quinta-feira, 18 de junho de 2015

Uma ferra diferente:

Novas mesas e bancos no Império de Bicas de Cabo Verde:
A palavra FERRA (acto de marcar com um ferro as iniciais ou o escudo do ganadero proprietário de um animal na anca direita, e na espádua direita o nº de ordem do respectivo animal) tem grande expressão na ilha Terceira, Açores, visto esta ser uma terra de ganaderias que costumam marcar, isto é, ferrar os seus animais, actividade que se reveste sempre  de muita festa e convívio.
A palavra ou expressão é de tal modo corrente por cá, que se estende a outras actividades como no caso de que te vou dar conta:
A comissão de festas  do Império de Bicas de Cabo Verde, São Pedro de Angra do Heroísmo, do ano 2014, após ter feito o balanço das respectivas actividades, resolveu apetrechar a dispensa do Império com novos  bancos e mesas para as futuras funções, visto que os existentes se mostravam insuficientes em determinadas alturas. Se bem o pensaram, melhor o fizeram, após o que resolveram marcar as novas peças com o logótipo usado naquele ano de 2014 , e vá de fabricar um ferro e de marcar uma data para a FERRA. Claro que ferra sem festa, na ilha Terceira não existe,  fez-se então  um churrasco e conviveu-se,de forma sã e descontraída, porque a alegria de se projectar algo, tem o seu auge, quando se atinge esse objectivo e só se progride quando se encaram os problemas e a vida de frente!





 












































 



quarta-feira, 17 de junho de 2015

O meu grande sonho


Eu sonho fazer um cruzeiro
Usando um chapéu abeiro 
Visitar praias e cidades
E exóticas localidades...
Eu sonho viajar pelo mundo
E conhecer tudo a fundo
Gentes, povos e raças
Construções e suas traças...
Eu sonho  as culturas estudar
E  em aventuras participar
Inéditas, loucas e excitantes 
Mas com experiências constantes ...
E quando eu pelo mundo andar
E no convés do navio me sentar
Com meu lindo chapéu abeiro
Protegida num sombreiro...
Beberei refrescos diferentes
Meus olhos ficarão brilhantes
Pensando que o mundo é aquilo
E que lá fora tudo está tranquilo...
Sem guerras, fomes ou dores 
Sem ódios, invejas ou mortes! 
Porque o meu chapéu abeiro
Mudará o mundo inteiro!!!
Clara faria da Rosa
17/6/2015

FÁTIMA GARCIA

Um grande abraço de parabéns para a nossa amiga Fátima Garcia


Salvé 17/06/2015

Amiga:


Mando-te um grande abraço
de parabéns e felicidades,
Que tenhas sempre um espaço
P' alegria e amizades..
___
Hoje é um dia de festa
É um dia para lembrar
O passado que empresta
Recordações para guardar!
___
O que for bom guarda bem
Esquece o desagradável
E vive como convém...
De uma forma amigável!
___
Da Clara vai um beijinho
Da família extensivo
E vai também um raminho
Neste dia bem festivo...

terça-feira, 16 de junho de 2015

As varandas da cidade de A. do Heroísmo

Nas ruas da nossa cidade
das varandas arrendadas 
espreitam lindas  petúnias
frescas, lindas perfumadas!
Nas ruas da nossa cidade 
as varandas preservadas
olham para as ruas calcetadas
Que contam muitas histórias! 
Nas ruas da nossa cidade
há varandas requintadas
onde nossas antepassadas 
apareciam recatadas!
Nas ruas da nossa cidade
Nas varandas rendilhadas
debruçam-se lindas damas
que rivalizam com as petúnias
que de pudor ficam coloridas!
Se eu nas ruas da nossa cidade
Tivesse varanda rendilhada
Estava sempre debruçada
Orgulhosa e muito prezada
de tanta riqueza herdada!














sábado, 13 de junho de 2015

14 de Junho Vila das lajes em festa

A Vila das Lajes

 Localidade que me viu nascer em 1948, à altura freguesia, faz parte das freguesias do Ramo Grande, no concelho da Praia da Vitória, Terceira, Açores.
 Pelas suas pedreiras escuras e porosas, donde foram extraídas grandes e numerosas cantarias aplicadas na construção de casas, igrejas, ermidas, poços e ladrilhos na freguesia e arredores, adquiriu este nome, LAJES.
Nesta freguesia predominava a agricultura com especial incidência para a cultura do milho e do trigo pelo que se denominava o celeiro da ilha. Ainda tenho presente na memória o chiar dos carros de bois carregados de molhos de trigo a serem transportados para as debulhadoras. O trigo assim como as lajes estão representados na sua heráldica como se pode ver no brasão aqui inserido. Grande parte dos terrenos onde se faziam essas culturas, no lugar das Bugias, foram expropriados para aí se construir a Base aérea das Lajes.
Possuindo, na localidade, uma casa que era pertença dos meus pais, passo por lá muitas vezes tendo, numa delas,  revisitado calmamente a igreja datada de 1546, onde me baptizei , crismei e casei, onde frequentei a catequese no tempo do saudoso padre Gregório Rocha, lembrado numa lápide existente na casa dos Espínolas, junto à igreja. Volvido muito tempo, observei este templo com outros olhos, apercebendo-me de pormenores que à data me escapavam .
Pela janela do baptistério entrava uma réstia de luz que me transmitia uma sensação de calma e paz. Os andores esperavam ser decorados para a procissão que se faria no primeiro domingo de Outubro, São Miguel Arcanjo estava sem asas e a Senhora do Rosário assim como o menino estavam despojados dos respectivos  rosários, Santa Teresinha já segura ternamente o seu ramo de flores, São Pedro Já comanda o seu barco, São Sebastião encostava-se à árvore onde seria sacrificado, o porquinho dormia junto a Santo Antão, São José segurava ternamente o menino e pairava no ar um clima de preparação, limpeza e ordem que me segredava que quando chegasse o dia e a hora, tudo e todos estariam a postos!

Foi esta postura, creio eu, calma, serena e ordeira, transmitida pelos inquilinos da igreja lajense, que   contagiou os lajenses tornando-os fortes, ordeiros, competentes, voluntariosos, lutadores, contornando obstáculos que levaram a sua freguesia ao patamar em que hoje se encontra que lhe  permitiu guindar-se à categoria de vila, o que muito honra a sua população  que está festejando o aniversário da sua elevação a Vila das Lajes que gostosamente saúdo!

Dia de Santo António:

Hoje é dia de Santo António, e ontem celebraram-se , com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa Os casamentos de Santo António.
Nascido a 15 de Agosto de 1195 , diz-se protector dos pobres, auxiliar das coisas e pessoas perdidas e amigo nas causas do coração , sendo por isso que se celebram os casamentos em sua honra.
Nascido numa família abastada, foi baptizado com o nome de Francisco, mudando de nome ao entrar para a ordem Franciscana.
Foi para Marrocos onde adoeceu gravemente tendo sido, por isso, obrigado a regressar a casa, no entanto, uma grande tempestade obrigou-o a aportar Sicília, na Itália, onde entrou na ordem de Assis tendo conhecido S. Francisco de Assis, seu mestre e inspirador.
Começou a pregar tornando-se num grande e inspirado orador, de tal modo que as suas pregações chegavam a alterar a rotina das cidades onde pregava.
Pregando chegou a Pádua,
morrendo no convento de Santa Maria de Arcella às portas dessa cidade, com 36 anos de idade, no dia 13 de Junho, tendo sido mais tarde, transladado para a Basílica de Pádua.
Dedicou-se ao serviço de Deus e dos pobres, pelo que uma das tradições mais antigas, em sua homenagem,consiste na distribuição de pães aos necessitados, em sua homenagem como se fazia e penso que ainda se faz, junto à ermida com o seu nome, no sopé do Monte Brasil, em Angra do Heroísmo, Terceira, Açores.

Santo António o auxiliar nas causas e coisas perdidas

 13 de Junho-dia de Santo António:
Uma broa para Santo António,
Quando eu era criança, havia o hábito de solicitar a ajuda de Sto.António
no caso de se ter perdido alguma coisa, na ocasião, prometia-se uma esmola em louvor do santo que se colocava em cima do muro, junto à nossa casa, caso a graça fosse concedida e o objecto perdido aparecesse.
Normalmente era um pão de milho (broa) que era levado por qualquer pessoa que passasse e que conhecia o hábito.
Eu ainda faço isso, mas a maioria  das pessoas, infelizmente, desconhece essa tradição e bastas vezes ficam até  desconfiadas quando vêem um pão assim abandonado.
Embora este hábito esteja em desuso, deixo aqui esta broa para que santo António encontre a esperança aos portugueses e governantes capazes de levarem este pobre país a bom rumo. 

Tourada à corda na ilha Terceira:


A tourada à corda é uma das tradições culturais que se manifesta com maior evidência na ilha Terceira, Açores. Essa manifestação repete-se anualmente num ciclo compreendido entre Maio e  Outubro e, para além de divertimento é também fonte de receitas  que abrangem várias áreas desde a criação de gado bravo, cujos ganaderos cobram um preço variável, por corrida, conforme a bravura e a fama dos touros, por tourada, à gastronomia pois é sabido que, lugar onde há tourada é lugar de festa nas casas  que compreendem esse percurso cujos donos aproveitam para convidar familiares e amigos para o 5º touro, isto é, para um alegre convívio no intervalo e no fim da tourada, onde não faltam bons e variados petiscos.
Vive-se um clima especial de cores, cheiros, amizades, convívios e alegres burburinhos que só vivendo se pode compreeder .
Por ano realizaram-se nesta ilha cerca de  250/300 touradas as quais geram um benefício económico de cerca de um milhão de euros , segundo um estudo do professor universitário Tomás Dentinho, economista, isto é a diferença entre os custos do espectáculo e os gastos efectuados.
Mas o que é certo é que as pessoas não pensam nestas coisas, deixam as contas e os assuntos sérios para os estudiosos e lá vão, crianças, novos e velhos, para a festa , porque a vida são dois dias e este já vai na conta e se se há-de gastar dinheiro no psicólogo, curando depressões, gasta-se na tourada  e chama-se o rapaz dos cestos, que apregoa guloseimas, gelados e aperitivos e vai-se bebendo uma fresquinha.
- Olha mais, Olha mais, Olha os salgadinhos!!!
Pum! - Estala O foguete,!
- Safa-te rapaz , Olha esse toiro..
- Ai Jesus, credo, que ele morre ali !
- Olé, Olé! Que belo Passe de guarda-sol!!!
 E muito mais haveria a dizer só que não tenho tempo, estou a preparar alguns petiscos, para o quinto touro, logo à tarde!

Manhã de Quarta-feira,
 10 de Junho de 2015










Tourada à corda nas Bicas de Cabo verde:

 Na passada Quarta-Feira foi dia de tourada junto à nossa casa, é sempre um dia de muita alegria e de grande reboliço, convidamos amigos que aparecem e entre eles entram muitos mais que,embora não convidados formalmente,são sempre bem vindos. A tourada à corda na Ilha Terceira, para os que não conhecem,consta da corrida de quatro toiros num arraial, pré estabelecido, que são estimulados pelos capinhas e arremetem contra os mesmos e contra tapadas e muros provocando momentos de grande alvoroço e muita gargalhada. Após a tourada costuma haver momentos de agradável convívio à volta de mesas, mais ou menos compostas, a que chamamos jocosamente "o quinto toiro"

Aqui vão umas pobres quadras que falam das nossas touradas e umas fotos de alguns convidados , parentes e amigos, que nos brindaram com a sua presença:
Na Terceira há touradas
Em bonitos arraiais,
Nos terreiros e canadas
Portos, docas e areais...
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É uma festa animada
A tourada na Terceira,
Dia de muita marrada
E de alguma bebedeira.
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Namoros e amizades
Nas touradas se fazem
Negócios e inimizades
Nas touradas se desfazem.
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Na gaiola está o toiro,
Já está pronta a tapada,
O foguete num estoiro,
Limpa logo a estrada!
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Os rapazes de um salto
Juntam-se às namoradas
E a velha em sobressalto:
-Ai Jesus,tantas marradas!
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Nas tascas há bons petiscos:
Batatas, favas, bifanas...
E os homens correndo riscos
Vão olhando as varandas.
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Olha esse toiro, rapaz!
Usa o guarda-sol a jeito,
E dá um passe capaz
Com salero, a preceito.
Clara Faria da Rosa
Junho de 2015
 








 

  

sábado, 6 de junho de 2015

Homenagem a D. Josefa de Sousa Pereira


Centenário:
D. JOSEFA DE SOUSA PEREIRA
Atinge hoje uma importante etapa, uma etapa que não é alcançada pela maioria dos seres humanos o centenário do seu nascimento, tendo vivido  ao longo destes cem anos, de forma digna, exemplar e corajosa.
Nascida em Santa Luzia de Angra a 6 de Junho de 1915, viúva de Rafael Teixeira e mãe de António Fernando de Sousa Teixeira, já falecido, vive há largos anos nas Bicas de Cabo Verde, na companhia de sua nora D. Fernanda Fagundes, tratada com muito desvelo e carinho.

Um bem-haja por ter sido a mulher que foi e que ainda é, e votos de saúde e que continue a brindar-nos com a sua presença por muitos anos!

quarta-feira, 3 de junho de 2015

A cor da Amizade

Mãos amigas ofereceram-me estas flores. Singelas? Talvez, mas com um sabor muito especial e com um cunho da amizade e sensibilidade que me fizeram sentir que:

A  amizade é uma festa,
É alegria e fruto sumarento,
É linda flor que nos empresta
A cor a cada momento.
A amizade é o que nos resta
Ao filtrar o sofrimento
É ópio, bálsamo, giesta
Que perfuma o sentimento.

Clara Faria da Rosa
3 de Julho de 2015





terça-feira, 2 de junho de 2015

Anjinhos de massa sovada

Acabadinhos de sair do forno!!!
Para quem não sabe, massa sovada é um pão doce que se faz em todas as ilhas dos Açores, com algumas variantes de ilha para ilha, e tem este nome porque para ser boa tem que ser muito sovada, ( sova tareia) tanto que os nossos avós chamavam a amassadura deste pão de sovadura. Pois embora se coma durante todo o ano é nas festas do Espírito Santo e trindade que ele tem a sua expressão máxima e abunda em todas as casas, graças a Deus!
Tendo abundância do mesmo, resolvi pôr-me a fazer experiências culinárias e fiz uns bolinhos que baptizei de "Anjinhos de massa doce". Ao sair do forno exalavam um odor maravilhoso e ficaram uma delícia então, resolvi tomar nota desta descoberta para os fazer numa próxima oportunidade e, pensando bem concluí, que como há muita massa sovada ou massa doce por aí, talvez alguém queira aproveitar esta minha descoberta . Então é assim:
Esfarela-se a massa, bem esfarelada, Uns duzentos e cinquenta gramas, mais coisa menos coisa, sou um pouco de improvisar, leva-se ao lume meio litro de leite com casca de limão e um pau de canela até ferver, ao levantar fervura junta-se a massa esfarelada e envolve-se bem. À parte leva-se ao lume meio kg de açúcar com um quarto de litro de água e levanta fervura, junta-se ao preparado anterior e deixa-se arrefecer um pouco. Batem-se 6 gemas de ovo que se envolvem lentamente no preparado da massa com o açúcar e leva-se ao lume a engrossar sem deixar ferver e pronto...
Agora é só fazer uma massinha para forrar as forminhas, rechear e levar ao forno uns 25 a 30 minutos, conforme o forno. Polvilha-se com canela, se gostar!
O pior, pior é agora lavar as benditas das forminhas, é ainda pior do que comer estes deliciosos docinhos!