domingo, 13 de março de 2016

No dia em que a minha mãe chorou:
Em criança era muito tagarela, depois tive um período de maior timidez e reflexão e agora é o que se sabe, já não há remédio...
Como dizia então, em criança, era uma grande tagarela e a minha mãe, coitada, tendo sempre muito trabalho, pois era costureira, aproveitava-se dessa minha característica, punha-me à janela do quarto de cama e eu ia falando com a vizinhança que passava a tratar da sua vida, e eles também se metiam comigo, pois naturalmente, achavam-me graça!
Aconteceu certo dia, que eu não satisfeita com a conversa, ou porque não passasse ninguém para eu falar, não tive mais que fazer se não descer da cadeira onde me encontrava à janela, e pegar num menino de louça que estava sobre a mesa de cabeceira, e lá subi a cadeira, pondo-me de novo à janela com aquela imagem, à laia de boneca.
Foi então, que a minha mãe, ouvindo um barulho muito peculiar, se apressou a saber o que se passava. Tudo eram cacos na varanda, e eu lá ia dizendo que o menino tinha caído.
No inicio do séc. passado, na fábrica de louça de Coimbra fabricavam-se uns meninos de mãos postas, em terracota, com uma policromia muito suave, de olhos de vidro e com um cabelo muito encaracolado e uma inscrição na base que dizia ORAÇÃO. Eram lindos!
Tendo a minha mãe casado no segundo quartel desse século, os padrinhos de casamento haviam oferecido duas dessas imagens -uma de roupa azul e outra cor- de - rosa que a minha mãe usava nas mesas de cabeceira. Era o luxo de decoração na altura, e agora são peças de colecção, visto serem muito raros.
Ainda hoje me lembro, do rosto triste de minha mãe, onde corriam lágrimas que ela não conseguia controlar, tal foi a desolação...
Passaram-se muitos anos, e embora eu fosse muito criança quando isto aconteceu, nunca me esqueci desse dia e desse acontecimento, e foi por isso que, tendo encontrado num antiquário uma imagem semelhante, me apressei a comprá-la. Sinto que isto atenuou, um pouco, o pesar que senti, por muito tempo, por ter feito a minha mãe chorar!

sexta-feira, 11 de março de 2016

" O Lencinho que vai na mão, vai cair no chão! "

Todos os dias, quando a minha mãe me alindava e alisava a  bata branca, para eu ir para a escola, sim porque na década de cinquenta as crianças tinham que ir de bata para a escola, para nivelar, penso eu, para que todos parecessem iguais, pois a pobreza era tanta, que algumas crianças podiam ficar melindradas perante os colegas; Bem, como ia dizendo, quando vestia a minha bata imaculada, tinha sempre o cuidado de me certificar, se no bolso da mesma estava o meu lencinho, porque era coisa que não podia faltar...
 Como poderia participar  no "jogo do lencinho", aquele jogo em que todas as crianças faziam uma roda, ficando um aluno de fora,  o qual corria à volta , com um lenço na mão, enquanto todos  cantavam esta cantilena:
- " O lencinho que vai na mão, vai cair no chão! "
Deixando cair o lenço atrás de um colega qualquer o qual ao aperceber-se, pegava no lenço e corria atrás do companheiro, apanhando-o antes de ele completar uma volta, este ia para dentro da roda, e ele ficava no seu lugar, correndo à volta enquanto a cantilena se repetia.
Não, não podia ir para a escola de bolso vazio, pois não queria ser excluída da brincadeira, sentir-me-ia  muito infeliz!
O que eu não sabia na altura, é que aquele pequeno pedaço de pano, que no bolso da minha saudosa bata, me dava tanta segurança, tinha a sua história,  baseada na necessidade que o homem sentiu de ter sempre à mão algo com que pudesse limpar o suor, pois já na Roma antiga eram utilizados pedaços de pano para limpar o rosto e o pescoço, não sendo utilizados para assoar e eram chamados sudários.
Actualmente, o lenço de assoar é uma mera recordação dos tempos faustosos e de uma certa imundície, usados abundantemente na corte de Luís XIV.
Tudo isso foi substituído por lenços de papel em caixas ou pacotes, como este cuja foto te mostro, que recebi de presente no Natal passado, numa pequena saquinha de croché, e há quem diga que isto embora tenha sido uma evolução em termos higiénicos, o que não se pode deixar de concordar, em termos ecológicos foi um retrocesso, porque esta indústria é responsável pelo abate de dois milhões e trezentas mil árvores por ano, e um mau negócio para a indústria dos bordados. 
Na verdade, havia lenços lindíssimos e requintados, e eu tive alguns que te mostro. Aqui vão os lenços da minha vida, meras recordações, alguns ainda do tempo de escola, outros que usava na mala, em dias especiais, a combinar com a roupa usada, com umas gotas de "Bien-Être" ou "Lavanda" que era o perfume que eu tinha na altura. Enfim, outros tempos, outros hábitos...















terça-feira, 8 de março de 2016

Uma almotolia que rima com melancolia:
Uma almotolia é um pequeno recipiente para aplicar óleos lubrificantes. Esta palavra, almotolia é de origem árabe, o al no início da palavra é um artigo, portanto a palavra original era AL-MUTLIA, nome dado pelos árabes a certos recipientes de argila onde acondicionavam o azeite. Ainda hoje, no nosso linguarejar corrente usamos muitas palavras deixadas por esses povo como por exemplo: alface, alecrim, alfaiate, alfenim, alguidar, alcatra, algema, algodão, alfarrábio etc:
Ontem fez catorze anos que o meu pai faleceu e fui às Lajes, minha terra natal, visitei , no cemitério local a campa dos meus pais e fui lá a casa, entrei na velha casa de arrumos que também servia de adega e, ao abrir uma caixa carunchosa, encontrei esta almotolia de marca EAGLE, made in U:S:A. Que saudades, parece que naquele momento vi as mãos calejadas do meu pai a lubrificarem as dobradiças e as fechaduras das portas! Aí compreendi porque se diz que as pessoas são imortais, na verdade as pessoas não morrem enquanto permanecem no nosso coração e na nossa memória...
Então, cheia da melancolia, trouxe aquela velha peça para minha casa, lavei-a e limpei-a muito bem, como estás a ver. Não sei é para quê, embora saiba muito bem porquê!










MULHERES DA NOSSA TERRA:
Nesta dia dedicado à mulher, quero aqui registar e enaltecer o facto de na nossa terra, ilha Terceira, Açores, haver muitas mulheres que sabem que a alegria, o humor, o sorriso e a gargalhada franca são o melhor tranquilizante que se pode tomar os quais não têm efeitos colaterais... 
Todas têm as suas vidas, as suas famílias, as suas preocupações, os seus trabalhos, mas tiram tempo para gozar o Carnaval, para espalhar a sua irreverência saudável, vi-
vendo o momento presente, esquecendo as preocupações passadas e não querendo pensar que após o Carnaval outras preocupações virão.
E aqui estão alguns apontamentos das Mulheres do Porto Judeu, com o seu bailinho " O vale dos Pecados", as quais com a sua rebeldia assertiva foram como que uma brisa refrescante e um exemplo de que as mulheres cada vez mais estão conquistando o lugar a que têm direito.
Afinal as mulheres não precisam de demonstrar nada, pois pelo que se sabe, e pode concluir por este exemplo e outros semelhantes, já há muito ultrapassaram essa etapa!
Só precisam de oportunidades, as quais infelizmente, ainda estão em grande parte reservadas aos homens, embora todos saibamos que há homens medíocres, maus e incompetentes em muitas posições de destaque e de responsabilidade, e mais não digo porque é preciso ter cuidado com as palavras...
Ora tomem!!!



De meninas a mulheres

E as meninas...
Sorriram,
Sonharam,
Desabrocharam,
Cresceram,
Aprenderam
Floriram,
Amaram,
Deram-se...
E agora mulheres
Esperam, exigem, reclamam:
Que a vida lhes sorria,
Que a vida as recompense,
Que a vida  lhes floresça,
Que a vida lhes seja leve,
Por todas as amarguras,
Por todas as dores,
Por todas as lutas,
Por todas as aprendizagens,
Por todas as lágrimas,
Por todas as dádivas!!!

Clara Faria da Rosa

8/03/ Dia da Mulher
À minha amiga Lulu,
Uma amiga de sempre e uma grande Mulher
a quem muito devo.

Ser Mulher...

Ser Mulher
Ser Mulher
É ser um mundo 
Que gira à volta de Todos,
É ser profundo
Que entende os pensamentos,
É navegar
Contra e a favor dos ventos,
É alcançar
Porto seguro
E levar consigo os outros,
É ser agente
De paz, amizade e afectos,
É ser um ser
Que os seus filhos ensina
A construir o próprio mundo,
 É ser tão fundo
Que segue dos filhos os passos 
Do princípio até ao fim,
É saber pintar o feio
De delicadas tonalidades,
Para o mundo transformar
Em leito macio e ternurento
Onde se possa viver
Uma verdadeira aventura,
Toda a força da ternura,
Amor, delicadeza, verdade...
E onde não haja maldade!

Clara Faria da Rosa
( Dia da Mulher )




A  todas as mulheres corajosas que como eu,  lutam para que o que eu digo acima seja verdade.
 Um beijinho amigo, neste dia especial

segunda-feira, 7 de março de 2016

Tesouros:
Para mim, o termo tesouro, não se identifica com riquezas, dinheiro, jóias e ou ouro ,mas sim, com coisas de que gosto, que considero belas e que me alegram o dia a dia,os olhos e o coração. Ora se há coisa de que gosto muito é de louça da fábrica Raul da Bernarda, a mais antiga fábrica de louça de Alcobaça cuja fundação ronda o ano de 1875 a qual tem um espaço museológico com peças representativas dos estilos desenvolvidos, na mesma, ao longo da sua laboração.
Tenho várias peças Raul da Bernarda e embora tendo plena noção de que "as coisas mais importantes na vida não são as coisas mas as pessoas" preservo-as com cuidado e carinho porque me dão alegria e contam uma história. Acontece que recentemente tive a sorte de encontrar mais uma peça destas a um preço razoável e lá a adquiri .Muitíssimo original, com carimbo e número, com um pé de um castanho escuro que vai clareando para dar lugar a um desenho, pintura e policromia lindos! Aqui está ela , e não penses mal de mim, por gostar destas coisas, porque eu sou como o tempo já não me importo com as criticas e tenho um lema de vida que é tentar passar o tempo sem ficar velha e esta atitude ajuda-me a passar o tempo de forma tranquila e entusiasmada sem pensar muito no que vem por aí... 



Catorze anos se passaram...


Faz hoje catorze anos que faleceu o meu pai.
Dei por mim a pensar muito, muito nele, na sua vida, que no fundo foi também a minha,  e em tudo o que se passou, e concluo que foi um grande homem. Mesmo nos longos  anos da sua doença terminal foi um homem corajoso, enfrentando a situação com dignidade, mostrando sempre um sorriso alegre a quem o visitava, não sendo exigente, mostrando-se compreensivo e cooperante comigo que tinha uma vida  muito preenchida com os cuidados e acompanhamento que lhe prestava e com a minha vida familiar e profissional.
Ele, como todos os homens, chegou a esta vida com os punhos fechados prontos para a agressividade e para a luta da vida, trabalhou e lutou de forma digna e exemplar e partiu de mãos abertas porque a luta acabara, já não precisava de nada, mas tinha desempenhado bem o seu papel de pai, marido e cidadão consciente, deixando o seu exemplo de homem bom, honesto e trabalhador e sobretudo  muita saudade, uma saudade que ainda doí muito!
Descansa em paz, meu pai, não estás esquecido!

domingo, 6 de março de 2016

O filho pródigo:

Ao entrar na igreja paroquial de São Pedro de Angra, um pouco antes do meio-dia,  apercebi-me de que havia um quadro diferente junto ao altar e pensei tratar-se de uma tela mandada recuperar e que o pároco quisesse apresentar aos paroquianos. Aguardei expectante... 
Só depois da leitura do evangelho e da homilia em que o reverendo padre Jacinto Bento, numa atitude pedagógica, se referiu ao quadro como uma reprodução de um quadro  de Rembrandt, pintor holandês que viveu entre 1606 e 1669, considerado por muitos um dos maiores pintores do seu tempo e talvez de todos os tempos, que se dedicou ao retrato dos seus contemporâneos ao auto-retrato e à pintura de cenas bíblicas entre as quais se destaca " O Retorno do filho Pródigo" no último ano da sua existência. Não sendo perita em pintura, não vou entrar por aí, embora tenha admirado na pintura, a fisionomia do pai, numa atitude de serena alegria, perdão e amor pelo filho regressado, a postura do filho inclinado e de quem arrependido, pede perdão, e a luminosidade que o pintor incutiu nesta cena deixando os restantes elementos num segundo plano, como que a realçar aquele regresso, e a necessidade de se perdoar com alegria e sem rancores. Foi esta a ideia com que fiquei desta homilia: que temos de perdoar, de esquecer e de tentar  perceber as atitudes dos que nos rodeiam quer sejam filhos, familiares, amigos ou conhecidos para que se encontrem ajudados pela nossa compreensão, misericórdia e alegria.
Que neste Quarto Domingo da Quaresma, que celebrou a alegria através desta parábola que realçou a alegria que o pai sentiu ao receber o filho que julgava perdido, todos consigamos sentir dos nossos semelhantes compreensão e misericórdia pelas nossas faltas e saibamos também retribuir esses sentimentos para que este mundo se torne um pouco melhor! 

sábado, 5 de março de 2016


Velha louca:

EU QUERO:

Eu quero ser uma velha louca,
E  comer  doce algodão,
Seja no Inverno ou no Verão...
Eu quero  boleia pedir,
Sem algum pejo sentir, 
A carros lindos, encarnados, 
Para destinos imprevistos...
Eu quero jogar no quintal à bola,
Apanhar maçãs às escondidas, 
E  no fundo da mala guardá-las, 
Eu quero brincar com a bengala...
Eu quero  alegremente viver,
Eu quero com força dançar,
Eu quero desafinadamente cantar, 
Ao som da antiga vitrola...
Quero subir às árvores, 
Para brindar à vida,
E tomar chá com minhas amigas, 
Em lindas e raras chávenas... 
Quero estar rodeada
Até ao fim da jornada
De todos os meus livros,
De todos os meus amigos,
De todos os que me são queridos ...
Quero comer biscoitos,  
Docinhos diferentes e  bolos,
Em vez de xaropes e remédios
Em vez de ir a hospitais e médicos... 
Eu quero que Deus me dê vida,
Eu quero que Deus me dê saúde,
Para fazer tudo isto... 
E ser uma velha louca!

sexta-feira, 4 de março de 2016

 Angra do Heroísmo, 4 de Março de 2016

Querida Prima Nícia:

Hoje ao acordar lembrei-me que é o dia do teu aniversário e então vieram-me à lembrança tantas recordações , tanto do que já passou, e tantos momentos que vivemos juntas na nossa meninice. Abri a caixa de fotos antigas e encontrei fotos dos teus pais, dos teus irmãos, dos casamentos e de outros momentos felizes, mas a que mais me encheu de nostalgia foi esta que te mando. Lembraste de como nos sentimos cúmplices, e ao mesmo tempo um pouco incomodadas, com aqueles vestidos tão diferentes do que usávamos no dia a dia? Recordo-me perfeitamente da azáfama da minha mãe para os fazer de um tecido mandado buscar à América, os folhos tiveram que ir à cidade, para uma senhora que tinha uma máquina especial, fazer o ajour na bainha, levavam um encaixe de tule com aplicações, e as luvas de croché vieram da ilha do Pico, onde havia senhoras exímias na sua confecção. E  assim depois dos laçarotes bem armados, ficámos prontas para a coroação, tu coroavas com os teus lindos e negros caracóis, e eu e a nossa amiga Benilde seriamos tuas pajens para te segurar a corôa. Que tempos felizes foram esses! E como o tempo voou!...
Lembro-me de que um dia estávamos a fazer os trabalhos da escola, eram  problemas com datas e numeração romana, que pediam para sabermos, quantos anos teria no ano MM, uma pessoa nascida em MCMXXV, e nós na nossa ingenuidade começámos a pensar quantos anos teríamos nessa data, 52 anos!!! E ríamos muito, porque na nossa simplicidade e inexperiência  pensávamos que esse tempo nunca chegaria, ou demoraria muito a chegar! Pois chegou e bem depressa, por sinal, e foi ultrapassado, e agora parece um cavalo, que sem freios, corre veloz! 
Durante estes anos todos, embora te tenhas afastado fisicamente, os nossos laços mantiveram-se porque temos genes comuns, e os laços de sangue são muito importantes, é por isso que me sinto feliz por ter tido muitos primos, para além de ti,  alguns dos quais já partiram, mas que me trataram sempre com muito carinho, cumplicidade e amizade, e por ser filha única sempre os considerei quer os meus primos paternos, quer os do lado materno, como meios - irmãos,  o que considero um luxo se comparado com as famílias actuais, com poucos filhos, o que fará com que os jovens não possam ter aquela cumplicidade atractiva e sentimental, a pessoas ligadas a eles por poderosos laços de hereditariedade, os primos!
Espero que visites a nossa ilha em breve, para nos voltarmos a encontrar e a reavivar as nossas experiência passadas. Quando isso acontecer, não me vais conhecer pois eu agora estou loira, para disfarçar os brancos, embora não haja nada que disfarce a idade!
Enfim, desejo-te um feliz dia de aniversário, e que contes muitos futuros aniversários, e mando-te a foto de presente, esperando que ela não se estrague pela viagem...

O Ivo manda-te os parabéns e um abraço ao José Agostinho.

Um Beijinho da tua prima Clara

PS: Não digas a ninguém que eu pinto o cabelo, pois ninguém deu isso e quero manter segredo... e não mostres esta carta a estranhos, porque desconfio que não iriam compreender, porque é que eu considero um primo como alguém de quem não podemos tirar proveito, mas mesmo assim gostamos muito, mesmo que esteja longe de nós, como tu estás neste momento, e que para mim, as melhores coisas que se podem dar às crianças não são coisas mas boas recordações!Obrigada por fazeres parte das recordações que eu tenho da minha infância! 



quarta-feira, 2 de março de 2016

A Dama vintage que viajou até aos Açores





Sempre que saio do meu quarto deparo-me com uma pequena mísula, no Hall ao subir da escada, sobre a qual se encontra este lindo busto de mulher:
- Bonjour madame! - digo eu muitas vezes.
E a cena repete-se quando limpo o pó, quando  subo a escada, quando abro a janela ...
-Que fazes tu aqui linda madame, de buraco na cabeça? De onde vieste? qual é a tua história?
Sim, porque isto de se ter uma dama em casa sem se saber quem é, não é coisa aconselhável! E eu gosto de saber quem recebo em minha casa...
Vai daí que me propus  saber algo sobre a vida daquela senhora!
Para principiar, fiquei sabendo que não se tratava de uma madame, mas de uma mrs, uma lady ou uma ms , uma headvase  vintage, isto é um vaso cerâmico para flores  fabricados nas décadas de 50/60 e meados de 70, nos Estados Unidos da América, que tinham a forma de uma mulher dos ombros para cima , usado pelos floristas para colocar os "buquês" de flores,  os quais seguravam os ramos em suas pequenas aberturas na cabeça, limitando o número de flores que cada "bouquê" levava, maximizando deste modo o negócio.
Os seus fabricantes como por exemplo " Betty Lou Nicholas", "Cerâmica Arts Studios" e "Dorothy Copley" baseavam-se em imagens de mulheres  dos filmes e revistas da época e  adornavam-nas com brincos, colares de pérolas, babados exóticos, penteados complicados,  lábios bem vincados e pestanas negras em cerâmica e outros adornos apropriados.
Com o fim da segunda guerra mundial, que trouxe um crescimento económico ao Japão, apareceu uma fonte potencial de fabricantes destes headvases, e empresas como a "Lefton China" e a "Napco"começaram a fabricar estes vasos, muito mais baratos dos que os do mercado interno. 
Por volta de 1970 a moda destes "vasos cabeça" abrandou e as empresas deixaram de produzir estas peças, que são hoje objectos  muito coleccionáveis e alguns de grande valor, especialmente os que apresentam semelhanças com Marilyn  Monroe, Jackie Kennedy e outras celebridades.
a partir daqui, é fácil perceber a história da minha linda e preciosa lady, que na bagagem e pela mão de algum emigrante açoriano, atravessou os Estados Unidos da América, embarcou em algum navio na Costa Leste ou Costa Atlântica e bem acondicionada no porão, chegou a meio do Oceano Atlântico aos Açores, mudou de ilha e de casa, estando agora segura, por uns tempos, junto de mim, e será saudada alegremente  todas as manhãs agora não com um:
- Bonjour madame, mas com um - God morning mrs. ou -God morning ms.! 





segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

A respeito de felicidade...

Às vezes, ponho-me a pensar, porque é que me considero uma pessoa feliz, chegando mesmo a interrogar-me, se em caso de querer, teria a possibilidade de encontrar a infelicidade...
O problema é que eu não quero ser infeliz, agarro-me de tal forma às boas recordações e ao que tenho de bom, no momento , que sinto assim como que uns sininos a repicar dentro de mim como que a felicitar-me pelo esforço que faço para encontrar a felicidade nas pequenas coisa que vêm até mim.
Não procuro nada de extraordinário, pois através da experiência que tenho sei que as coisas que nos dão profundo prazer e felicidade como por exemplo .a maternidade, o casamento ,o amor, também nos trazem responsabilidades e até riscos de perda , o que nos levará à infelicidade.
Portanto, não vou em voos de grandes altitudes , basta-me ser possuidora de uma rudimentar capacidade de sentir prazer em coisas simples e comezinhas da vida .
Esforço-me diariamente para valorizar a possibilidade de viver como, onde e com quem quero, a saúde, a companhia de quem gosto ou dos meus amigos, os momentos de solidão, que prezo muito, e depois a alegria dos reencontros enfim os mais variados momentos que embora simples ou insignificantes fiquem registados no meu coração como um bom momento.
O importante é ficar agradada e grata com aquilo que se tem e não esperar da vida coisas impossíveis... Não é a riqueza nem o sucesso que nos vai trazer a felicidade, mas sim a maneira como lidamos com a nossa vida, com o que temos, com os que nos rodeiam com o que nos acontece, valorizando sempre o que temos, por muito pouco que seja!