sábado, 21 de março de 2015

Se eu fosse a Primavera

Se eu fosse a Primavera:
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Ai, se eu fosse a Primavera
de verde, eu tudo pintava
um verde alegre e cintilante
e velhos e novos alegrava.
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Ai, se eu fosse a Primavera
numa pincelada, num instante
a maldade e a guerra eu mudava
em bondade e paz constante.
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Ai, se eu fosse a Primavera
convocaria o Sol a florir
todos os pássaros a chilrear
e os tristes a sorrir.
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Ai, eu sou a Primavera
há bancos e flores nos jardins
e a humanidade a delirar
em diálogos, namoros e afins...




sexta-feira, 20 de março de 2015

Dia Mundial da felicidade:


O que é a felicidade?


É um dom a felicidade
É um dom uma conquista
Que se baseia na verdade
Que de dentro de nós brota
É um dom que não se herda
Conquista que não se compra
É um saber aceitar
De forma harmoniosa
O que a vida nos promete
E o que afinal nos dá
É um saber compreender que:
A felicidade não tem cor
Não tem raça nem dinheiro
A felicidade não é rica
Mas também não é pobrezinha
A felicidade não é adjectivo
Também não é substantivo
A felicidade é um enorme querer
Que vive na nossa vontade
E que chegando ao nosso rosto
Desfolha num agradável sorriso
Numa gargalhada gostosa
Num maroto piscar de olho
E numa grande vontade
De bater palmas e dizer
- Ai que bom, estou e sou feliz!!!

quinta-feira, 19 de março de 2015

O meu avental bordado

Fui na função ajudar
E decidi meu avental usar,
Tinha uma corôa bordada
E senti-me abençoada...
Abençoada
Por ter saúde e ali estar
Por tantos amigos abraçar,
Pelas nossa tradições
Pelo pão e alcatra das funções...
Abençoada
Pelas sopas perfumadas
pela carne nas travessas,
Pela abundância, pelo repartir
Pela canela,  no arroz- doce a luzir...
Abençoada
Pelo vinho dos Biscoitos
Pelo funcho dos confeitos,
Pela variedade do cozido
Por todo aquele colorido...  
E para ser abençoada
Quero mais vezes usar
O meu avental bordado,
Quero o Espírito Santo Louvar...
Bendito, seja louvado!!!

Para ti, pai !

Para ti pai,
Que muito soubeste amar
fazendo da terra brotar
plantas e flores a sorrir,
sem nunca desistir.
Para ti pai,
Que foste homem a valer
que não poderei esquecer,
fica aqui esta lembrança
repleta de grande esperança...
Tu pai,
Espero que aí me vejas
e que como sempre me protejas,
das agruras desta vida,
até à hora da partida.
Para ti pai,
Aqui fica esta flor,
com todo o meu amor,
e um obrigado enternecido,
por tal pai teres sido!
***************
A tua filha Clara,

quarta-feira, 11 de março de 2015

No dia em que a minha mãe chorou:

Em criança era muito tagarela, depois tive um período de maior timidez e reflexão e agora é o que se sabe, já não há remédio...
Como dizia então, em criança era uma grande tagarela e a minha mãe, coitada, tendo sempre muito trabalho, pois era costureira, aproveitava-se dessa minha característica, punha-me à janela do quarto de cama e eu ia falando com a vizinhança que passava a tratar da sua vida, e eles também se metiam comigo, pois naturalmente, achavam-me graça!
Aconteceu certo dia, que eu não satisfeita com a conversa, ou porque não passasse ninguém para eu falar, não tive mais que fazer se não descer da cadeira onde me encontrava à janela, e pegar num menino  de louça que estava sobre a mesa de cabeceira, e lá subi a cadeira, pondo-me de novo à janela com aquela imagem, à laia de boneca.
Foi então, que a minha mãe, ouvindo um barulho muito peculiar, se apressou a saber o que se passava. Tudo eram cacos  na varanda, e eu lá ia dizendo que o menino tinha caído.
 No inicio do séc. passado, na fábrica de louça de Coimbra fabricavam-se uns meninos de mãos postas,  em terracota, com uma policromia muito suave, de olhos de vidro  e com um cabelo muito encaracolado e uma inscrição na base que dizia ORAÇÃO. Eram lindos! 
Tendo a minha mãe casado no segundo quartel desse século, os padrinhos de casamento haviam oferecido duas dessas imagens -uma de roupa azul e outra cor- de - rosa que a minha mãe usava nas mesas de cabeceira. Era o luxo de decoração na altura, e agora são peças de colecção, visto serem muito raros.
Ainda hoje me lembro, do rosto triste de minha mãe, onde corriam lágrimas que ela não conseguia controlar, tal foi a desolação...
Passaram-se muitos anos, e embora eu fosse muito criança quando isto aconteceu, nunca me esqueci desse dia e desse acontecimento,e foi por isso que, tendo encontrado num antiquário uma imagem semelhante, me apressei a comprá-la. Sinto que isto atenuou, um pouco,  o pesar que senti, por muito tempo, por ter feito a minha mãe chorar!







No dia da Mulher:

Para ti Mulher
que sorris, estando triste
Para ti...
que te esqueces que és mulher
e que para que os outros vivam
em plenitude de amor
olvidando que vêm de ti,
e que sem ti não eram nada,
sorris, mesmo estando triste....
Para ti Mulher
Aqui vão estas flores
porque ultrapassando tuas dores,
o Mundo tentas abraçar,
os outros ajudar, e o amor semear!

8/Março/2015 - DIA DA MULHER
Clara Faria da Rosa

domingo, 8 de março de 2015

Uma almotolia que rima com melancolia

Uma almotolia que rima com melancolia:

Uma almotolia é um pequeno recipiente para aplicar óleos lubrificantes. Esta palavra, almotolia é de origem árabe, o al no início da palavra é um artigo, portanto a palavra original era AL-MUTLIA, nome dado pelos árabes a certos recipientes de argila onde acondicionavam o azeite. Ainda hoje, no nosso linguarejar corrente usamos muitas palavras deixadas por esses povos, como por exemplo: alface, alecrim, alfaiate, alfenim, alguidar, alcatra, algema, algodão, alfarrábio etc:
Ontem fez treze anos que o meu pai faleceu e fui às Lajes, minha terra natal, visitei , no cemitério local a campa dos meus pais e fui lá a casa, entrei na velha casa de arrumos que também servia de adega e, ao abrir uma caixa carunchosa, encontrei esta almotolia de marca EAGLE, made in U:S:A. Que saudades, parece que naquele momento vi as mãos calejadas do meu pai  a lubrificarem as dobradiças e as fechaduras das portas! Aí compreendi porque se diz que as pessoas são imortais, na verdade as pessoas não morrem enquanto permanecem no nosso coração e na nossa memória...
Então, cheia da melancolia, trouxe aquela velha peça para minha casa, lavei-a e limpei-a muito bem, como estás a ver.  Não sei é para quê, embora saiba muito bem porquê!





O que puderes...

MULHER;

Dá o o que puderes...


Amor, carinho, amizade,
Compreensão, ajuda, tolerância,
Risos, gargalhadas, liberdade...
Tudo em grande abundância!

Dá tudo o que puderes,
Quanto mais deres mais apetece...
Dá  sem te pores a escolher
Aquele /a que mais merece!

A dádiva é um  grande  valor
Que nos conforta e alegra,
É desprendimento, é amor...
Que dever ser uma  regra.

E nós,  Mulheres que tanto damos,
E que o Mundo enriquecemos, 
Quando nossos filhos geramos,
Respeito,  e carinho exigimos !



No dia da Mulher:


-Monólogo de uma Mulher inquieta:
Muitas vezes me enfrento e interrogo se estarei à altura, se sou uma mulher na verdadeira acepção da palavra, uma mulher perfeita, em plenitude, e claro que concluo que estou muito longe disso. Na verdade, penso que essa é uma tarefa inglória e praticamente inatingível, por isso dou por mim a dizer para os meus botões:
- Deixa para lá, Clara, ninguém é perfeito neste mundo, o que deves é enfrentar os teus defeitos, tentar melhorar, e vive a vida com alegria!
Mas, bem lá no fundo, há uma vozinha que me "azucrina" a cabeça e me diz:
-Clara, para seres uma mulher perfeita tens que te referenciar pelos valores e sabedoria legados pelas gerações anteriores.
-Mas, como posso fazer isso, penso eu, se não sou lá grande coisa, se muitas vezes, mesmo sem me dar conta, sou voluntariosa, preguiçosa ingrata, pouco tolerante, imperfeições a que poderia juntar muitas mais...
-Já é muito bom quando reconhecemos os nossos defeitos, as nossas imperfeições, e quando nos interrogamos se estamos à altura do que os outros esperam de nós! - Sussurra a vozinha, lá muito no fundo do meu eu.
- Na verdade, penso eu, tenho sorte, pois apesar dos meus defeitos, sou tolerada pelos que me conhecem e contactam comigo , sou aceite com as minhas imperfeições!
-Pois é, diz-me a voz, a Mulher não tem que ser perfeita, impecável, adorada, reverenciada, tem é que ser amada, percebida e respeitada pelo que é e como é, com as suas virtudes e os seus defeitos.
-Ainda bem, concluo eu, assumo as minhas imperfeições e reconheço a sorte de ser amada, tolerada e compreendida; É esta sensação que me dá segurança e vontade de enfrentar os vendavais com que me tenho deparado ao longo da vida, nesta minha situação e qualidade de Mulher imperfeita.

sábado, 7 de março de 2015

 Tesouros:
Para mim, o termo tesouro, não se identifica com riquezas, dinheiro, jóias e ou ouro ,mas sim, com coisas de que gosto, que considero belas e que me alegram o dia a dia,os olhos e o coração. Ora se há coisa de que gosto muito é de louça da fábrica Raul da Bernarda, a mais antiga fábrica de louça de Alcobaça cuja fundação ronda o ano de 1875 a qual tem um espaço museológico com peças representativas dos estilos desenvolvidos, na mesma, ao longo da sua laboração. 
Tenho várias peças Raul da Bernarda e embora tendo plena noção de que "as coisas mais importantes na vida não são as coisas mas as pessoas" preservo-as com cuidado e carinho porque me dão alegria e contam uma história. Acontece que recentemente tive a sorte de encontrar mais uma peça destas a um preço razoável e lá a adquiri .Muitíssimo original, com carimbo e número, com um pé de um castanho escuro que vai clareando para dar lugar a um desenho, pintura e policromia lindos! Aqui está ela , e não penses mal de mim, por gostar destas coisas, porque eu sou como o tempo já não me importo com as criticas e tenho um lema de vida que é tentar passar o tempo sem ficar velha e esta atitude ajuda-me a passar o tempo de forma tranquila e entusiasmada sem pensar muito no que vem aí...







quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

As costureiras do Carnaval terceirense:






Tesoura, dedal e agulha de ouro para as Costureiras
do Carnaval terceirense 2015

Uma profissão, quanto a mim, constrói-se com muito amor, gosto e persistência, o que leva obrigatoriamente à eficiência. A profissão é, muitas vezes a fotocopia do carácter da pessoa ou grupo, pois através do modo como os mesmos desempenham o seu múnus ficamos com uma ideia precisa do individuo ou grupo e daquilo que representam para a sociedade em que se inserem.
Vem isto a propósito, do Carnaval terceirense de 2015, embora este já esteja no seu rescaldo e estejamos já a caminho do 2º domingo de Quaresma; É que, muito se falou e fala, em termos eufóricos, do convívio salutar dos ensaios, das vivências de aprendizagens e afectos gratificantes dos elementos participantes nas danças e bailinhos de Carnaval, dos  autores das músicas, cantigas e enredos, fala-se de estilos de bailinhos tradicionais e inovadores e das novas abordagens que se têm apresentado, das rimas, dos puxadores e das suas vozes , da poesia das cantigas, enfim isto e muito mais, contudo, pouco se fala das costureiras que muito e bem e bom fazem para enriquecer este nosso Carnaval. Tenho pena que ao correr do pano não se anuncie a autora ou autoras de trabalhos que nos enchem os sentidos de cor e magia tal é, em certos casos o requinte a originalidade e a perfeição dos trajes que se apresentam.
Para as costureiras, obreiras do Carnaval 2015 da ilha Terceira, que nos encheram os olhos de tanta beleza e nos provaram que o trabalho de cada um é uma força que faz avançar a humanidade, aqui vai a tesoura, o dedal e a agulha de ouro, bem merecidos, por sinal!

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Baú das memórias

Baú das memórias:
Ontem e hoje desfilaram por essas ilhas muitas escolas com os seus alunos festejando o Carnaval. Uma atitude lúdica que, quanto a mim promove a criatividade, a interactividade e o gosto e respeito pelas tradições. Fi-lo muitas vezes e em vários anos e variadas comunidades escolares, como neste exemplo, em que a escola de Vale de Linhares freguesia de São Bento de Angra desceu à Baixa citadina para dar continuidade ao projecto educativo da escola que era a alimentação. À minha sala ficou a incumbência de tratar dos frutos e foi assim que num processo interdisciplinar reciclaram, pintaram, recortaram, colaram, criaram e estudaram, registaram as propriedades dos frutos cumprindo o que estava planificado e...lá vão eles, isto em 1994.
Contudo a vida não é só Carnaval, na 1ª foto temos a Lisandra de ar triste ou zangado, não me lembro, o que penso agora é que ela estava antevendo ou adivinhando que não estaria muito tempo entre nós e estava zangada com a partida que o futuro se preparava para lhe pregar.Saudades!










Baú das memórias:
Nenhum ano, nenhum mês nem nenhum dia é igual ao outro, contudo, não podemos fugir deles, ficam a fazer parte de nós, da nossa história depois de os vivermos, não podemos fugir disso e muitas vezes, é difícil esquecer o nosso passado, os momentos da nossa vida que já acabaram .Hoje deu--me para relembrar, para visitar o baú das minhas memórias e este dia em que com os alunos da escola Infante D. Henrique percorri a rua da Sé, em Angra do Heroísmo vestida de dama antiga, isto em 2001,nesta sexta feira que antecede o Carnaval ,não tendo grande habilidade/ criatividade para fantasias, fui ao sótão da minha sogra e o resultado foi este. Saudades!

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015


A Máscara:

A máscara

Do rosto esconde:
Os olhos, a tristeza e a saudade
A idade, preocupações e maldade...
A máscara a pessoa transforma
E nova personagem aparece:
- Folgazona e irreverente,
- Trapalhona e divertida,
- Brincalhona e desinibida;
No Carnaval com a máscara
A pessoa se descobre,
Acredita ser capaz,
Acredita ser diferente...
E como num sonho liberta-se
E até se torna jovem
Quando a juventude já passou!

  
Carnaval de 2015
CLARA  FARIA DA ROSA


Dia de comadres




Dia de comadres:
Por cá, nos Açores, é tradicional festejarem-se as quatro quintas-feiras que antecedem o Carnaval , as quais são conotadas, com esta ordem, com o dia das amigas, dos amigos, dos compadres e das comadres.
Hoje, comemoram-se as comadres isto é a madrinha em relação aos pais do afilhado/a ou a mãe do afilhado/a em relação aos padrinhos. Então, juntam-se comadres, em almoços, jantares e lanches, fazem-se telefonemas e trocam-se mensagens e prendas para lembrar uma função tão importante, pois se pensarmos bem na palavra, concluímos que a mesma significa estar com a mãe ou no lugar desta para a ajudar, coadjuvar ou substituir nas suas funções. Que isto não seja necessário, mas se pensarmos a sério no assunto é isto mesmo que significa.
Quanto a mim pensei a sério nas minhas comadres quer nas madrinhas do meu filho, quer nas mães dos meus afilhados/as que no fundo acumulam essas funções fazendo o favor de serem minhas amigas...
Esta é a minha maneira singela de lembrar o dia, embora não seja um comadre conforme estipula a lei, mandando a todas, à minha cunhada Nélia Faria da Rosa que é uma madrinha na verdadeira acepção da palavra, à Srª enfermeira Gorette Mendes na Fonte do Bastardo, à minha prima Hercília Aguiar nas Lajes, à velha Amiga Guida Gomes na Ribeirinha, S. Miguel, à Isabel Sousa em São Bento, um abraço desta comadre com votos de que vivam muitos dias de comadres !
Lembro também com saudade, neste dia de forma especial, as minhas comadres que já não estão entre nós.
Já agora, cito alguns ditados populares usados em relação a este parentesco, acrescentando que o substantivo também se usa para classificar uma amizade por vezes associada à coscuvilhice ou maledicência.
-Comadres,comadres, segredos à parte...
-Brigam as comadres, descobrem-se as maldades...
-Comadre zangada o que viu e ouviu transmitiu...
Rosas para as minhas comadres com muito carinho e amizade.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Uns no limpo, outros no lixo...


Estive uns tempos ausente, pelo que me não tenho abeirado desta página. Problemas de saúde, embora sem gravidade de maior!
Sentia a visão nublada, embaciada, enevoada; Pensando precisar de lentes novas lá me dirigi ao médico oftalmologista que me explicou que isso não resultaria porque o que se passava comigo era um problema gradual de opacidade do cristalino, devido à idade, a que se dá o nome de cataratas, e que isso só se poderia corrigir através de operação. Lá fiz as ditas operações nos dias 13 e 15 do passado mês parecendo ter corrido tudo bem. Vejo agora muito bem, não precisando de usar óculos para ver ao longe, só para ler . O meu marido até diz, a brincar, que eu agora estou a ver de mais!!!
A ver de mais não diria, porque a bem da verdade, nunca se vê de mais, há sempre coisas lindas a apreciar, trabalhos minuciosos a fazer, textos bonitos a escrever, bons livros a ler e rostos queridos a memorizar, o que me aconteceu, foi que vi ontem com estes meus olhos reciclados, o que não queria nem nunca pensei ver na nossa ilha Terceira!

Ontem ao entardecer, junto à minha casa, uma anciã de rosto triste, olhar cansado e andar trémulo, vasculhava o lixo, à procura de latas e outros recipientes metálicos, que pudesse vender para ficar com mais alguns euros que complementassem a sua mísera pensão de reforma...
Foi aí que me lembrei de Saramago, o nossa Nobel da Literatura, e de uma passagem do seu livro "Memorial do Convento" que me divertiu e ao mesmo tempo me levou a uma profunda reflexão:
Conta ele que Dona Maria Ana de Áustria filha do Imperador Leopoldo de Áustria casada em 1708 com o 24º rei de Portugal, D. João V, quando queria sair do paço para as suas devoções em várias capelas, ermidas e igrejas,  acontecia o seguinte:
(e passo a citar Saramago)
"Põem-se em ala os alabardeiros, e estando as ruas sujas, como sempre estão, por mais avisos e decretos que as mandem limpar, vão à frente da rainha os mariolas com umas tábuas largas às costas, sai ela do coche e eles colocam as tábuas no chão, é um corrupio, a rainha a andar sobre as tábuas, os mariolas a levá-las de trás para diante; Ela sempre no limpo, eles sempre no lixo!"
Pois é, já se passaram mais de três séculos, e continua tudo na mesma, uns sempre no limpo e outros sempre no lixo!
E eu operei os meus olhos para ver isto...




sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

A Misteriosa Mulher de Vermelho

Era um mistério aquela mulher. De passo miúdo mas apressado, cintura fina, saia larga e flutuante, cabelo apanhado e coberto com uma fita do mesmo tecido do elegante vestido vermelho, calcorreava ruas e avenidas, saindo e entrando , olhando, voltando a olhar, falando ao telemóvel e muitas vezes consultando um pequeno bloco negro que dava a sensação de ser uma calculadora ou um caderno de notas .
Estavam todos intrigados! No canto das ruas e avenidas vigiavam e comentavam, chegando-se ao ponto de se organizar uma lista , de voluntários, que rotativamente lá estivessem a observar e a tentar decifrar aquele grande e inquietante mistério...
Uns diziam ser uma agente secreta investigando as compras que os políticos , banqueiros e suas elegantes e requintadas esposas faziam, outros que era uma cientista a estudar o impacto que certos tecidos têm no comportamento, mais ou menos invulgar,  do ser humano, alguém afirmava convictamente, ser uma inspectora das finanças à caça dos comerciantes que não passavam factura aos clientes, conforme o estipulado, havia quem adiantasse que em  sua opinião era uma assistente social ou uma psicóloga, a estudar a reacção dos clientes ao atendimento pouco ético de muitos balconistas, mas a opinião mais consensual e generalizada era a de que se tratava de uma actriz de gabarito,  uma diva de alto coturno, disfarçada, para poder usufruir das belezas daquela centenária cidade, dos seus edifícios históricos, das suas ruas características, dos seus belos pregões e do talento dos vitrinistas que ornamentavam como em nenhuma cidade do mundo! 
Foi então que alguém, mais perspicaz reparou, que a bela dama de vermelho era seguida por um elegante carro preto, conduzido por um homem fardado que, parando amiudadas vezes, ia recolhendo embrulhos e embrulhinhos, caixas e caixinhas e sacos de todas as cores, tamanhos  e feitios.
Estava desfeito o mistério...
Andava aos saldos, a elegante mulher de vermelho!
Os saldos, o inimigo número um das mulheres do século XXI.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

A MINHA AMIGA LIANA


Ano Novo / Vida Nova

No findar do ano

Neste último dia  do ano quero meditar contigo no facto de termos,  ao longo de 2014, mudado de algum modo quer fisicamente quer psicologicamente. Aprendemos, esquecemos , sofremos, tivemos perdas irreversíveis na nossa família, vizinhos ou amigos, ao mesmo tempo também algumas famílias foram bafejadas com o aparecimento de um novo membro  porque, onde há vida há morte. Contudo, não deixamos de ser quem somos e devemos ter sempre presente o que escreveu o prémio Nobel da literatura 2012 MO YAN no seu livro "Peito Grande, Ancas Largas" que estou a reler.
" Morrer é fácil, o difícil é viver. E quanto mais difícil, maior é a vontade de viver. E quanto maior o medo da morte, mais a gente luta para continuar viva."
Por alguma razão Mo Yan foi distinguido com tal honra, ele sabe o que diz, basta principiar a ler o livro donde tirei a citação acima, ficamos presos à sua fluência, ao encadeado dos factos do  espaço histórico da China e da sua sociedade! 
Então, apesar do que se passou em 2014, vamos formular o propósito de lutar para  continuarmos vivos em todas as vertentes:
Vamos abusar do entusiasmo, da alegria, da boa-vontade e  tentar esquecer e ou não dar demasiada importância  às faltas que naturalmente vamos sentir no ano novo , é das dificuldades que nos virá a força de viver...

Noite de São Silvestre

Doze meses,badaladas, passas, 
E o tempo passa num instante!
Formulam-se votos, propósitos, desejos,
E o tempo passa de rompante!
Muito requinte, fraques e brilhos
E abre-se o espumante!
Dança-se ao som de  orquestras, 
E o ambiente é deslumbrante!
Pairam no ar ricos  perfumes,
Há flores, festões e  lindas mesas 
E um perfume estonteante!
Elevam-se taças, fazem-se brindes:
Ao novo ano, à  vida, à felicidade,
Ao amor, ao trabalho, à igualdade,
Ao valor da verdade e da lealdade,
Ao futuro, à saúde e à amizade...
E  percebe-se como  é importante
Viver em pleno, a sério esta oportunidade,
Porque o tempo passa num instante,
Porque o tempo passa de rompante,
De forma deslumbrante e estonteante! 

Noite de 31/12/2014
Clara faria da Rosa