sábado, 23 de abril de 2011

Sexta Feira Santa


Na paixão de Nosso Senhor Jesus Christo, S. João relata-nos que tendo Pilatos dito aos Judeus:
-Eis aqui o vosso rei. 
Porem eles clamavam: Tira, tira lá: crucifica-o.
Pilatos replicou: Hei-de crucificar o vosso rei?
 E responderam os pontífices : não temos rei, senão César!
Então pois Lho entregou para ser crucificado e, com effeito recebendo a Jesus o conduziram e Elle levando a sua Cruz, se encaminhou para o logar denominado Calvário, em Hebreo Golgõtha, onde o crucificaram e com Elle outros dous, de uma e outra parte, ficando Jesus no meio...................................................
Junto à Cruz de Jesus estavam sua Mãe  e a irmã d'ella Maria de Cléofas e Maria Magdalena. Jesus pois vendo a Mãe e o Discípulo por Elle amado, que também ali estava, disse a sua Mãe:
Mulher, eis-ahi o teu filho e depois disse ao Discípulo: Eis ahi a tua Mãe e d'aquella hora o Discipulo a levou consigo. Depois sabendo Jesus que tudo estava completo, para se cumprir a Escriptura, disse: Tenho sede.
Havia-se ali posto um vaso cheio de vinagre, donde aquelles ensopando uma esponja e envolvendo com o bisope lh'a apresentaram á bocca. E Jesus, provando o vinagre, disse:
Está consummado e enclinando a cabeça, entregou o espírito.


 Ilustrando o que acima transcrevo, do evangelista São João, mostro-te  acima, estas  imagens, muito antigas do Senhor dos Passos e de sua Mãe Nossa Senhora das Dores e também a capa de um missal do início do séc, XIX, feito em Pariz, na antiga casa Morizot, Laplace, Sanchez e Cª. Editores. É um Exemplar belíssimo com folhas douradas, capa dura com relevos, dois fechos trabalhados, estando em muito bom estado, para uma peça com   200 anos,  que me foi oferecido pela minha amiga Marília Dutra e que te mostro abaixo com mais pormenor:

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Oferta de páscoa

Não há altura do ano em que o ovo seja mais honrado do que na Páscoa, marmoreado, salpicado ou pintado de cores luminosas e apelativas a verdade é que em cada ano que passa continuamos a alimentar esta graciosa e encantadora tradição. Isto porque o ovo sempre foi visto como  símbolo de vida e os primeiros ovos de Páscoa eram tingidos de vermelho, cor que simboliza a vida.
 Segundo breve pesquisa que fiz, em quase todas as culturas, o ovo tem um conteúdo simbólico, como nascente de vida,  desempenhando importante papel nos ritos de fertilidade e na magia curativa, soube ainda que  segundo a mitologia chinesa o céu e a terra foram criados a partir do Ovo Universal e que as Escrituras egípcias antigas descrevem como o Deus-Sol, Rá, quebra a casca de um ovo e na mitologia grega, o Deus Eros saía de um ovo Universal, prateado e o cristianismo vê o ovo como símbolo da ressurreição.
Os camponeses do séc, IX pagavam tradicionalmente uma renda em ovos à igreja e aos senhores, por altura da Páscoa, obrigação que deriva no hábito de se trocarem e oferecerem ovos pintados e decorados entre familiares, amigos e namorados.
É por tudo isto que por cá nos Açores previlegiamos  os ovos aninhando-os no centro dos saborosos folares de massa doce que fazemos por esta altura da Páscoa, conforme podes ver neste exemplo abaixo que me foi oferecido pela nossa amiga Maria de Lurdes Melo que os fez e veio, com o seu marido, João Melo, do Porto Judeu a nossa casa , visitar-nos e  oferecer-nos estas delícias que nós agradecemos, pois mesmo antes de os provarmos temos  a certeza de que estão delíciosos porque  ela é mestra na arte de culinária

E agora, muito a propósito, votos de boa Páscoa e que o espírito pascal permaneça em todos nós ao longo do ano que nos separa da próxima páscoa.

domingo, 17 de abril de 2011

Domingo de ramos/ dia de grãos


Fui à Missa à igreja de S. Pedro de Angra, esta estava cheia de ramos verdes que lembravam o simbolismo do dia...
O sacerdote, padre José Júlio, chegou em procissão com muitos fieis que transportavam ramos e cestas repletas de ramos abençoados, que no fim da missa foram distribuídos pelos fieis para os levarem para casa e os guardarem durante o ano.


Isto tudo numa clara alusão à entrada de Jesus Cristo em Jerusalém, para celebrar a Páscoa Judaica, montado num jumento e aclamado pela população como o Messias.
Esta festa litúrgica  abre a Semana Santa que termina com o Domingo de Páscoa que celebra a ressurreição de Jesus Cristo, depois de ter sido crucificado.
Também trouxe um ramo para casa e lembrei-me da minha mãe que guardava o ramo, depois de seco, detrás de um quadro, para manter a casa abençoada, como ela dizia e lembrei-me também que dizia que este dia é dia de grãos, não se comem ramos, isto é folhas de hortaliça e por isso no domingo de ramos comíamos :  canja com arroz, sopa de grão que o meu pai, chamava gravanço e eu pensava que ele por ser iletrado estava a dizer mal e só mais tarde fiquei a saber que a palavra que ele usava era um aportuguesamento de grabanzo da vizinha Espanha, afinal ele sabia muito mais do que eu que passava os dias na escola, enquanto ele labutava de sol a sol, feijão, papas grossas e papas de arroz, que eram primas do arroz- doce, como dizia a minha mãe, porque eram feitas com menos ingredientes.
Ainda mantenho esses hábitos porque enfim, há tantos dias para comermos as outras coisas que não custa nada cultivar esta tradição que não sei se é só familiar ou se mais alguém tinha  este hábito, mas que para mim tem um sabor e um sentido muito peculiar!

Também trouxe, da igreja o meu ramo abençoado, fica agora a secar. Depois como em muitos actos da minha vida, vou seguir o exemplo de minha mãe e guardá-lo até ao ano que vem, acredito que ele abençoará a minha casa e a minha família.


sexta-feira, 15 de abril de 2011

Enfrentando um desafio:


Nunca na vida pensei que iria fazer tal coisa! Mas a verdade é que tentei, tentei porque sei que só aprendendo com as nossas falhas é que nos tornamos melhores. E como poderia eu adquirir esta nova competência se não tentasse, com medo de errar? Claro que não fracassaria se ficasse parada sem experimentar, mas arrisquei...Falo do  restauro de um pequenino, lindo e antigo e maltratado Menino, embrulhado em velhos papeis, arrumado a um canto de uma gaveta, com os braços e pernas partidos e colados e com falta de um pezinho, do vestido nem se fala, a antiga e arrendada cambraia quase que se desfazia e estava tão sujinho que só se sabia a cor por intuição.
Uma obra adiada ao longo dos dias, dos meses, dos anos! Ganhei coragem e com as indicações da minha amiga Luísa Garcia que é perita em artes decorativas, lá me aventurei...
A primeira tarefa foi tirar com muito cuidado o vestido, colado ao corpo com colas antigas que seguravam os braços partidos, lavei-o, e fi-lo de novo pois a parte  de cima estava toda estragada , depois colei, emassei, fiz o pequeno pé e pintei-o. Mandei à ourivesaria o pequeno resplendor de prata para limpar e pôr um espigão,  para se segurar na cabecinha. Depois de vestido ficou lindo e eu fiquei feliz porque enfrentei este pequeno e adiado desafio e consegui. Claro que poderia ficar mais perfeito se eu tivesse mais prática e se eu fosse profissional, mas mesmo assim estou contente com o resultado deste pequeno  desafio que eu tive a coragem de enfrentar sem medo de fracassar. Para a próxima será melhor!
É preciso enfrentar o fracasso se queremos evitar que ele se repita...

domingo, 10 de abril de 2011

Os colchões da nossa memória



Parece incrível mas a verdade é que os colchões nem sempre foram o que são hoje, no tempo da minha avó e da minha mãe e quando eu era criança eram de folha, da folha do milho, escolhida da mais fina e branquinha que no Verão era lavada, posta ao sol e renovada, então estes ficavam altos e cheirosos e quando nós nos deitávamos, faziam um barulhinho que chamava o sono, ficávamos muito aconchegadinhos e dormíamos que nem justos. Ainda me lembro da trabalheira que era todos os dias ter que remexer a folha para os colchões ficarem fofos e até me lembro que a minha mãe tinha uma cana da largura da cama, preparada para os nivelar e assim ficar tudo muito direitinho. Enfim, outros tempos...
A folha era metida em colchões feitos de linho cultivado, tratado e fiado por essas mãos ancestrais e esse tecido cá na Terceira era quadriculado em tons de azul .
Pois é disso que te quero falar, no fundo de uma arca que herdei da casa dos meus pais, havia um desses colchões, sem a folha, claro, que nunca fora usado e eu sempre que o olhava lembrava-me com uma certa nostalgia destas coisas que te estou a contar. Receosa que mais tarde alguém se desfaça dele por não  estar ligado a estas recordações e por isso não compreender o seu valor, resolvi aplicá-lo, quer dizer fazer uma reciclagem e o colchão virou toalha rústica, uma toalha bastante grande para usar numa mesa no terraço onde comemos nos dias agradáveis de Verão.
Fiz um entremeio e uma renda para pôr à volta e ficou com este aspecto:


 Esta tem cerca de 3 m, agora estou a fazer, com o resto do tecido uma mais pequena, quadrada, para usar numa mesa de apoio. Depois darei conta deste meu trabalho. Afinal não estou assim tão indolente, isto é,  tão preguiçosa como isso!!!

sábado, 9 de abril de 2011

Indolência:


Gosto desta palavra indolência, é engraçada e sofisticada e dá classe a um defeito que ataca as pessoas e a que normalmente se chama preguiça.
Pois é, tenho andado um pouco indolente para não dizer com uma certa preguiça que me tem afastado deste blogue; Contudo, tenho feito outras coisas engraçadas que te quero contar.
Primeiro quero falar de uma amiga  Maria Margarida de Meneses Gomes com quem me costumo reunir às terças feiras de tarde e que tem andado doente, desejando-lhe aqui rápido restabelicimento . A Margarida é uma senhora que sabe muitos pontos antigos, daqueles que as nossas mães e as nossas avós faziam e que eu não tive tempo de aprender pois vim bastante nova para Angra estudar e depois o trabalho não me deixou dedicar a estas coisas de que muito gosto.
Pois aprendi o ponto Maria Antónia e bordei  nos cantos de um pano,  com restos de linha e um tecido reciclado, penso que ficou  um trabalho engraçado, para principiante.






 Que tal um cházinho?

Só me resta dizer:
- Obrigada Margarida por teres transmitido este saber e muita força!

sábado, 19 de março de 2011

Dia do pai:

Embora a afectividade faça parte integrante da vida e direi mesmo, da saúde, sendo algo que os seres humanos necessitam, nem sempre foi fácil, para um pai, pôr de parte a imagem de duro e portar-se como uma pessoa sensível e dizer as coisas que seria bom dizer, atitude que por sua vez fazia com que os filhos se fechassem e não falassem dos seus sentimentos. Há muitos pais que foram educados por pais que gostavam muito deles mas que nunca o diziam o que serve de justificação para o que digo acima.
Contudo, essa desculpa começa a estar ultrapassada, a nossa geração dedica muita atenção ao reconhecimento e à compreensão dos nossos sentimentos e a  a exprimir por palavras as suas emoções:
Foi por isso, que o meu filho hoje fez ao pai um telefonema diferente... e foi por isso também  que vi os olhos do meu marido brilhantes quando me disse que o nosso filho lhe tinha telefonado falando do significado deste dia e desejando-lhe um feliz dia que é como quem diz:
-Obrigado pai, gosto de ti e agradeço o que tens feito por mim! 
 E fez muito bem porque o pai é um amigo eterno que o vai acompanhar mesmo para além da morte com o seu amor, as suas recordações, os seus conselhos, os seus exemplos de vida, enfim o seu legado moral.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Parabéns Izilda

Cara amiga Izilda
 Deste cantinho, mando-te um beijinho de parabéns com votos de que repitas esta data por longos anos, na companhia dos que te são mais queridos, sempre com muita saúde e alegria.

sexta-feira, 11 de março de 2011

O restauro do pequeno toucador:

Teoricamente, as pessoas levam metade da vida acumulando coisas para casa e outra metade tentando desfazer-se delas; Digo teoricamente, porque embora eu esteja nessa segunda fase da vida, sou uma excepção à regra. Gosto muito de adquirir coisas, especialmente coisas com  uma certa história, uma  certa vivência e depois tratá-las e pô-las funcionais
Aconteceu de novo: Adquiri um pequeno, velho e infeliz toucador, todo desconjuntado e com mau aspecto. Então restaurei-o: Lixei, montei, colei, preguei, apliquei Cuprinol anti-caruncho, porque com madeiras antigas nunca se sabe e finalmente encerei . O resultado está à vista, não me vou desfazer dele, olho-o com prazer e como o fruto de um trabalho gratificante. Quem sabe se no futuro alguém o apreciará!? Também as árvores das quais eu como os frutos, não foram plantadas por mim...



Que tal o resultado?

domingo, 6 de março de 2011

O meu Carnaval no Teatro Angrense

Desde criança que me habituei a apreciar as danças de Carnaval, indo com os meus pais para a Sociedade Recreativa da minha freguesia e lá passávamos as noites, esperando o som do apito, e o estralejar do foguete, anunciando que mais uma dança havia chegado, para se exibir no palco local. A minha vida mudou e longe vão esses dias, agora vou com o meu marido ao Teatro Angrense, gosto e embora as danças sejam agora mais ricas em todos os aspectos, já não têm o mesmo sabor, para mim; contudo, há que aproveitar e então lá fomos ontem ao Teatro Angrense para disfrutar desta impar manifestação cultural, porque :
O Carnaval da Terceira...
São danças, apitos e pandeiros
Bailinhos com puxadores à maneira,
Sedas lantejoulas e enredos!
O Carnaval da Terceira...
São comédias, críticas, gargalhadas,
Tudo dito em brincadeira,
Alegria e  música embrulhadas
Em filhós de amor e bondade.
O Carnaval da Terceira...
É teatro com assuntos pitorescos
É convívio e  alegria verdadeira
Suspiros, coscorões, filhós e namoricos.

Sábado:




Domingo Gordo:


Segunda-Feira:



Terça-Feira:
Escola Básica Integrada dos Biscoitos


Marcianos em Terra Alheia:
Bailinho do Cantinho



Bailinho das Fontinhas
As Pipocas:




Bailinho dos amigos do Carnaval
Ribeirinha
A Canção da Ilha Terceira



Dança de Pandeiro
São Bento
A quinta do Claudino


Bailinho da Junta de freguesia de Agualva
Minha sogra é uma santa!


Dança de Pandeiro da Casa da Ribeira:
Vou casar com minha sogra...



Bailinho de São Mateus:
Uma Escola de Circo


Escola de bicicleta
Santa Cruz



Negócios em 2ª mão - Doze Ribeiras:


Uma Câmara Indiscreta
Santa Luzia-Praia da Vitória


Dança de Pandeiro-Raminho/Altares
Comidos por canibais, ou não?



Ribeirinha-Uma Mulher de Pêlo na Venta:
Carnaval sem ter dança
É lamparina sem luz,
É viver sem esperança
Em vida que não seduz...
Carnaval com muita dança
É um povo que produz
Alegria, saúde e esperança
Na Terceira de Jesus!!!

Carnaval de 2011,
Clara Faria da Rosa

E tudo isto se passou no "Teatro Angrense", no centro histórico da cidade património, Angra do Heroísmo, um edifício do SÉC. XIX (1860), remodelado na década de 20 do SÉC. XX e depois na década de 80 do mesmo século, pós cismo de 80.
O seu exterior mostra influências neoclássicas e é encimado por um bonito frontão triangular.
É um teatro dito de ferradura e um dos melhores exemplares dos Açores. A sala, com estruturas em madeira, tem boas qualidades acústicas e os espectadores podem acomodar-se na plateia ou em balcões, frisas e camarotes de duas ordens.
Foram quatro noites inesqueciveis em que esta nossa tradição pôs em prática a sabedoria e experiência colhidas de muitas gerações.
A sanidade do nosso povo reside na continuidade das nossas tradições, sabendo  evoluir, sem romper com o passado...É por isso que eu adoro apreciar as danças de Carnaval!

sábado, 5 de março de 2011

Bom Carnaval




A minha amiguinha Bárbara também se fantasiou para participar na alegria do cortejo infantil.
Deixo-te com esta cara linda e com votos de que tenhas um Bom Carnaval.

A Fantasia paira no ar!

Ontem pela manhã, o Sol brilhou e as crianças de algumas escolas e colégios de Angra saíram à rua para dar largas à sua alegria, criatividade, fantasia e exuberância próprias da idade.
Foi um cortejo bastante bonito. É sempre agradável apreciar coisas bem feitas e os professores e educadores esmeraram-se para segundo me apercebi aplicarem no  cortejo de Carnaval os projectos dos respectivos estabelecimentos de ensino

quinta-feira, 3 de março de 2011

Três anos!!!

No passado dia 22 fez três anos que comecei a escrever nesta página; Muita coisa se passou desde então: alegrias,  tristezas, aprendizagens, viagens, novas amizades...Uma vida a passar, mais veloz do que aquilo que eu desejava mas, tenho que me conformar, pois sei bem que   não se pode travar a fúria do vento que ningúem sabe para onde nos empurra nem quando nos empurrará definitivamente! Até lá vou contactando contigo através desta página, com muito prazer,  esperando fazê-lo ainda por muitos e muitos anos...

terça-feira, 1 de março de 2011

A resposta que eu esperava

Temos andado a podar as árvores do nosso prédio, é altura disso; ficam  montões de podas no meio do cerrado verdinho. Um pouco secas, resta queimá-las, foi  no Domingo passado, tivemos a ajuda do António, que é o rapaz que trabalha as nossas terras, o meu marido muito miúdo e cumpridor foi aos bombeiros dar conhecimento e pedir a devida autorização e toda a manhã se deitou lenha para  duas grandes  fogueiras que ainda na Segunda- Feira de manhã ardiam. À tarde o António veio mudar as vacas e mudou algumas para um dos  cerrados em que se tinha feito uma fogueira.
Hoje de manhã olho para lá e vejo-as muito felizes, sentadas à volta do monte de cinzas restante, lembrei-me do presépio e da vaca e do burro a olhar para a sagrada família!


Veio-me então á memória uma pergunta que eu fazia a minha mãe:
- Porque é que eles estão tão perto do Menino? Ao que ela respondia:
 -É para O aquecer, com o seu bafo...
E a resposta ficava a martelar-me na cabeça; Como poderia ser como a minha mãe dizia se o Senhor Padre tinha dito na igreja que Jesus é luz e calor!?

Hoje tive a resposta que me "encheu"... a vaca e o burro do presépio aproximavam-se do Menino para beneficiarem da luz e do calor que ele irradiava!
Façamos como estes inteligentes animais, tenhamos fé, aproximemo-nos do Menino e o nosso coração ficará quente e iluminado de esperança e confiança que nos ajudarão a resolver e a ultrapassar os obstáculos, as dores e tristezas que eventualmente aparecerão no nosso caminho.

Li há tempos e algures que " Realização é a arte de se fazer um buquê com aquelas flores  que estão ao nosso alcance". Foi o que me aconteceu hoje, na falta de outro assunto resolvi falar do que estava ao meu alcance  imediato e, podes crer, sinto-me realizada por isso!

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Hughie & Antes do Pequeno Almoço

Faz hoje, precisamente um mês que fui, a convite de um casal amigo, assistir à representação destes dois textos de Eugene O'Neill, nos "Recreios da Amadora":
Com a encenação de J. Benite e representados pelo Teatro Municipal de Almada.
Hughie, foi apresentado como  um concerto a cinco vozes; as vozes presentes de Charlie e Erie, a do narrador, a da consciência de Charlie e a voz em diferido de Hughie. Aquela polifonia de vozes manteve os espectadores atentos e expectantes ao ponto de se analisar a sociedade e se atingir a  conclusão principal, " que as vítimas também se exploram e enganam entre si". Foi a alma humana e a sua complexidade que pudemos aprofundar através das palavras de O'Neill , assim como a dificuldade das relações humanas e a relação entre a poesia e o realismo, tão bem proferidas e interpretadas pelos excelentes actores Anabela Teixeira,  Paulo Matos e os seus coadjuvantes.Valeu a pena sair de casa numa noite fria de Inverno para se assistir a uma manifestação cultural deste gabarito. 
Estas duas peças marcam o início e o fim da carreira do dramaturgo O'Neill.
Muito obrigada aos meus amigos Abel e Elisa Borba, pelo amável convite!

 

Coisas da nossa terra.

Este fim-de semana fui, com a  Zélia Carreiro,  a casa de uma amiga a Nilza Rocha que é uma artesã  de primeira, para ela fazer uma bandeira para o mastro do império das Bicas.
A Nilza mora mesmo em frente ao império do Porto Judeu de Baixo, cuja foto  podes ver aqui ao lado e como já havia feito bandeiras para este império, pediu ao encarregado para irmos lá ver. Nunca havia lá entrado e fiquei encantada com o altar do dito império que é lindo como podes ver:
 Quero aqui destacar as pinturas de José João Dutra que o decoram e que reproduzem usos e costumes da nossa terra, ligados às celebrações do Divino Espírito Santo: A Coroação e os bezerros enfeitados


Se passares neste império, na ilha Terceira Açores, não te esqueças de o visitares e de admirar a sua beleza singela.
É que às vezes ficamos tão obcecados com os nossos problemas e com vontade de visitar locais que ficam muito distantes de nós que perdemos oportunidades de apreciar o que está bem diante do nosso nariz! O que me aconteceu, pois já lá tinha passado dezenas de vezes e nunca tive a sensatez de lá entrar para conhecer o que estava mesmo no meu caminho...

"A coisa mais indispensável a um homem é reconhecer o uso que deve fazer da sua própria vontade e do seu próprio conhecimento", Platão

Usemos então as nossas oportunidades e a nossa vontade, para alargarmos o nosso conhecimento!

sábado, 26 de fevereiro de 2011

O poder da música no desenvolvimento pessoal


Tendo-se celebrado ontem o dia mundial da língua gestual, foi muito divulgado um projecto, posto em prática pela cantora Paula Teixeira denominado "Som e Silêncio",  um projecto inovador que através de práticas pedagógicas adequadas mistura estes dois mundos opostos ajudando a ultrapassar as barreiras que existem entre as pessoas, fazendo com que, embora lentamente, desapareça a indiferença à diferença, sensibilizando-se para a questão das barreiras de comunicação entre surdos e ouvintes.
A comunicação pode-se fazer, como é sabido, de muitas formas, a música, o gesto, o desenho são maneiras de se ultrapassar esta barreira psicológica e de chegar ao fundo do coração das pessoas ao mais íntimo.
Quanto a mim a música é uma das armas mais poderosas para fazer desaparecer a falha na comunicação interpessoal, sempre considerei a educação musical uma área fundamental  para a formação e desenvolvimento cognitivo e sensorial do indivíduo, sendo um complemento que contribui sobremaneira para a educação harmoniosa da pessoa.
Foi pensando no tema que me lembrei da visita que efectuei recentemente ao Museu do Brinquedo, em Sintra e da exposição temporária que lá estava patente, a qual vai precisamente de encontro ao que aqui digo.
Tratava-se de um estudo dos brinquedos sonoros utilizados na educação da criança desde bebé. A quem passaria pela cabeça que as pequenas rocas que damos aos bebés para se distraírem são  instrumentos musicais que já estão a contribuir para o seu desenvolvimento global? Pois assim é, e muito haveria a dizer , mas fiquemo - nos  com o contributo da referida exposição, efectuada com brinquedos sonoros do espólio do museu e do professor Carlos Guerreiro


quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Jantar no Ti Choa

O Ti Choa é um restaurante típico que fica na Serreta. Decorado aplicando os  preceitos , costumes e tradições da nossa terra, dá a sensação a quem lá entra, que está a entrar em casa dos avós.


Fui com o meu marido e uns amigos jantar lá, no passado fim - de - semana. Gostei. O cheiro a pão quente acabadinho de cozer e abafado em manta de retalhos, envolvia-nos e abria o apetite a quem chegava e era recebido com amabilidade pela filha da casa . A morcela, os torresmos, molho de fígado, bifes de porco e linguiça iam sendo servidos e degustados com sofreguidão e agrado.
Um lugar agradável, para se passar um bom tempo!