadrado, em dobras geométricas, criando determinadas representações.
Como entendo que o que distingue as pessoas é a originalidade e a abertura a novas fronteiras, novos horizontes, novas aprendizagens, fiquei logo em "pulgas" para frequentar o dito workshop.
Na verdade, fui também muito influenciada pelo termo workshop, que está muito em voga, como se o nosso velhinho  português não tivesse uma palavra que se adapte ao acto de algumas pessoas se juntarem para falarem, debaterem , aprofundarem, um determinado conhecimento, acabando com casos práticos e com participação bastante activa do público participante. 
Porque não- pensava eu- Formação, reunião, curso, encontro, palestra, mesa redonda, simpósio, congresso, experiência, sei lá, o português é tão rico e maleável!?...

Que não- dizia-me alguém- que no workshop há uma participação muito activa do público!

E como estava curiosa com o tema, e como sou entusiasta de experiências novas, atípicas e que surgem quando menos se espera lá me matriculei.

Foi engraçado, conheci pessoas, e aprendi a fazer uma grinalda de Natal. Vim para casa e pus mãos à obra, praticando o meu novo saber, assim tenho mimos de Natal para muita gente. Ora aprecia!