terça-feira, 12 de agosto de 2014

Ser Sessentona:

Ser Sessentona:
Reflectindo no dia do meu 66º aniversário

Cá estou eu a reflectir  acerca de uma idade que considero fascinante, em que se pode ter  uma vida  intensa e variada e que deve ser vivida com orgulho.
Ser sessentona não é vergonha, antes pelo contrário é uma vitória porque já se ultrapassaram muitas barreiras com sucesso.
 Esta idade tem-me intrigado bastante porque sempre pensei que sendo sessentona iria ter uma vida sossegada e  tranquila. Nada disso, continuo activa a assoberbada com afazeres e interessada pelo que me rodeia e concluí, que não devo preocupar-me com a velhice, porque envelhecer é uma coisa natural e só acontece às pessoas com sorte e se por acaso caio na tentação de me preocupar com isso, começo a fazer planos para o futuro ou inicio um novo trabalho porque considero que a fé no futuro nos ajuda a viver mais anos para desfrutar das pessoas e tudo o mais que está à nossa volta.
O segredo é não pensar na idade ou considerá-la como um desafio, planear e fazer coisas interessantes  e viver a vida com naturalidade! É isto que tenho feito, tento fazer e espero fazer por muitos anos, pois não são os objectivos que nos propomos que interessam o que importa é, segundo creio, a nossa intenção de realizá-los.
No dia em que se celebra "o Dia da Juventude" reflecti sobre isso e concluí , que no meu caso, o entusiasmo da juventude, deu lugar  ao  encanto bem saboreado da idade madura, começo a sentir que diante de mim o tempo já não é infinito por isso aprecio e saboreio de um modo diferente cada dia, cada momento... e tenho sempre presente que na vida o mais importante, não é a idade, mas a própria vida!!!

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Objectos inanimados





















                                            
Objectos inanimados:
Temos as nossas casas cheias de objectos inanimados:
- Alguns funcionam e cumprem a sua função,
-Outros não funcionam e estão à espera de reparação, 
-Há os  que se quebram e ficam no "limbo" porque ainda estamos um pouco apegados aquela peça e temos pena de a deitar fora,
- Há os que se perdem e estamos largo tempo sem sabermos onde estão,é por isso que, de vez em quando, faço  uma arrumação geral em 
armários e gavetas e encontro aquele objecto que julgava perdido.
- Há os que trazem vantagens à nossa vida diária,
-Os que  não nos trazem vantagens de espécie alguma.
Pode dizer-se que um objecto que costuma cumprir em pleno com as suas funções trazendo vantagens de peso  à  Nossa vida diária é  uma  terrina, e há-as das mais variadas fábricas, louças,  tamanhos e feitios, desenhos e cores ...
Quem não gosta de se sentar à mesa, especialmente num dia invernoso, olhar parra uma terrina fumegante que deixa antever quente e saborosa sopa, levantar a tampa e apreciar o fumo e aroma que  dela evoluem? 
Contudo, Como sabemos, uma terrina sem tampa não cumpre a sua  função,não funciona, não  traz vantagens à  vida das pessoas, assim como uma tampa sem terrina  não traz qualquer benefício, para o comum dos mortais é lixo e não se fala mais nisso ...!
 Mas, e há sempre um mas nas Minhas histórias, não sou mulher de ficar parada perante qualquer problema ou desaire, não  baixo os braços perante uma adversidade, para mim, é sempre uma satisfação tirar partido de uma desvantagem. Foi por isso  que a partir de uma tampa de terrina de loiça de Coimbra, que havia esquecida no  fundo de um armário, comecei a pequena colecção que te mostro.
Espero que gostes e se, por acaso,  tiveres alguma,  dá-lhe utilidade ou então, fala comigo.
Esta conversa toda  não foi bem par te mostrar as  ditas tampas, foi mais para nos lembrarmos que saber tirar partido das vantagens é Fácil, Mas das desvantagens com que nos deparamos  em qualquer circunstância, exige inteligência, vontade, Dedicação e constitui a diferença entre uma pessoa de bom senso e a outra menos atenta, mais fraca ou frágil.            

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Da Minha Varanda


Da minha varanda vejo o mar
Um mar calmo e indolente,
E vejo o sol a brilhar
Um sol faiscante e quente.
Da minha varanda vejo tectos
Tectos que abrigam lares,
Onde  se vivem afectos
Doenças, faltas e males.
Da minha varanda vejo verdes
Como  moldura elegante, 
Da ermida  da Senhora da Penha 
E  do Monte-Brasil distante.
Da minha varanda vejo o presente 
E o saudoso e querido passado,
E vislumbro o meu futuro
Que espero seja prolongado...
Da minha varanda vejo pássaros 
Que me despertam ternura
E vejo a paz e vejo a guerra
A infelicidade e a amargura 
Que se vive nesta terra!

Clara Faria da Rosa
Tarde de 3 de Julho de 2014


Coroação das Bicas de Cabo Verde / 2 ª parte

Embora temendo ser chata, mas tentando sê-lo de uma maneira original. não resisto à tentação de postar aqui mais um pequeno vídeo da coroação das nossas Bicas, penso que as pessoas vão achar divertido e aproveito para agradecer, pela parte que me toca, a maneira simpática como a família Carreiro recebeu a todos na sua ermida, onde foi rezada a missa após o que se efectuou a coroação.

 O Victor Carreiro à espera da coroação.


terça-feira, 1 de julho de 2014

O vestido azul


Soneto azul : 

Quando meu vestido azul usei,
Senti-me bem e pensei:
- Sendo o azul celeste cor,
Porque não reflecte amor?

-Porque é que o azul das  nuvens
Não traz paz aos inquietos homens?
-E porque é que o azul do mar
Não aumenta a sede de amar?

- É porque o azul precisa  ser forte
Anilado, como preciosa safira, 
E fazer do mundo tela colorida, 

Para conduzir o Mundo ao Norte
Sem invejas, maldade ou ira,
Onde o importante seja a Vida!


Clara Faria da Rosa
1/Julho/2014

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Coroação das Bicas de Cabo Verde (1ª parte)


Penso que a vida melhora de um modo especial  quando sabemos dar o devido valor às coisas simples mas significativas que vivemos.Aprecio, valorizo e respeito muito  as nossas tradições, usos e costumes. é por isso que embora com duas semanas de atraso, registo aqui um dia especial para a pequena comunidade a que pertenço, para que este momento mágico não se transforme em pó e para que ao olharmos para este vídeo, embora amador, compreendamos o legado que nos deixaram os nossos antepassados. 

domingo, 29 de junho de 2014

Semana de rezar o terço no império de Bicas de Cabo Verde - São Pedro de Angra

Foi na semana de 8 a 14 deste mês de Junho que se rezou o terço no império como preparação para a coroação do dia 15. As pessoas apareciam conforme as suas disponibilidades e rezavam com fervor  penso que tentando compreender o sentido da vida e do misticismo que envolve este fervor ao divino Espírito Santo que caracteriza o povo dos Açores.
De realçar e louvar a postura da senhora Fernanda Teixeira que ao longo dos anos se disponibiliza para " oferecer o terço", uma anciã de oitenta e cinco anos que aguentava todo o tempo de joelhos enquanto os mais novos se queixavam disto e daquilo o que me fazia pensar que o truque é fazer anos isto é  passar o tempo sem envelhecer e que o tempo é como que um rio onde nem todos conseguem ou sabem  pescar...
 Após o terço havia sempre um pequeno momento de convívio salutar que servia para as pessoas do lugar se conhecerem melhor e para os mais novos se integrarem na comunidade pois são eles que, como dizia alguém,  estão a criar agora o passado  de amanhã .

domingo, 8 de junho de 2014

Na festa das Bicas de Cabo Verde - São Pedro de Angra

As Bicas são um cantinho
Que avista a "Senhora da Penha"
Fica em Angra escondidinho
Mas seu papel desempenha!

Embora sendo pequenos,
Temos raízes a preservar.
E nunca nos esquecemos
Do Espírito Santo louvar!

São coisas, pessoas e factos,
Passado, futuro e presente,
São os nossos antepassados,
Os vindouros e toda a gente!

É por isso que aqui estamos,
Para te avivar a memória,
Dizendo: - Contigo contamos
Para fazer a nossa história...

Agora, história fazemos
Com nossa participação
E aos mais novos dizemos:
- Respeitem a nossa tradição!

A juventude passada,
A vida que já se foi,
A esperança ultrapassada,
A lembrança que muito dói...

E o que posso aqui dizer
É que ganhemos coragem
E continuemos a viver
O tempo na sua voragem!


Reza a história que tudo começou na década de quarenta do século passado com um império de crianças feito em faias, na Canadinha das Bicas,  e com uma corôa de latão, depois fez-se um império de madeira na estrada corrente e só em 1958 se construiu o actual império de pedra e cal que tem sido preservado e alindado pelas várias comissões.



Festas das Bicas de Cabo Verde - São Pedro A.H. 2014



O Império desta localidade está preparado para começar hoje as suas festividades. O altar decorado pela Senhora Ana Soares que já há vários anos vem colaborando com as comissões de festas, e pela sua irmã Teresa Teixeira imigrante na Califórnia  que está de visita entre nós , espera pela mudança da coroa que irá ocupar o lugar cimeiro, os mastros estão no ar com as bandeiras coloridas  a abanar e a pequena iluminação já dá sinais de festa. Hoje começa a reza do terço pelas 20 horas, durante toda a semana.
E é assim que ano após ano, cada comunidade açoriana, por mais pequena que seja, se prepara para prestar o seu culto ao Divino Espírito Santo.


                                                                                                                     









domingo, 25 de maio de 2014

Função da Santa casa da Misericórdia de A. do Heroísmo

Aqui estou eu, toda produzida, à espera do meu marido para irmos ao almoço da Santa Casa da Misericórdia. gosto imenso deste acontecimento pelo que representa em termos de tradição e de espiritualidade mas também pelo convívio pois neste dia encontramos muitos conhecidos e amigos que já há muito não víamos. 
Foi muito agradável, a comida estava boa, tudo muito bem organizado e decorado não faltando os  confeitos para adoçarem o vinho de cheiro conforme é tradicional.
Um dos momentos altos foi o cortejo com o provedor e mesários  a levarem as coroas seguidos pelas mordomas que tiveram a seu cargo a organização de uma semana de festas que culminou com este lauto e tradicional almoço.
O provedor ao dirigir umas palavras aos presentes não esqueceu os irmãos que ficaram retidos na casa por doença prolongada ou por dificuldade de mobilidade o que me fez pensar que muitos dos presentes incluindo eu, logo logo estaremos lá. Entretanto vamos vivendo e sorrindo pois o sorriso é como que um brilho que ilumina as nossas vidas e as dos outros.