quarta-feira, 24 de junho de 2015

À procura da luz:

Marchas de São João em Angra do Heroísmo





Hoje é dia de São João. Por ter nascido a 24 de Junho em  todo o país se festeja este santo popular que nos transmitiu a mensagem de que "Devemos mudar os nossos rumos para encontrar a luz". Daí a tradição de se fazerem fogueiras nesta noite, penso eu.
Longe vão os tempos em que eu , na minha freguesia natal, hoje Vila das Lajes, costumava saltar as fogueiras,na noite de São João, nas proximidades da minha casa, na Aldeia Nova, com as minhas amigas dando vivas a este santo. Penso que esse hábito de se fazerem fogueiras tem a ver com a procura da luz que este santo aconselhava e ainda sinto nos meus ouvidos os vivas a São João que ecoavam naquelas noites da minha infância e juventude assim como o calor que emanava das labaredas que se confundia com o prazer das brincadeiras e com a camaradagem meiga, desinteressada e pura que então se vivia. Quem viveu tal experiência certamente perceberá o que aqui tento transmitir embora mal, porque há certas emoções que só o muito talento consegue descrever.
Agora está tudo diferente e fazem-se marchas para aclamar o santo e as pessoas que não marcham  assistem ao respectivo desfile participando com as suas palmas e o seu apreço.
Deste modo, esta noite,  assisti, na rua da Sé, em Angra do Heroísmo,até às 3 horas da manhã, ao desfilar de 27 marchas que festejavam o São João, cada uma diferente da outra no tema, colorido, música e coreografia, mas todas bonitas na sua diversidade e alegria que contagiava quem apreciava o desfile e se esquecia dos seus problemas e dores. Durante várias horas não houve lugar para tristezas nem lamentações, houve isso sim , uma vontade enorme de viver em plenitude a festa porque há que viver as oportunidades  visto que esta vida são dois dias e este já vai na conta, portanto toca de ver as marchas ou, em falta delas. as fotos que mostro as quais não ficaram muito boas porque o lugar onde eu estava não permitiu melhor. É só  apreciar!















terça-feira, 23 de junho de 2015

O talento de um bom vitrinista!






Passeava eu, na baixa de Angra do Heroísmo, quando me deparei com esta montra  na "Venda Açoriana", uma iniciativa da Sociedade para o Desenvolvimento Empresarial dos Açores,e da Câmara do Comércio e Indústria  dos Açores, onde estão representados e à venda inúmeros produtos oriundos de todas as ilhas dos Açores, que  me fez parar e observar com atenção a arte do decorador, sim, porque para se ser vitrinista é preciso ter preparação, sensibilidade e arte!
Na verdade, esta montra estava decorada com muita simplicidade, mas uma simplicidade requintada e  apelativa. Aproveitando a beleza dos nossos bordados,  foi feito um vestido de noiva com uma linda toalha de mesa bordada com recorte, ilhoses e abertos (Richilieu), que serviu para a saia e o corpo  com os guardanapos. A decoração tinha tudo a ver com o tipo de estabelecimento, com o tipo de materiais existentes e com a época  que se atravessa e com a chamada de atenção que se queria implementar junto dos visitantes para o valor do produto em causa, os bordados açorianos...
Isto é que é arte e saber em vitrinismo.
Um aplauso!

segunda-feira, 22 de junho de 2015

São João, santo festeiro:



Esta é a imagem de São João que todos os anos regressa à esquina da rua da Sé com a rua com o nome do Santo, isto em Angra do Heroísmo, Terceira Açores. É o Patrono das festas que estão a decorrer com um vasto programa as quais, por tradição, festejam o   solstício de Verão, que tem lugar a 21 de Junho e é celebrado até ao fim do mês, é o momento em que, segundo os estudiosos, o Sol perde o controlo e atinge o máximo da sua força. Nessa noite a ordem das coisas é alterada e tudo pode acontecer... 

 São João,  segundo São  Lucas, foi o precursor de Cristo, tendo sido a voz que clamava no deserto, anunciando a vinda do Messias. Filho de Zacarias e Isabel, só mais tarde, depois de ter baptizado Jesus é que recebeu o cognome de "O Baptista". No calendário religioso está-lhe reservado o dia 24 de Junho por ter sido o dia do seu nascimento. Tem o titulo de santo festeiro por isso há muita festa no seu dia em especial muita dança, daí as marchas com o seu nome
Em Lisboa compram-se manjericos, cravos, alhos-porros e martelinhos para bater nas cabeças de quem se encontra, naturalmente para os manter bem acordados para a folia. Comem-se sardinhas assadas, saltam-se fogueiras, enchem-se e largam-se balões, fazem-se concursos de janelas alusivas ao S. João,  e marchas populares em vários locais do país querendo destacar aqui o que se passará  em Angra do Heroísmo, ilha Terceira, a minha cidade na noite de 23 par 24 
A noite de S. João, com as tradicionais marchas dos adultos e a noite seguinte com as marchas das crianças serão, em Angra do Heroísmo, duas noites de magia, cor alegria, criatividade, pedagogia, arte e são convívio que dificilmente se pode explicar por palavras, só vendo, vivendo, sentindo, presenciando se pode ficar com a ideia do que se passará que impregnará a alma da multidão presente da alegria atribuída a este santo.
Vem até cá amigo/a, estás convidado!


domingo, 21 de junho de 2015

Baile de roda:

As Sanjoaninas da Terceira
Ai, são um baile de roda,
Em que todos em fileira
Ai, dançam  a mesma moda.
Nas Sanjoaninas da Terceira
Ai, tudo  de mão dada dança, 
E Angra é um palco de primeira
Ai, onde impera a esperança.
As sanjoaninas da Terceira
Ai, são música, canto e alegria, 
E é assim desta maneira
Ai, que se vive a fantasia.
Ai, eu quero ouvir as vozes da Terceira,
Ai, eu quero ouvir os sons da Terceira,
Ai, eu quero viver na Terceira,
Ai, eu quero morrer na Terceira,
Ai, eu Tenho Esperança 
De que a fantasia,
Ai, não acabará na Terceira!
De que a fantasia, 
Ai, viverá nas Sanjoaninas!

Clara Faria da Rosa
21/Junho/1015
( fotos - desfile das Sanjoaninas 2015/A. do Heroísmo, Terceira, Açores)
























sábado, 20 de junho de 2015

Desfile de abertura, Sanjoaninas 2015

Cá estamos nós à espera do desfile de Abertura das Sanjoaninas 2015, fomos bem cedinho para apanharmos lugar nas escadarias da Sé Catedral de Angra do Heroísmo, não nos importamos de esperar, pois valeu a pena, a noite estava maravilhosa, a baixa da cidade transformada em salão de festas era um mar de gente e o cortejo fez-nos sonhar, transmitiu-nos beleza e magia com os carros muito requintados mas com subtis apontamentos que nos lembravam a emigração e tudo o que ela representou para os que foram e para os que ficaram.
E lá ia o chefe de protocolo jovem e bonito como só os jovens podem ser com a sua mala e viola da terra numa alegoria ao tema do cortejo, e as damas das comunidades elegantíssimas na sua simplicidade e a camareira altaneira e os baús de roupas que alegrava , ao tempo, famílias inteiras e os "candins" e o Senhor Espírito Santo, na despedida do emigrante, como que a abençoá-lo e a coroa lindíssima que albergava a representante das comunidades, uma noite para não esquecer, pena tudo passar tão depressa...
Sinto, em alturas como estas, tanto orgulho de ser terceirense e nas pessoas que têm capacidade de criar maravilhas como as que ontem à noite desfilaram na nossa cidade!

E a rainha desfilou!

E a rainha desfilou, linda, sumptuosa na sua majestade, saudando as pessoa que a aplaudiam com descontraída alegria, numa pauta de música rodeada por notas e acordes de John Philip de Sousa inventor do Sousafhone que terminava o carro e do qual o seu inventor brotava, como que por magia, maestrando a banda de São José da Califórnia. Genial!

Velha louca:

EU QUERO:

Eu quero ser uma velha louca,
E  comer  doce algodão,
Seja no Inverno ou Verão...
Eu quero  boleia pedir,
Sem algum pejo sentir, 
A carros lindos, encarnados, 
Para destinos imprevistos...
Eu quero jogar no quintal à bola,
Apanhar maçãs às escondidas, 
E  no fundo da mala guardá-las, 
Eu quero brincar com a bengala...
Eu quero  alegremente viver,
Eu quero com força dançar,
Eu quero desafinadamente cantar, 
Ao som da antiga vitrola...
Quero subir às árvores, 
Para brindar à vida,
E tomar chá com minhas amigas, 
Em lindas e raras chávenas... 
Quero estar rodeada
Até ao fim da jornada
De todos os meus livros,
De todos os meus amigos,
De todos os que me são queridos ...
Quero comer biscoitos,  
Docinhos diferentes e  bolos,
Em vez de xaropes e remédios
Em vez de ir a hospitais e médicos... 
Eu quero que Deus me dê vida,
Eu quero que Deus me dê saúde,
Para fazer tudo isto... 
E ser uma velha louca!