quinta-feira, 7 de abril de 2016

Viajando de chávena até Massarelos




Há quem viaje da barco, de avião, de comboio, de autocarro, de balão a pé ou até mesmo, como no caso das bruxas, de vassoura; Pois é, a vida tem destas coisas, eu hoje deu-me para viajar de chávena, o que não é caso para admirar, visto neste mundo, haver lugar para as mais diversas e variadas extravagancias.
Pois lá vou eu muito bem acondicionada, nem galinha choca no seu linheiro, até um  antiga freguesia de Portugal, situada nas margens do rio Douro, pertencente ao concelho do Porto, chamada Massarelos e que actualmente pertence à União da Junta de Freguesia de Lordelo,Ouro e Massarelos.
Fui à procura da origem, ou da árvore genealógico das minhas chávenas, porque foi  nesta localidade de Massarelos que funcionou a mais antiga fábrica de faiança do norte de Portugal, fundada em no SÉC.XVIII em 1763 ou 1766 ( Encontrei as duas datas ), até que o primitivo edifício foi consumido por um incêndio em 1920 tendo depois em 1926 sido vendida à Companhia da Fábrica de Cerâmicas Lusitana que numa fase de expansão, comprou fábricas falidas por todo o país.
São desta época as chávenas de chá/almoçadeiras que te mostro, peças vintage, da fábrica Lusitânia período Massarelos, decoradas com motivos orientais e carimbo do início de séc. XX, uma das quais me serviu de meio de transporte, nesta aventura .
Sendo uma sentimentalona,  gosto especialmente   de trazer o passado para o presente, sobretudo quando se trata de peças de encanto, que como estas, continuam maravilhosas após tantos anos.
Depois desta breve viagem por um mundo que para mim é mágico, faço-te o seguinte convite:
Que tal vires cá a casa tomar um chá numa Massarelos, embarcas também nesta aventura e no gosto por estes assuntos? A água já ferve, traz uns bolinhos!!!









segunda-feira, 4 de abril de 2016

Já se passaram faz hoje sete anos que partiu a minha amiga Bélia Barcelos Cota e não a esqueci...
Lembro-me de lhe dizer muitas vezes que gostava de saber passar o tempo como ela, com a mesma força, a mesma inteligência, a mesma curiosidade e a mesma elegância. Sim, porque a Dona Bélia, como eu lhe chamava , apesar de sermos muito amigas, era uma anciã, ( palavra que por definição significa pessoa velha e veneranda), mas era mais nova do que muitos jovens, arranjava-se com elegância, recebia os amigos sempre com muita alegria, era uma pessoa que lia muito, por isso informada e actualizada, corajosa e que tinha sonhos e projectos... Que viveu como eu gostaria de viver mas que morreu de uma forma imerecida e cruel, que quero esquecer! Agora percebem porque sinto muito a falta desta amiga e não a esqueço .
Pois é, a amizade é isto mesmo, recordações, alegrias e tristezas, preocupações,ajuda e conforto ou desconforto mas é um sentimento gratificante que nos enriquece, engrandece, purifica e nos une para além da vida, pelo que nunca vou esquecer a minha querida amiga Bélia Barcelos Cota!

domingo, 3 de abril de 2016

Uma mulher de trabalho,sonhadora e excêntrica:

Considero-me ser o que, à moda antiga, se dizia  uma mulher de trabalho, não viro a cara a nada do que é preciso fazer, quer seja nas lides caseiras, na cozinha, no quintal, também dou uma mãozinha na costura simples isto entre outros afazeres, tendo perfeita noção de que não me devo vangloriar disso, pois essas competências só são possíveis levar a cabo quando há saúde, quando ela falta vai-se tudo, e como se sabe, isso não podemos, nem eu nem ninguém, controlar, de um momento para o outro aparece a doença que traz, em muitos casos, a incompetência perante a realização das tarefas mais comezinhas.
Como ia dizendo sou uma mulher trabalhadora, contudo há uma tarefa que detesto, detesto mesmo, que é aspirar, não sei se é devido ao barulho que não me deixa pensar enquanto faço esse trabalho, se é por causa de ter que andar com aquele "Trambolho" de um lado para o outro, não sei, o certo é que abomino esta tarefa. Não é que ontem, enquanto aspirava o tapete na entrada, comecei a pensar: 
- O que este tapete precisava agora era de uma boa lavagem de joelhos, com escova,  bastante água, sabão e depois sol...
- Deixa-te disso, tu é que precisavas de um tapete mágico que não precisasse ser aspirado!
- Um tapete  mágico...que delícia! Um tapete onde os pés pisassem e que ficasse sempre limpo, com as cores vivas e os desenhos bem visíveis a dar as boas-vindas a quem entra.  
- E se for um tapete mágico e voador que me leve a outros mundos, a outros povos a outras aprendizagens, a vencer a minha ignorância contra a qual luto diariamente, a descobrir coisa novas, coisa maravilhosas e imprevistas??!!
-E um tapete voador que me transporte aos meus amigos ausentes, e ao passado que eu adoraria trazer de volta, e a recordações que adoraria reviver, e ao futuro que me revele o que o destino me reserva??!!
Eis senão quando, ouço o forte ronronar do aspirador que  fazendo-me acordar do meu sonho e voltar à dura realidade daquela detestável tarefa, exclama:
- Deixa-te disso, não sejas parva, aproveita o momento presente e o que tens, o passado e o futuro são apenas uma sucessão de momentos presentes na vida que vamos atravessando, exageras a sua importância  porque eles já se foram, ou porque ainda estão para vir...
-Não é que o danado do aspirador tem razão! -Pensei eu continuando a aspirar... se bem que esteja certa, de que ter razão não é tudo na vida, é sempre agradável viver um pouco de fantasia mesmo que excêntrica e irracional como esta que acabo de partilhar. 


Mesas De Honra (Workshop)


Sou de opinião que manifestar interesse por qualquer actividade  seja ela física ou mental, mais ou menos corriqueira, demonstra um saudável instinto de sobrevivência a vários níveis e traz benefícios a curto, a médio e a longo  prazo incalculáveis;Acreditando também que o tempo e as oportunidades são duas coisas únicas na nossa vida inteira que não podem ser compradas, só gozadas, apressei-me a aproveitar uma oportunidade com que me deparei através de um anuncio num jornal local: -O Museu de Angra do Heroísmo  ia promover um "Workshop" intitulado MESAS DE HONRA!
Lá me inscrevi, porque não sou pessoa de ficar sentada à espera que o destino resolva a minha vida, gosto de influenciá-la, de resolvê-la, e em em boa hora o fiz!
Foi uma tarde de sábado em que através do Professor de restaurante e bar da Escola Profissional da Praia da Vitória Paulo Pires aprimorei  e viajei por vários saberes no campo do fausto das mesas de cerimónia de séculos passados,os quais através do saber e do entusiasmo do mestre foram música para os meus ouvidos,e pintura para os meus olhos, saber esse transposto para os nossos dias e para ocasiões especificas  e que tocaram em pontos vários como:
Alinhamento das mesas , necessidade do bancal ou protecção, marcação de lugares, talheres, pratos copos, guardanapos, protocolos etc. Isto tudo com um saber, uma minúcia , um pormenor de relevo explicando não só como deve ser feito mas o porquê e apresentando alternativas aceitáveis. Após o que as participantes treinaram, acabando sentadas a uma sumptuosa e requintada mesa, embora sem repasto, o que não preocupou ninguém tal era o grau de satisfação geral!
Para terminar foi feita uma ligação pedagógica às peças de baixelas expostas na exposição do museu " Do Mar e da Terra ...Uma História no Atlântico"
Enfim, adorei, não sei se por ser uma tarde de Primavera que faz com que as mulheres apreciem com mais pormenor e minúcia as coisas belas e os momentos únicos e requintados, mas estou em crer que foi mais pelo entusiasmo saber e oportunidade do professor Paulo Pires a quem agradeço a transmissão de tantos saberes adquiridos ao longo de uma rica e variada carreira profissional. Um agradecimento especial ao Museu de Angra por ter levado a cabo tão louvável iniciativa!















segunda-feira, 28 de março de 2016

Reflexão pós Páscoa:



Asas de galinha e ovo de folar:
Sempre me admirei, ao longo da minha meninice e juventude de a minha mãe preferir as asas de galinha a um qualquer pedaço mais saboroso e suculento. Na canja, guisada ou assada ela dizia sempre:
-Comam, esta perna, este peito ou esta cocha que eu como a asa, gosto muito de asas!
Aquilo causava-me certa estranheza, afinal eu nem sabia comer uma coisa tão estranha  mas, na despreocupação natural da idade, lá comia e corria para a brincadeira sem aprofundar o assunto.
Mais tarde, quando comecei a ter a responsabilidade de pôr a mesa e a preocupação de que tudo corresse bem e que todos ficassem satisfeitos também comecei a gostar de asas, a gente habitua-se e acaba por gostar de verdade!
Penso que se fosse necessário uma prova palpável de que uma mãe põe a família acima de tudo é vê-la comer asas de galinha enquanto os outros comem os bons pedaços...
Mas a história não acaba aqui; Ontem dia de Páscoa, como em todas as casa tivemos almoço um pouco melhorado, comemos com mais calma, demoramos mais tempo à mesa e acabamos tarde; O jantar foi mais leve e ligeiro, uma sopa simples e no meio da mesa o folar com três ovos, um para cada um, e um chá. Estava delicioso o folar, bem cozidinho, leve e docinho como convém a folar que se preze.
Não é que sem me aperceber dou  por mim a dizer:
- Podem repartir o ovo que era para mim, não me importo muito com o ovo do folar...
Afinal a história repete-se, a vida não vale tanto a pena se não houver mães  que gostem de asas de galinha e detestem ovos de folar de Páscoa!

  
Ser jovem:
Ser jovem
É ter força, saúde, alegria,
Esperança, beleza, companhia.
Ser jovem
É acreditar no futuro,
É esperar uma vida boa,
É sentir tudo a seus pés,
É sonhar um lugar merecido.
Ser jovem
É buscar um tesouro,
É buscar o amor verdadeiro,
É buscar prata e ouro,
É buscar no mundo inteiro!
28/03/2016

Clara Faria da Rosa

domingo, 27 de março de 2016

A toalhinha azul



Hoje usei uma toalhinha especial, feita por mim, com muita persistência nas horas vagas, por isso te falo dela com gosto e vaidade, é pequena,  de linho azul , bordada a ponto de grilhão e com aplicações de crochet. Gosto muito dela e embora  tenha sido feita para ser usada numa mesa quadrada ou rectangular, para os bordados e aplicações ficarem nos cantos, resolvi usá-la numa mesa redonda, neste dia de Páscoa. Eu sou assim, não existem atalhos quando me apetece fazer qualquer coisa, por isso, como queria usar a dita toalha e também porque tinha gosto em mostrar-ta toca de a usar mesmo não sendo na mesa para que estava destinada.
Sobre ela o meu tradicional bolo "ninho de Páscoa" para te alegrar os olhos, já que não te posso adoçar a boca com amêndoas, a desejar-te uma boa, santa e feliz Páscoa de 2016.

sábado, 26 de março de 2016

 Olho as pessoas 
 e nelas vejo a Páscoa...
 No brilho dos seus olhares,
 No sorriso dos seus lábios,
 No cumprir dos seus deveres,
 No ajudar os seus amigos.
 Olho à minha volta
 e vejo a Páscoa...
 Na  Primavera a despontar,
No colorido das flores,
 Na  Natureza a pintar
A vida de todas as cores.
Olho para dentro 
e em mim vejo a Páscoa...
Com  uma vontade forte
De o grande mistério anunciar,
Da vitória sobre a morte
E de a vida celebrar.
Penso na vida 
e sinto a Páscoa
Como um mágico segredo
Que não consigo guardar
E anuncio sem medo
É um milagre, ressuscitar!


Clara Faria da Rosa

sexta-feira, 25 de março de 2016

Paixão e Morte de Jesus Cristo



Na paixão de Nosso Senhor Jesus Christo, S. João relata-nos que tendo Pilatos dito aos Judeus:
-Eis aqui o vosso rei. 
Porem eles clamavam: Tira, tira lá: crucifica-o.
Pilatos replicou: Hei-de crucificar o vosso rei?
 E responderam os pontífices : não temos rei, senão César!
Então pois Lho entregou para ser crucificado e, com effeito recebendo a Jesus o conduziram e Elle levando a sua Cruz, se encaminhou para o logar denominado Calvário, em Hebreo Golgõtha, onde o crucificaram e com Elle outros dous, de uma e outra parte, ficando Jesus no meio...................................................
Junto à Cruz de Jesus estavam sua Mãe  e a irmã d'ella Maria de Cléofas e Maria Magdalena. Jesus pois vendo a Mãe e o Discípulo por Elle amado, que também ali estava, disse a sua Mãe:
Mulher, eis-ahi o teu filho e depois disse ao Discípulo: Eis ahi a tua Mãe e d'aquella hora o Discipulo a levou consigo. Depois sabendo Jesus que tudo estava completo, para se cumprir a Escriptura, disse: Tenho sede. 
Havia-se ali posto um vaso cheio de vinagre, donde aquelles ensopando uma esponja e envolvendo com o bisope lh'a apresentaram á bocca. E Jesus, provando o vinagre, disse:
Está consummado e enclinando a cabeça, entregou o espírito.


 Ilustrando o que acima transcrevo, do evangelista São João, mostro-te  acima, estas  imagens, muito antigas do Senhor dos Passos e de sua Mãe Nossa Senhora das Dores e também a capa de um missal do início do séc, XIX, feito em Pariz, na antiga casa Morizot, Laplace, Sanchez e Cª. Editores. É um Exemplar belíssimo com folhas douradas, capa dura com relevos, dois fechos trabalhados, estando em muito bom estado, para uma peça com   200 anos,  que me foi oferecido pela minha amiga Marília Dutra e que te mostro abaixo com mais pormenor:

quinta-feira, 24 de março de 2016

Cerimónia do Lava-pés


Na igreja paroquial de São Pedro de Angra realizou-se esta cerimónia baseada no relato de São João no capítulo 13, 1-7 que conta que durante a ultima ceia " jesus levantou-se da mesa, tirou as suas vestes e tomando uma toalha, cingiu-se, depois deitou água numa bacia e começou a lavar os pés aos discípulos e a enxugar-lhos  com a toalha com que estava cingido"






"Ceia Grande / Sopas Fritas e Chá

Quando eu era criança não havia essa história de pequeno almoço, as refeições eram "orquestradas" pelos horários dos trabalhos rurais e assim logo que os homens vinham de tratar do gado, pela manhã, almoçava-se, pelo meio dia ou um pouco mais tarde jantava-se e após a labuta diária era a hora de cear, rezar o terço, à volta da mesa da cozinha e cama que o dia de trabalho tinha sido duro.
É aqui que eu quero chegar, a uma ceia especial, na  Quinta Feira Santa dia em que se comemora a última refeição que de acordo com os cristãos, jesus dividiu com os apóstolos em Jerusalém, antes da sua crucificação, neste dia  Jesus lavou os pés aos discípulos dando-lhes um novo mandamento" amai os outros como eu vos amei!".
 Pois neste dia, em minha casa, depois de virmos da igreja, da cerimónia do lava pés, em cima da mesa havia uma grande travessa, muito bem abafada de sopas fritas, sim sopas fritas, não era rabanadas, nem fatias douradas que isso já são derivações culinárias dos tempos actuais...As sopas fritas eram fatias de pão caseiro envolvidas ou, melhor dizendo, envoltas, num polme feito com ovos, leite farinha e açúcar,  fritas em banha de porco que era o que a minha mãe tinha e polvilhadas com açúcar e canela, em boa verdade, nessa altura, ainda não se tinha descoberto o colesterol...
Pois, como ia dizendo, havia a dita travessa, muito bem abafada e um bule de chá muito amarelinho e quentinho que nos aquecia  a alma e o coração. Era uma delícia! Era a Ceia Grande!
O bule ainda o tenho e as chávenas também, são uma relíquia da fábrica Lusitânia, agora as sopas fritas só na memória e na saudade.
Com isto tudo ponho-me a pensar que a vida de cada pessoa  implica isto é entrosa com  a vida de todos os homens, cada história é apenas um  fragmento de outra história - A grande história da humanidade! E, esta história  da ceia grande, que era um acontecimento anual na minha família , tem a ver com o nascimento, vida e morte de um homem, Jesus Cristo, que marcou e marca de uma forma especial a vida da humanidade."


Ceia Grande / Sopas Fritas e Chá

Quando eu era criança não havia essa história de pequeno almoço, as refeições eram "orquestradas" pelos horários dos trabalhos rurais e assim logo que os homens vinham de tratar do gado, pela manhã, almoçava-se, pelo meio dia ou um pouco mais tarde jantava-se e após a labuta diária era a hora de cear, rezar o terço, à volta da mesa da cozinha e cama que o dia de trabalho tinha sido duro.
É aqui que eu quero chegar, a uma ceia especial, na Quinta Feira Santa dia em que se comemora a última refeição que de acordo com os cristãos, jesus dividiu com os apóstolos em Jerusalém, antes da sua crucificação, neste dia Jesus lavou os pés aos discípulos dando-lhes um novo mandamento" amai os outros como eu vos amei!".
Pois neste dia, em minha casa, depois de virmos da igreja, da cerimónia do lava pés, em cima da mesa havia uma grande travessa, muito bem abafada de sopas fritas, sim sopas fritas, não era rabanadas, nem fatias douradas que isso já são derivações culinárias dos tempos actuais...As sopas fritas eram fatias de pão caseiro envolvidas ou, melhor dizendo, envoltas, num polme feito com ovos, leite farinha e açúcar, fritas em banha de porco que era o que a minha mãe tinha e polvilhadas com açúcar e canela, em boa verdade, nessa altura, ainda não se tinha descoberto o colesterol...
Pois, como ia dizendo, havia a dita travessa, muito bem abafada e um bule de chá muito amarelinho e quentinho que nos aquecia a alma e o coração. Era uma delícia! Era a Ceia Grande!
O bule ainda o tenho e as chávenas também, são uma relíquia da fábrica Lusitânia, agora as sopas fritas só na memória e na saudade.
Com isto tudo ponho-me a pensar que a vida de cada pessoa implica isto é entrosa com a vida de todos os homens, cada história é apenas um fragmento de outra história - A grande história da humanidade! E, esta história da ceia grande, que era um acontecimento anual na minha família , tem a ver com o nascimento, vida e morte de um homem, Jesus Cristo, que marcou e marca de uma forma especial a vida da humanidade.



quarta-feira, 23 de março de 2016




Eu era rica e não sabia!!!
Tenho uma prima na Califórnia com a qual de vez em quando falo ao telefone. São longas conversas de qualidade que nos confortam e que estreitam os nossos laços de sangue e de amizade. Ela agora anda muito empenhada em aprender a cozinhar pratos regionais de Santa Maria ilha da sua família paterna. Então, a respeito de uma receita de biscoitos de orelhas e tentando traduzir e decifrar a mesma perguntava-me:
- O que é uma maquia?
No mesmo instante o meu pensamento leva-me à minha infância, vejo o meu pai a semear o trigo e o milho, vejo estes cereais crescerem, o dia de ceifar o trigo e as desfolhadas que se faziam no nosso quintal, ouço o chiar do carro de bois carregadinho de molhos de trigo a caminho da debulhadora e vejo sacos de trigo, como os da foto, empilhados a um canto donde a minha mãe ia tirando o suficiente, que media nas "rasoiras" cuja foto mostro, para o moleiro levar e transformar em farinha, ficando o sobrante para a sementeira do ano seguinte.
Lembro a minha mãe toda empoada peneirando a farinha para fazer o pão que amassava, de mangas arregaçadas, em alguidares de barro sobre rodelas de trabalho louco, que fazia aos domingos, sentada no canto do estrado da avó e lembro com muita saudade o cheiro do pão quentinho ao sair do forno, que a minha mãe abafava com os abafadores, também feitos por ela, para que o pão ficasse muito maciinho, como dizia .
Então dou por mim a pensar:
- que infância feliz eu tive!
Não sabia o que era pão de forma, nem pão Bimbo , nem padeiros nem padarias, nem pastelarias mas sabia que podia contar com o trabalho e o amor dos meus pais que não estavam preocupados com a inflação nem com a descida dos ordenados nem com os impostos, mas sim com o seu trabalho pois confiavam que se tivessem saúde, pão não nos faltaria na nossa mesa...
Eu era rica e não sabia!