quarta-feira, 11 de novembro de 2015

LIONS - o serviço!

Se perguntarmos o que são os Lions  a resposta é simples: PESSOAS!
Pessoas? Perguntarão surpresos os mais distraídos...
Sim pessoas, mas pessoas que querem ajudar e é para isso que se juntam, uma vez por mês, para delinear trabalho, para definir objectivos.
Desta vez o alvo beneficiado foi o Hospital de Angra do Heroísmo, e com muito trabalho arranjaram voluntários, venderam bilhetes e encheram a linda sala do Teatro Angrense na nossa ilha Terceira. Estivemos lá no sábado passado e só temos a agradecer, pois para além de contribuirmos para uma nobilíssima causa assistimos a um espectáculo lindíssimo, podemos até dizer de alto gabarito.
Saímos de lá orgulhosos por termos pessoas na nossa terra que trabalham em favor dos outros de forma tão abnegada e por termos tantos artistas e de tão requintada qualidade.
Aos Lions da ilha Terceira na pessoa do seu presidente local Manuel Amaral, muitos parabéns e sincero agradecimento, pelo belíssimo espectáculo que nos ofereceram e por se esquecerem de si, pensando nos outros , bem hajam!





























As mãos do amor:


Olho as minhas mãos e vejo-as:
Grosseiras, ásperas, cansadas,
Olho as minhas unhas e vejo-as:
Baças, rombas, maltratadas...
Tento escondê-las e penso:
-Onde estão aquelas mãos
Finas, esguias e lindas
E aquelas brilhantes unhas
Rosadas e bem-tratadas?
-Aquelas mãos de menina,
Meu orgulho, meu tesouro,
Aquelas unhas de ouro...
Tudo isso já se foi,
Tudo isso é passado.
Aquelas mãos de então,
já muito, muito, amaram,
já muita massa amassaram,
já muita sopa prepararam,
Já muita mesa puseram,
já muita roupa lavaram,
já muitas tartes fizeram,
já muito bolo bateram,
já muito chão varreram,
já muita cera puxaram,
já muita erva arrancaram,
já muitos pontos deram,
Já muita mão encaminharam
E a escrever puseram,
Já muita palma bateram,
já muito, muito escreveram...
Aquelas mãos do passado 
Meu orgulho, meu tesouro, 
já muito, muito, amaram,
Já muito muito acarinharam,
já o meu pai lavaram,
já os seus olhos fecharam,
E continuam abertas 
Embora ásperas e cansadas
Para muito, muito amar
Para alegremente ajudar...
Porque amar vai muito além
De beijar docemente alguém,
Amar é agente esquecer
Que as mãos vão envelhecer
Amar é dar e amparar,
Ajudar,estar presente e  prever
Que o outro vai precisar
Das nossas mãos 
Ásperas e cansadas,
Das nossas mãos 
Grosseiras e calejadas!
 Clara Faria da Rosa
9/08/2015

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Santinho!!!

Naturalmente, pelo título em epígrafe, deduzes que te vou falar do hábito que temos de "abençoar" os espirros  dirigindo a palavra "Santinho" à pessoa que espirra, costume que vem da antiquíssima e arcaica crença popular  de que um espirro é como que o diabo a sair do corpo , daí a interjeição- "Santinho", para afastar o espírito maligno, também, e uma vez que um espirro é uma expulsão de ar do nariz e da boca, se pensava que ao espirrar-se a alma podia sair pela boca ou pelo nariz, para o evitar chamavam-se os Santinhos. Curiosidades que vêm dos nossos antepassados e que têm a sua graça se forem aprofundadas e estudadas...
Contudo, não te vou falar desse tipo de expressões ou interjeições, mas do hábito que tenho desde criança de coleccionar estampas de cariz piedoso/ religioso a que chamava santinhos, guardava-as religiosamente no meu missal, mas depois eram tantas e tão variadas que as fui compilando primeiro em caixas e mais tarde em álbuns.
Adorava e adoro estas estampas, o seu colorido, os detalhes, a sua policromia suave, as roupagens, as mensagens. Em criança fazia uma leitura diferente dessas estampas, agora distingo os fabricantes, a respectiva assinatura, a data de fabrico e o seu valor.
Claro que há estampas de tal beleza, antiguidade e valor que não chego lá,  especialmente as muito arrendas à mão a que chamam "Canivet" por serem trabalhadas  com um pequeno estilete de lâmina muito fina, mas já me contento com algumas que tenho, bastantes antigas e com arrendado mecânico à volta. 
Ao abrir os meus álbuns vejo estampas de agradecimento, de graças alcançadas, de comunhão, de repouso eterno, de festividades religiosas por todo o arquipélago e do país, vejo as estampas que a minha mãe trazia da Matriz da Praia da Vitória, quando lá  ia em romaria às sextas-feiras, lembro muitos amigos e familiares falecidos, ordenações de padres e até lembro com saudade, o velhinho Padre Gregório Rocha  no dia das suas bodas de ouro da sua  ordenação em  21/05/1966,  e o padre Lino Vieira Fagundes que celebrou bodas de oiro em Junho de 1985, lembro também a visita de sua santidade o papa João Paulo II à Terceira, isto para citar só algumas efemérides que as minhas estampas não deixam esquecer.
Fascinam-me  as originais orações específicas para cada fim, as pagelas a preto e branco enfim a história que podemos compreender e depreender através destas relíquias que fui juntando com o passar dos anos.
Velharias ... - Dirás tu!
Se te fizerem espirrar, cá estarei eu, para te dizer:
-Santinho!!!












































sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Uma história de gerações:

 Hoje estive a arrumar uma arca em que guardo toalhas que não uso todos os dias, estão mais resguardadas para dias festivos. Encontrei uma toalha de linho, da qual já nem me lembrava,  e resolvi falar-te dela porque é uma história engraçada que nos faz compreender e sentir que a vida das pessoas é como que um tapete em que os fios se entrelaçam fazendo belos desenhos e, se tirarmos alguns fios o desenho deixa de fazer sentido, assim como a vida não faz sentido se vivermos isolados sem pensar nos outros...
Esta história remonta aos finais do século  XIX quando os bisavós maternos do meu marido emigraram para os Estados Unidos da América onde trabalharam por largos anos e onde lhes nasceu uma filha, ao regressarem fixaram residência na freguesia do Raminho onde a menina, Chamada Maria, se fez mulher e constituiu família. Sendo muito trabalhadora e prendada, dedicou-se a vários trabalhos manuais e cultivou linho para fazer os seus trabalhos, isto na década de trinta do século passado, mais tarde, na década seguinte, a sua filha Angelina, mãe de meu marido, fiou esse linho, para vários fins, tendo feito uma toalha que me ofereceu, isto já no século XXI. Então resolvi bordar a toalha  a ponto de grilhão e  registar na própria esta história que documenta o facto importante das pessoas fazerem planos a longo prazo como se fossem viver para sempre! Afinal comemos frutos de árvores que foram plantadas pelos nossos antepassados...
Li algures que o Mundo só é uma selva para os que querem saquear e destruir mas ele pode transformar-se num jardim se soubermos e quisermos plantar e regar...

1935-1940
Maria semeou,
Angelina fiou,
2007
O tempo passou,
A Clara bordou!

E cá está, posta na mesa, a minha histórica e quase centenária toalha, à espera que venhas tomar um cházinho comigo, os bolinhos hão-de aparecer!