domingo, 23 de agosto de 2015

O que é a meia- idade...

Fazer-se o que se entende:

Não é segredo para ninguém que fiz anos no passado dia 12, pois fiz questão de o apregoar bem alto e fui parabaneada por amigos, conhecidos e familiares, recebi alguns presentes, enfim, passou-se o dia. Contudo,  com esta história dos meus anos tenho meditado mais no assunto e para me consolar penso  que a idade é como o whisky, quanto mais velho melhor e que os móveis antigos são os mais valiosos.
Tretas! A verdade verdadinha é que segundo várias cabeças pensantes meia-idade é:
"Quando tudo começa a estalar: cotovelos, joelhos e pescoço".
"Quando percebemos que nunca viveremos o suficiente para experimentarmos todas as receitas que passámos os últimos 30 anos a compilar".
" Quando é não só mais tarde do que pensamos, mas mais cedo do que imaginamos".
"Quando estamos perante duas tentações e escolhemos a que nos leva para casa mais cedo".
E pronto, está tudo dito, resta viver conforme se puder !
O que eu te posso dizer, por experiência própria, é que nunca atingimos a idade de fazermos o que bem entendermos, há sempre algo que nos condiciona!!!:

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Faz hoje quatro anos...

A ausência que aumentou a amizade

No início da década de sessenta, tinha eu já feito o ensino primário, o chamado ciclo preparatório e estava a frequentar o Curso de Formação Feminina na querida e extinta Escola Industrial e Comercial que funcionou nesta cidade entre 1885 e 1978. Era um estabelecimento de ensino técnico/profissional, tendo sido a 1ª escola deste tipo a existir nos Açores e formado muitos operários  especializados e técnicos comerciais e industriais, oferecendo também cursos de Formação Feminina. Esta escola secundária funcionou no palacete do Comendador Silveira e Paulo ou Palacete dos Africanos situado ao cimo da Rua do Galo, junto à igreja de Nossa Senhora da Conceição e foi integrado no Liceu de Angra do Heroísmo por força de um Decreto de Abril de 1978.

 

Pois foi , portanto, este estabelecimento e este curso que eu frequentei antes de ingressar na escola do Magistério Primário de Angra, pois o meu sonho era ser professora mas os meus pais,  especialmente a minha mãe, mais atenta a estas coisas, entenderam que frequentando primeiro este curso ficava com mais competências e mais preparada para a vida. E em boa hora o fizeram pois eu senti-me muito feliz nesse período da minha vida. Adorava o lindo edifício para onde me dirigia todos os dias, que comparado com a simplicidade das casas rurais   da minha freguesia era uma coisa sumptuosa e gostava e respeitava  todos os meus professores e colegas que se foram tornando amigas e factores de satisfação e confiança na minha vida. Sei que é humanamente impossível dizer quando começa uma amizade, contudo o facto de ter sido aceite pelas minhas colegas de turma com delicadeza, carinho e tal como era , foi para mim um elogio e um factor de satisfação que me deu coragem e força para continuar a caminhada.
Nunca somos suficientemente ricos que possamos viver sem um amigo e eu era rica e feliz com aquelas amigas!
O tempo foi passando, cada uma foi para o seu lado, seguindo o seu destino, algumas já partiram desta vida, outras emigraram,  mas a ausência não fez diminuir a amizade, aumentou-a porque era autêntica e genuína tal como o vento que apaga a vela por ser  fraca e ateia os fogos  que são fortes.
Pois uma dessas amigas, radicada na Califórnia, Maria da Conceição Dias da Silva, esteve de passagem pelos nossos Açores e pela nossa cidade, faz quatro anos, e nós quisemos dizer-lhe isso mesmo, que a amizade e admiração aumenta com a distância quando é verdadeira, reunimo-nos com ela, a almoçar, num restaurante da nossa cidade e passeamos pela nossa marina, despretensiosas, despreocupadas e alegres como se fossemos as adolescentes de então.
Antes porém ao almoço dissemos à amiga Conceição que:

 Amizade:


Amizade é brisa suave,
Que ultrapassa os verdes montes,
Atravessa mares e oceanos
Palmilha Planícies e vales
Resiste ao tempo, aos anos…

Amizade é vento forte,
Que abana os mais distraídos,
Lembrando os tempos passados
Na cumplicidade vividos,
Com nostalgia recordados…

Amizade é um vento húmido,
Que entranha todo o nosso ser,
Transformando a ausência em presença,
E nos faz de saudade estremecer,
Envolvendo o amigo na lembrança…

Amizade é ventania,
Que ao passar do tempo resiste,
À Distância que a vida obriga
E à ausência que existe
E faz da saudade cantiga...



Esta nossa amizade,
Foi brisa suave,
Foi vento forte e húmido
E ventania….

Resistiu ao tempo,
À ausência,
À distância
À Vida…

E trouxe-nos este belo momento
Que não queremos esquecer…
Guarda-lo-êmos no pensamento
Enquanto pudermos viver!!!


Pois foi isto que dissemos à amiga Conceição Dias da Silva, por entre comoção e algumas lágrimas, com um pedido do grupo para voltar  para podermos, mais uma vez, estar com ela numa tarde tão agradável com a que vivemos naquela tarde de 2011!
A nossa colega e amiga Conceição Dias em 1963, antes de emigrar:




Se Maluda tivesse vindo à Terceira

Se  Maluda tivesse vindo à Agualva na Ilha Terceira ...
Fui à abertura das festas da Agualva, e dei por mim a  Pensar na Maluda, pintora muito premiada e admirada, nascida em 1934 em Goa na Índia quando ainda era   possessão portuguesa Tendo vivido a Partir de 1948 em  Maputo onde começou a pintar.
Viajou depois para Portugal onde começando a interessar-se pelo retrato e pela paisagem urbana. A Partir de 78 dedicou-se à temática das janelas procurando utilizá-las como metáfora da composição público privada, acabando por falecer em 1999 com 64 Anos.
Esta pequena biografia fui Pesquisá-la à Wikipédia porque não conhecia estes pormenores da vida da grande pintora, o que conheço muito bem são as reproduções dos seus trabalhos sobre as janelas que adoro e foi por isso que dei por mim a pensar na artista e a dizer  com com os meus botões:
Se Maluda tivesse  estado cá, teria de certeza, pintado esta Janela Agualvense !!!

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Lentidãodesalmadaeirritante....

Alguémmeexplicaporqueseráquequandoestouaocomputadorecommuita pressaeleficalentoeirritantedestamaneira???

Se os Portugueses fossem como os lhamas...

Lhamas ou lamas são mamíferos ruminantes da América do Sul pertencentes à família dos camelídeos. Têm pelagem longa e lanosa e são domesticados para utilizar no transporte de cargas e na produção de lã, carne e couro. Vivem nas cordilheiras dos Andes, onde a temperatura é muito baixa, sendo protegidos pela sua pelagem que também os protege de arranhões e de outros ferimentos, são animais calmos, andam devagar mas irritam-se facilmente.
A informação que escrevo acima fui-a procurar na Wikipédia, agora o que não diz lá, e que eu já sei há muito tempo, é que são animais interessantes e curiosos porque aceitam carga até 60 kg., mas exigem respeito por esse limite, quando se vêem sobrecarregadas sentam-se e ficam impassíveis, recusando-se a trabalhar, se forem forçadas ou se lhes baterem, desatam aos coices e cospem os agressores, muito ressentidas e furiosas.
Animal inteligente, que nos leva a pensar que se os portugueses fossem como ele, já há muito que estariam aos coices contra as pessoas que lhes atribuem tão pesada carga de impostos sobre os seus salários e outros  rendimentos !
Ora tomem, senhores governantes !!!

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Frascos de "Pharmácia"

Nos finais do séc. X apareceram, em alguns conventos em França as " Apotecas" ou " Boticas", tetravós das farmácias actuais, as quais guardavam o respectivo material em caixas de couro ( ervas e plantas), em potes de estanho (Gorduras, pomadas e unguentos), recipientes de ferro (óleos medicinais) e vasilhas de cerâmica ( vinhos e vinagres). Mais tarde estes recipientes foram substituídos por recipientes de majólica e porcelana, surgindo com o tempo frascos de vidro de vários tamanhos, alambiques , funis, o frasco de medidas, serpentinas, retortas, filtros, peneiras,  e prensas para extrair o sumo das plantas.
Claro que esta evolução levou séculos e estes apetrechos confinavam-se  às boticas dos conventos e eventualmente das casas reais, só muito mais tarde , ao longo do séc. XIX, um período da história que se caracteriza pelo avanço tecnológico, intelectual, pela elegância e romantismo e no início do séc. XX, houve enorme evolução em toda a Europa, em especial em França dos fármacos que eram então guardados em bonitos frascos de vidro, devidamente rotulados.
Ao longo do tempo, fui comprando alguns desses frascos, com o intuito de decorar uma casa de banho, não tendo noção de que eram objectos de colecção, muito procurados e com algum valor. Aqui estão alguns deles:


 

Sonhar acordada:

Sempre achei que sonhar acordada não faz mal a ninguém. Aliás, sou muito de sonhar acordada, o pior é quando acordo e dou por mim com a realidade nua e crua! A maioria dos meus sonhos são de carácter remoto, difíceis de realizar:
Ora sonho fazer um cruzeiro à volta do mundo, vendo-me sentada no convés do navio,tomando um delicioso refresco, protegida por um lindo e elegante chapéu de grandes abas, ora sonho publicar um livro de memórias, caindo depois na realidade e concluindo que não tenho nada de relevante para contar e ninguém estaria interessada no que eu eventualmente contasse. No entanto, a força do hábito é um mal de difícil cura e hoje voltei a sonhar acordada, sentada à mesa, à hora do almoço.
Tendo homens de trabalho para almoçar, resolvi logo pela manhã, fazer uma suculenta sopa e um arroz que acompanharia torresmos, comprados na Salsicharia Pavão, que fica aqui perto.
O problema foram os torresmos todos XPTO, como diz o meu filho, muito bem acondicionados numa caixa de plástico rectangular.
Antigamente, sonho eu, no dia da matança do porco era uma alegria, e no outro dia uma abundância de torresmos em grandes pratos de barro que a minha mãe acondicionava nas gordureiras e cobria com banha fervente e borbulhante e como não havia frigoríficos nem arcas congeladoras a carne era acondicionada e salgada em grandes salgadeiras e assim tínhamos carne para todo o ano. A minha mãe separava as partes do porco conforme a finalidade que lhe ia dar, assim como os torresmos uns para o Carnaval outros para o Natal etc. etc. etc. E que bem que sabiam e que delicioso cheiro se desprendia do negro panelão de ferro que derretia as carnes para os torresmos!
- Então não se come- diz o meu marido - e lá acordo eu do meu sonho e almoçamos porque homens que trabalham duro têm sempre fome!
A verdade é que o meu nostálgico sonho tem uma certa razão de ser é que vivemos num tempo de muitos saberes, muitas evoluções, muito racionalismo mas de sentir pouco. Na história da matança do porco, de que te acabo de contar um pequeno pormenor, há paz , segurança e tranquilidade e até mesmo, quanto a mim, uma certa dimensão espiritual.



Caridade...

Não sou a Madre Teresa de Calcutá...

Preciso ser mais caridosa, devo ser mais caridosa, tenho que ser mais caridosa. Aliás, precisamos, devemos e temos todos que ser mais caridosos.
Mas, há sempre um mas, nestes últimos tempos tenho sido pouco caridosa, pouco paciente, tenho andado mais cansada e "salta-me a tampa" muitas vezes, confesso, especialmente quando vejo injustiças e as pessoas a quererem passar por cima dos outros, desvalorizando-os e fazendo tábua rasa do valor, da sabedoria e do esforço dos mesmos, esquecendo que:

Caridade:

-É o silêncio, quando as nossas palavras podem magoar.
-É a paciência, quando o nosso vizinho é brusco.
-É a surdez, quando rebenta um escândalo.
-É a consideração, quando os outros são atingidos pelo infortúnio.
-É a prontidão, quando o dever nos chama.
-É a coragem, quando a fatalidade nos visita.

Concordo, concordo, concordo, mas muitas vezes não consigo!
Que diabo, não sou a Madre Teresa de Calcutá!

domingo, 16 de agosto de 2015

Eu era rica e não sabia!!!

Fui à minha casa das Lajes, a casa dos meus pais, e encontrei na casa de arrumos, as medidas o alqueire ou  rasoira, como o meu pai dizia, e só agora percebo a razão do termo rasoira.

Sendo  o alqueire ou rasoira uma unidade de medida para secos, feijão, milho, trigo, tremoços, farinha etc. esses mesmos produtos tinham que ficar rasos, na medida certa, para que a equivalência fosse correcta.

A palavra alqueire é uma palavra de origem árabe como alcatra, alfenim, alguidar etc.  e este objecto ou medida de madeira era, em tempos idos, muito usado, de tal maneira que estas medidas de que te falo, não são objectos para turista ver, estão muito gastas, como podes ver pela foto que te mostro, e algumas têm falta das pegas a que o meu pai chamava orelhas.
Oficialmente esta medida  "Alqueire" foi padronizada  pelo Marquês de Pombal em 1755 , após o terramoto, em 13,9 litros e divide-se em meio alqueire, quarta e meia quarta.
Só recentemente se fala em litros e quilos e já não se usam estas caixas para medição.
 No momento em que as toco para as limpar e restaurar, na medida do possível, o meu pensamento leva-me à minha infância, vejo o meu pai a semear o trigo e o milho, vejo estes cereais crescerem, o dia de ceifar o trigo e as desfolhadas que se faziam no nosso quintal, ouço o chiar do carro de bois carregadinho de molhos de trigo a caminho da debulhadora,  e vejo  sacos de trigo, como os da 
foto, empilhados a um canto donde a minha mãe ia tirando o suficiente, que media nas "rasoiras ou maquias " cuja foto mostro, para o moleiro levar e transformar em farinha, ficando o sobejante para a sementeira do ano seguinte.
Lembro a minha mãe, toda empoada, peneirando a farinha para fazer o pão que amassava, de mangas arregaçadas, em alguidares de barro sobre rodelas de trabalho louco, que fazia aos domingos , sentada no canto do estrado, e lembro o cheiro do pão quentinho ao sair do forno, que a minha mãe abafava  com os abafadores, também feitos por ela, para que o pão ficasse muito maciinho, como  dizia .
Então dou por mim a pensar:
- que infância feliz eu tive!
Não sabia o que era pão de forma, nem pão bimbo, nem padeiros, nem padarias, nem pastelarias, mas sabia que podia contar com o trabalho e o amor dos meus pais, que não estavam preocupados com a inflação, nem com a descida dos ordenados,  nem com os impostos, mas sim com o seu trabalho, pois sabiam que se tivessem saúde, pão não nos faltaria na nossa mesa...
Eu era rica e não sabia!!!


sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Tourada no porto de São Mateus:

13/08/2015
Chegaram ao porto os toiros. Os foguetes subiram no ar em grandes e estrelados estoiros: - Pum!Pum!Pum!---
O povo apareceu e, como que por magia, logo se juntou enorme, colorida e barulhenta multidão. Não era um ruído desagradável, mas sim um ruído característico, peculiar, tradicional, que aos ouvidos dos terceirenses soa a música...
O rapaz dos cestos faz o seu trabalho e alguém chama:
-Eh, rapaz, que tens aí?
-Favas, pipocas, batatas e milho torrado...
-Olha o toiro, foge rapaz!
Lá foi o desgraçado, veloz, lampeiro mas não o suficiente... o chão ficou pejado dos pequenos sacos da sua mercadoria e logo todo se chegaram para ajudar.
Os pastores de camisão branco, com o logótipo da ganaderia para a qual trabalham, calças de cotim, e chapéu de abas, de feltro preto, agarravam a corda e orientavam o toiro, no sentido de não ir para além do percurso estipulado e marcado na estrada, com largas faixas brancas, homens valentes, que por vezes, também passam os seus sustos...
Os capinhas apareciam sem se saber de onde, e eram aplaudidos pela sua valentia e os rapazes eram agarrados à força, levados pelos amigos para a água. Uma brincadeira que já é tradição e muitos deles já vão preparados e a contar com isso e nadam junto do touro, que entra na água e se espaneja a gostar daquele banho refrescante
No ar havia um cheirinho peculiar às bifanas e aos outros petiscos da tascas, e o céu, a terra e o mar conjugaram-se para que aquela tarde de tourada fosse perfeita.
Não faltou nada, até as mulheres nas tapadas davam gritos histéricos de aflição quando um capinha, mais afoito, corria certo perigo!
São assim as touradas à corda na ilha Terceira, Açores, onde à roda da ilha, que é mais ou menos redonda se podem apreciar em canadas, portos, areais, largos e ruas , umas mais afamadas do que outras mas todas ocasião de divertimento, convívio e catarse das labutas e canseiras do dia a dia, assim como um grande contributo para a economia da ilha.