quinta-feira, 21 de agosto de 2014

A economia nacional e a ponta de um lápis...

A ponta de um lápis e a economia nacional...
Todos os que conhecem o meu marido sabem que ele é muito minucioso, selectivo nos gastos e costuma tomar nota de tudo especialmente de despesas e lucros relativos à nossa vida mas sobretudo no que toca a dinheiros de assuntos em que ele está envolvido. Não vou agora aqui discutir se isso é bom ou não mas o que é certo é que tem dado resultado ao longo destes anos! Para estar prevenido e apontar, para mais tarde, em casa, fazer as suas contas, usa sempre uma ponta de lápis e um pequeno caderno ou uma simples folha de papel, no bolso, chegando ao ponto de cortar um lápis em vários pedaços, para ser mais fácil usar no bolso, diz ele.
Este ano, como em anos anteriores, esteve envolvido nas festas da localidade em que vivemos, as Bicas de Cabo Verde, na ilha Terceira, Açores, com uma comissão de gente nova, Henrique Jorge Martins Brum, Luís Gabriel Gonçalves de Melo., João Homem Correia Meneses Simões e Paulino Roberto Sousa Vieira.
Gente nova, divertida, empenhada e respeitadora que apesar da diferença de idades sempre o ouviram e respeitaram, enquanto se riam, achando graça ao lápis minúsculo...
Aconteceu que um dia o meu marido perdeu o precioso lápis, procurou-o, perguntou por ele mas nada, ninguém o tinha visto! Lá teve ele que partir um novo lápis aos bocados e continuou com os seus apontamentos.
As festas acabaram, correndo tudo bem, fizeram-se e apresentaram-se as contas com lucro, ficando decidido que iriam empregar o mesmo na compra de loiças, bancos e mesas para que o império fique preparado para as suas funções.O trabalho despendido por todos com a ajuda da ponta do lápis tinha dado resultado!
Para consolidar as amizades feitas ao longo do ano juntaram-se, num jantar convívio, com as suas esposas que também se empenharam e ajudaram para que tudo resultasse. Eis senão quando, aparece no restaurante, o pequeno lápis, emoldurado, destacado, como que testemunhando que os jovens enquanto brincavam e riam valorizavam aquele pormenor sabendo que a melhor forma de fazer a economia resultar é o rigor, a minúcia e o critério assertivo nas despesas!
Seguindo este critério eu diria que o melhor remédio para a economia nacional é a economia, o rigor, a minúcia e a ponta de um lápis!
Ora Tomem!!!




terça-feira, 19 de agosto de 2014

Se Maluda tivesse vindo à Terceira

Se  Maluda tivesse vindo à Agualva na Ilha Terceira ...
Fui à abertura das festas da Agualva e dei por mim a  Pensar na Maluda, pintora muito premiada e admirada, nascida em 1934 em Goa na Índia quando ainda era   possessão portuguesa Tendo vivido a Partir de 1948 em  Maputo onde começou a pintar.
Viajou depois para Portugal onde começando a interessar-se pelo retrato e pela paisagem urbana. A Partir de 78 dedicou-se à temática das janelas procurando utilizá-las como metáfora da composição público privada, acabando por falecer em 1999 com 64 Anos.
Esta pequena biografia fui Pesquisá-la à Wikipédia porque não conhecia estes pormenores da vida da grande pintora, o que conheço muito bem são as reproduções dos seus trabalhos sobre as janelas que adoro e foi por isso que dei por mim a pensar na artista e a dizer  com com os meus botões:
Se Maluda tivesse  estado cá, téria de certeza, pintado esta Janela Agualvense !!!

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Ser Sessentona:

Ser Sessentona:
Reflectindo no dia do meu 66º aniversário

Cá estou eu a reflectir  acerca de uma idade que considero fascinante, em que se pode ter  uma vida  intensa e variada e que deve ser vivida com orgulho.
Ser sessentona não é vergonha, antes pelo contrário é uma vitória porque já se ultrapassaram muitas barreiras com sucesso.
 Esta idade tem-me intrigado bastante porque sempre pensei que sendo sessentona iria ter uma vida sossegada e  tranquila. Nada disso, continuo activa a assoberbada com afazeres e interessada pelo que me rodeia e concluí, que não devo preocupar-me com a velhice, porque envelhecer é uma coisa natural e só acontece às pessoas com sorte e se por acaso caio na tentação de me preocupar com isso, começo a fazer planos para o futuro ou inicio um novo trabalho porque considero que a fé no futuro nos ajuda a viver mais anos para desfrutar das pessoas e tudo o mais que está à nossa volta.
O segredo é não pensar na idade ou considerá-la como um desafio, planear e fazer coisas interessantes  e viver a vida com naturalidade! É isto que tenho feito, tento fazer e espero fazer por muitos anos, pois não são os objectivos que nos propomos que interessam o que importa é, segundo creio, a nossa intenção de realizá-los.
No dia em que se celebra "o Dia da Juventude" reflecti sobre isso e concluí , que no meu caso, o entusiasmo da juventude, deu lugar  ao  encanto bem saboreado da idade madura, começo a sentir que diante de mim o tempo já não é infinito por isso aprecio e saboreio de um modo diferente cada dia, cada momento... e tenho sempre presente que na vida o mais importante, não é a idade, mas a própria vida!!!

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Objectos inanimados





















                                            
Objectos inanimados:
Temos as nossas casas cheias de objectos inanimados:
- Alguns funcionam e cumprem a sua função,
-Outros não funcionam e estão à espera de reparação, 
-Há os  que se quebram e ficam no "limbo" porque ainda estamos um pouco apegados aquela peça e temos pena de a deitar fora,
- Há os que se perdem e estamos largo tempo sem sabermos onde estão,é por isso que, de vez em quando, faço  uma arrumação geral em 
armários e gavetas e encontro aquele objecto que julgava perdido.
- Há os que trazem vantagens à nossa vida diária,
-Os que  não nos trazem vantagens de espécie alguma.
Pode dizer-se que um objecto que costuma cumprir em pleno com as suas funções trazendo vantagens de peso  à  Nossa vida diária é  uma  terrina, e há-as das mais variadas fábricas, louças,  tamanhos e feitios, desenhos e cores ...
Quem não gosta de se sentar à mesa, especialmente num dia invernoso, olhar parra uma terrina fumegante que deixa antever quente e saborosa sopa, levantar a tampa e apreciar o fumo e aroma que  dela evoluem? 
Contudo, Como sabemos, uma terrina sem tampa não cumpre a sua  função,não funciona, não  traz vantagens à  vida das pessoas, assim como uma tampa sem terrina  não traz qualquer benefício, para o comum dos mortais é lixo e não se fala mais nisso ...!
 Mas, e há sempre um mas nas Minhas histórias, não sou mulher de ficar parada perante qualquer problema ou desaire, não  baixo os braços perante uma adversidade, para mim, é sempre uma satisfação tirar partido de uma desvantagem. Foi por isso  que a partir de uma tampa de terrina de loiça de Coimbra, que havia esquecida no  fundo de um armário, comecei a pequena colecção que te mostro.
Espero que gostes e se, por acaso,  tiveres alguma,  dá-lhe utilidade ou então, fala comigo.
Esta conversa toda  não foi bem par te mostrar as  ditas tampas, foi mais para nos lembrarmos que saber tirar partido das vantagens é Fácil, Mas das desvantagens com que nos deparamos  em qualquer circunstância, exige inteligência, vontade, Dedicação e constitui a diferença entre uma pessoa de bom senso e a outra menos atenta, mais fraca ou frágil.            

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Da Minha Varanda


Da minha varanda vejo o mar
Um mar calmo e indolente,
E vejo o sol a brilhar
Um sol faiscante e quente.
Da minha varanda vejo tectos
Tectos que abrigam lares,
Onde  se vivem afectos
Doenças, faltas e males.
Da minha varanda vejo verdes
Como  moldura elegante, 
Da ermida  da Senhora da Penha 
E  do Monte-Brasil distante.
Da minha varanda vejo o presente 
E o saudoso e querido passado,
E vislumbro o meu futuro
Que espero seja prolongado...
Da minha varanda vejo pássaros 
Que me despertam ternura
E vejo a paz e vejo a guerra
A infelicidade e a amargura 
Que se vive nesta terra!

Clara Faria da Rosa
Tarde de 3 de Julho de 2014


Coroação das Bicas de Cabo Verde / 2 ª parte

Embora temendo ser chata, mas tentando sê-lo de uma maneira original. não resisto à tentação de postar aqui mais um pequeno vídeo da coroação das nossas Bicas, penso que as pessoas vão achar divertido e aproveito para agradecer, pela parte que me toca, a maneira simpática como a família Carreiro recebeu a todos na sua ermida, onde foi rezada a missa após o que se efectuou a coroação.

 O Victor Carreiro à espera da coroação.


terça-feira, 1 de julho de 2014

O vestido azul


Soneto azul : 

Quando meu vestido azul usei,
Senti-me bem e pensei:
- Sendo o azul celeste cor,
Porque não reflecte amor?

-Porque é que o azul das  nuvens
Não traz paz aos inquietos homens?
-E porque é que o azul do mar
Não aumenta a sede de amar?

- É porque o azul precisa  ser forte
Anilado, como preciosa safira, 
E fazer do mundo tela colorida, 

Para conduzir o Mundo ao Norte
Sem invejas, maldade ou ira,
Onde o importante seja a Vida!


Clara Faria da Rosa
1/Julho/2014

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Coroação das Bicas de Cabo Verde (1ª parte)


Penso que a vida melhora de um modo especial  quando sabemos dar o devido valor às coisas simples mas significativas que vivemos.Aprecio, valorizo e respeito muito  as nossas tradições, usos e costumes. é por isso que embora com duas semanas de atraso, registo aqui um dia especial para a pequena comunidade a que pertenço, para que este momento mágico não se transforme em pó e para que ao olharmos para este vídeo, embora amador, compreendamos o legado que nos deixaram os nossos antepassados. 

domingo, 29 de junho de 2014

Semana de rezar o terço no império de Bicas de Cabo Verde - São Pedro de Angra

Foi na semana de 8 a 14 deste mês de Junho que se rezou o terço no império como preparação para a coroação do dia 15. As pessoas apareciam conforme as suas disponibilidades e rezavam com fervor  penso que tentando compreender o sentido da vida e do misticismo que envolve este fervor ao divino Espírito Santo que caracteriza o povo dos Açores.
De realçar e louvar a postura da senhora Fernanda Teixeira que ao longo dos anos se disponibiliza para " oferecer o terço", uma anciã de oitenta e cinco anos que aguentava todo o tempo de joelhos enquanto os mais novos se queixavam disto e daquilo o que me fazia pensar que o truque é fazer anos isto é  passar o tempo sem envelhecer e que o tempo é como que um rio onde nem todos conseguem ou sabem  pescar...
 Após o terço havia sempre um pequeno momento de convívio salutar que servia para as pessoas do lugar se conhecerem melhor e para os mais novos se integrarem na comunidade pois são eles que, como dizia alguém,  estão a criar agora o passado  de amanhã .

domingo, 8 de junho de 2014

Na festa das Bicas de Cabo Verde - São Pedro de Angra

As Bicas são um cantinho
Que avista a "Senhora da Penha"
Fica em Angra escondidinho
Mas seu papel desempenha!

Embora sendo pequenos,
Temos raízes a preservar.
E nunca nos esquecemos
Do Espírito Santo louvar!

São coisas, pessoas e factos,
Passado, futuro e presente,
São os nossos antepassados,
Os vindouros e toda a gente!

É por isso que aqui estamos,
Para te avivar a memória,
Dizendo: - Contigo contamos
Para fazer a nossa história...

Agora, história fazemos
Com nossa participação
E aos mais novos dizemos:
- Respeitem a nossa tradição!

A juventude passada,
A vida que já se foi,
A esperança ultrapassada,
A lembrança que muito dói...

E o que posso aqui dizer
É que ganhemos coragem
E continuemos a viver
O tempo na sua voragem!


Reza a história que tudo começou na década de quarenta do século passado com um império de crianças feito em faias, na Canadinha das Bicas,  e com uma corôa de latão, depois fez-se um império de madeira na estrada corrente e só em 1958 se construiu o actual império de pedra e cal que tem sido preservado e alindado pelas várias comissões.



Festas das Bicas de Cabo Verde - São Pedro A.H. 2014



O Império desta localidade está preparado para começar hoje as suas festividades. O altar decorado pela Senhora Ana Soares que já há vários anos vem colaborando com as comissões de festas, e pela sua irmã Teresa Teixeira imigrante na Califórnia  que está de visita entre nós , espera pela mudança da coroa que irá ocupar o lugar cimeiro, os mastros estão no ar com as bandeiras coloridas  a abanar e a pequena iluminação já dá sinais de festa. Hoje começa a reza do terço pelas 20 horas, durante toda a semana.
E é assim que ano após ano, cada comunidade açoriana, por mais pequena que seja, se prepara para prestar o seu culto ao Divino Espírito Santo.


                                                                                                                     









domingo, 25 de maio de 2014

Função da Santa casa da Misericórdia de A. do Heroísmo

Aqui estou eu, toda produzida, à espera do meu marido para irmos ao almoço da Santa Casa da Misericórdia. gosto imenso deste acontecimento pelo que representa em termos de tradição e de espiritualidade mas também pelo convívio pois neste dia encontramos muitos conhecidos e amigos que já há muito não víamos. 
Foi muito agradável, a comida estava boa, tudo muito bem organizado e decorado não faltando os  confeitos para adoçarem o vinho de cheiro conforme é tradicional.
Um dos momentos altos foi o cortejo com o provedor e mesários  a levarem as coroas seguidos pelas mordomas que tiveram a seu cargo a organização de uma semana de festas que culminou com este lauto e tradicional almoço.
O provedor ao dirigir umas palavras aos presentes não esqueceu os irmãos que ficaram retidos na casa por doença prolongada ou por dificuldade de mobilidade o que me fez pensar que muitos dos presentes incluindo eu, logo logo estaremos lá. Entretanto vamos vivendo e sorrindo pois o sorriso é como que um brilho que ilumina as nossas vidas e as dos outros.