domingo, 8 de março de 2015

O que puderes...

MULHER;

Dá o o que puderes...


Amor, carinho, amizade,
Compreensão, ajuda, tolerância,
Risos, gargalhadas, liberdade...
Tudo em grande abundância!

Dá tudo o que puderes,
Quanto mais deres mais apetece...
Dá  sem te pores a escolher
Aquele /a que mais merece!

A dádiva é um  grande  valor
Que nos conforta e alegra,
É desprendimento, é amor...
Que dever ser uma  regra.

E nós,  Mulheres que tanto damos,
E que o Mundo enriquecemos, 
Quando nossos filhos geramos,
Respeito,  e carinho exigimos !



No dia da Mulher:


-Monólogo de uma Mulher inquieta:
Muitas vezes me enfrento e interrogo se estarei à altura, se sou uma mulher na verdadeira acepção da palavra, uma mulher perfeita, em plenitude, e claro que concluo que estou muito longe disso. Na verdade, penso que essa é uma tarefa inglória e praticamente inatingível, por isso dou por mim a dizer para os meus botões:
- Deixa para lá, Clara, ninguém é perfeito neste mundo, o que deves é enfrentar os teus defeitos, tentar melhorar, e vive a vida com alegria!
Mas, bem lá no fundo, há uma vozinha que me "azucrina" a cabeça e me diz:
-Clara, para seres uma mulher perfeita tens que te referenciar pelos valores e sabedoria legados pelas gerações anteriores.
-Mas, como posso fazer isso, penso eu, se não sou lá grande coisa, se muitas vezes, mesmo sem me dar conta, sou voluntariosa, preguiçosa ingrata, pouco tolerante, imperfeições a que poderia juntar muitas mais...
-Já é muito bom quando reconhecemos os nossos defeitos, as nossas imperfeições, e quando nos interrogamos se estamos à altura do que os outros esperam de nós! - Sussurra a vozinha, lá muito no fundo do meu eu.
- Na verdade, penso eu, tenho sorte, pois apesar dos meus defeitos, sou tolerada pelos que me conhecem e contactam comigo , sou aceite com as minhas imperfeições!
-Pois é, diz-me a voz, a Mulher não tem que ser perfeita, impecável, adorada, reverenciada, tem é que ser amada, percebida e respeitada pelo que é e como é, com as suas virtudes e os seus defeitos.
-Ainda bem, concluo eu, assumo as minhas imperfeições e reconheço a sorte de ser amada, tolerada e compreendida; É esta sensação que me dá segurança e vontade de enfrentar os vendavais com que me tenho deparado ao longo da vida, nesta minha situação e qualidade de Mulher imperfeita.

sábado, 7 de março de 2015

 Tesouros:
Para mim, o termo tesouro, não se identifica com riquezas, dinheiro, jóias e ou ouro ,mas sim, com coisas de que gosto, que considero belas e que me alegram o dia a dia,os olhos e o coração. Ora se há coisa de que gosto muito é de louça da fábrica Raul da Bernarda, a mais antiga fábrica de louça de Alcobaça cuja fundação ronda o ano de 1875 a qual tem um espaço museológico com peças representativas dos estilos desenvolvidos, na mesma, ao longo da sua laboração. 
Tenho várias peças Raul da Bernarda e embora tendo plena noção de que "as coisas mais importantes na vida não são as coisas mas as pessoas" preservo-as com cuidado e carinho porque me dão alegria e contam uma história. Acontece que recentemente tive a sorte de encontrar mais uma peça destas a um preço razoável e lá a adquiri .Muitíssimo original, com carimbo e número, com um pé de um castanho escuro que vai clareando para dar lugar a um desenho, pintura e policromia lindos! Aqui está ela , e não penses mal de mim, por gostar destas coisas, porque eu sou como o tempo já não me importo com as criticas e tenho um lema de vida que é tentar passar o tempo sem ficar velha e esta atitude ajuda-me a passar o tempo de forma tranquila e entusiasmada sem pensar muito no que vem aí...







quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

As costureiras do Carnaval terceirense:






Tesoura, dedal e agulha de ouro para as Costureiras
do Carnaval terceirense 2015

Uma profissão, quanto a mim, constrói-se com muito amor, gosto e persistência, o que leva obrigatoriamente à eficiência. A profissão é, muitas vezes a fotocopia do carácter da pessoa ou grupo, pois através do modo como os mesmos desempenham o seu múnus ficamos com uma ideia precisa do individuo ou grupo e daquilo que representam para a sociedade em que se inserem.
Vem isto a propósito, do Carnaval terceirense de 2015, embora este já esteja no seu rescaldo e estejamos já a caminho do 2º domingo de Quaresma; É que, muito se falou e fala, em termos eufóricos, do convívio salutar dos ensaios, das vivências de aprendizagens e afectos gratificantes dos elementos participantes nas danças e bailinhos de Carnaval, dos  autores das músicas, cantigas e enredos, fala-se de estilos de bailinhos tradicionais e inovadores e das novas abordagens que se têm apresentado, das rimas, dos puxadores e das suas vozes , da poesia das cantigas, enfim isto e muito mais, contudo, pouco se fala das costureiras que muito e bem e bom fazem para enriquecer este nosso Carnaval. Tenho pena que ao correr do pano não se anuncie a autora ou autoras de trabalhos que nos enchem os sentidos de cor e magia tal é, em certos casos o requinte a originalidade e a perfeição dos trajes que se apresentam.
Para as costureiras, obreiras do Carnaval 2015 da ilha Terceira, que nos encheram os olhos de tanta beleza e nos provaram que o trabalho de cada um é uma força que faz avançar a humanidade, aqui vai a tesoura, o dedal e a agulha de ouro, bem merecidos, por sinal!

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Baú das memórias

Baú das memórias:
Ontem e hoje desfilaram por essas ilhas muitas escolas com os seus alunos festejando o Carnaval. Uma atitude lúdica que, quanto a mim promove a criatividade, a interactividade e o gosto e respeito pelas tradições. Fi-lo muitas vezes e em vários anos e variadas comunidades escolares, como neste exemplo, em que a escola de Vale de Linhares freguesia de São Bento de Angra desceu à Baixa citadina para dar continuidade ao projecto educativo da escola que era a alimentação. À minha sala ficou a incumbência de tratar dos frutos e foi assim que num processo interdisciplinar reciclaram, pintaram, recortaram, colaram, criaram e estudaram, registaram as propriedades dos frutos cumprindo o que estava planificado e...lá vão eles, isto em 1994.
Contudo a vida não é só Carnaval, na 1ª foto temos a Lisandra de ar triste ou zangado, não me lembro, o que penso agora é que ela estava antevendo ou adivinhando que não estaria muito tempo entre nós e estava zangada com a partida que o futuro se preparava para lhe pregar.Saudades!










Baú das memórias:
Nenhum ano, nenhum mês nem nenhum dia é igual ao outro, contudo, não podemos fugir deles, ficam a fazer parte de nós, da nossa história depois de os vivermos, não podemos fugir disso e muitas vezes, é difícil esquecer o nosso passado, os momentos da nossa vida que já acabaram .Hoje deu--me para relembrar, para visitar o baú das minhas memórias e este dia em que com os alunos da escola Infante D. Henrique percorri a rua da Sé, em Angra do Heroísmo vestida de dama antiga, isto em 2001,nesta sexta feira que antecede o Carnaval ,não tendo grande habilidade/ criatividade para fantasias, fui ao sótão da minha sogra e o resultado foi este. Saudades!

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015


A Máscara:

A máscara

Do rosto esconde:
Os olhos, a tristeza e a saudade
A idade, preocupações e maldade...
A máscara a pessoa transforma
E nova personagem aparece:
- Folgazona e irreverente,
- Trapalhona e divertida,
- Brincalhona e desinibida;
No Carnaval com a máscara
A pessoa se descobre,
Acredita ser capaz,
Acredita ser diferente...
E como num sonho liberta-se
E até se torna jovem
Quando a juventude já passou!

  
Carnaval de 2015
CLARA  FARIA DA ROSA


Dia de comadres




Dia de comadres:
Por cá, nos Açores, é tradicional festejarem-se as quatro quintas-feiras que antecedem o Carnaval , as quais são conotadas, com esta ordem, com o dia das amigas, dos amigos, dos compadres e das comadres.
Hoje, comemoram-se as comadres isto é a madrinha em relação aos pais do afilhado/a ou a mãe do afilhado/a em relação aos padrinhos. Então, juntam-se comadres, em almoços, jantares e lanches, fazem-se telefonemas e trocam-se mensagens e prendas para lembrar uma função tão importante, pois se pensarmos bem na palavra, concluímos que a mesma significa estar com a mãe ou no lugar desta para a ajudar, coadjuvar ou substituir nas suas funções. Que isto não seja necessário, mas se pensarmos a sério no assunto é isto mesmo que significa.
Quanto a mim pensei a sério nas minhas comadres quer nas madrinhas do meu filho, quer nas mães dos meus afilhados/as que no fundo acumulam essas funções fazendo o favor de serem minhas amigas...
Esta é a minha maneira singela de lembrar o dia, embora não seja um comadre conforme estipula a lei, mandando a todas, à minha cunhada Nélia Faria da Rosa que é uma madrinha na verdadeira acepção da palavra, à Srª enfermeira Gorette Mendes na Fonte do Bastardo, à minha prima Hercília Aguiar nas Lajes, à velha Amiga Guida Gomes na Ribeirinha, S. Miguel, à Isabel Sousa em São Bento, um abraço desta comadre com votos de que vivam muitos dias de comadres !
Lembro também com saudade, neste dia de forma especial, as minhas comadres que já não estão entre nós.
Já agora, cito alguns ditados populares usados em relação a este parentesco, acrescentando que o substantivo também se usa para classificar uma amizade por vezes associada à coscuvilhice ou maledicência.
-Comadres,comadres, segredos à parte...
-Brigam as comadres, descobrem-se as maldades...
-Comadre zangada o que viu e ouviu transmitiu...
Rosas para as minhas comadres com muito carinho e amizade.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Uns no limpo, outros no lixo...


Estive uns tempos ausente, pelo que me não tenho abeirado desta página. Problemas de saúde, embora sem gravidade de maior!
Sentia a visão nublada, embaciada, enevoada; Pensando precisar de lentes novas lá me dirigi ao médico oftalmologista que me explicou que isso não resultaria porque o que se passava comigo era um problema gradual de opacidade do cristalino, devido à idade, a que se dá o nome de cataratas, e que isso só se poderia corrigir através de operação. Lá fiz as ditas operações nos dias 13 e 15 do passado mês parecendo ter corrido tudo bem. Vejo agora muito bem, não precisando de usar óculos para ver ao longe, só para ler . O meu marido até diz, a brincar, que eu agora estou a ver de mais!!!
A ver de mais não diria, porque a bem da verdade, nunca se vê de mais, há sempre coisas lindas a apreciar, trabalhos minuciosos a fazer, textos bonitos a escrever, bons livros a ler e rostos queridos a memorizar, o que me aconteceu, foi que vi ontem com estes meus olhos reciclados, o que não queria nem nunca pensei ver na nossa ilha Terceira!

Ontem ao entardecer, junto à minha casa, uma anciã de rosto triste, olhar cansado e andar trémulo, vasculhava o lixo, à procura de latas e outros recipientes metálicos, que pudesse vender para ficar com mais alguns euros que complementassem a sua mísera pensão de reforma...
Foi aí que me lembrei de Saramago, o nossa Nobel da Literatura, e de uma passagem do seu livro "Memorial do Convento" que me divertiu e ao mesmo tempo me levou a uma profunda reflexão:
Conta ele que Dona Maria Ana de Áustria filha do Imperador Leopoldo de Áustria casada em 1708 com o 24º rei de Portugal, D. João V, quando queria sair do paço para as suas devoções em várias capelas, ermidas e igrejas,  acontecia o seguinte:
(e passo a citar Saramago)
"Põem-se em ala os alabardeiros, e estando as ruas sujas, como sempre estão, por mais avisos e decretos que as mandem limpar, vão à frente da rainha os mariolas com umas tábuas largas às costas, sai ela do coche e eles colocam as tábuas no chão, é um corrupio, a rainha a andar sobre as tábuas, os mariolas a levá-las de trás para diante; Ela sempre no limpo, eles sempre no lixo!"
Pois é, já se passaram mais de três séculos, e continua tudo na mesma, uns sempre no limpo e outros sempre no lixo!
E eu operei os meus olhos para ver isto...




sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

A Misteriosa Mulher de Vermelho

Era um mistério aquela mulher. De passo miúdo mas apressado, cintura fina, saia larga e flutuante, cabelo apanhado e coberto com uma fita do mesmo tecido do elegante vestido vermelho, calcorreava ruas e avenidas, saindo e entrando , olhando, voltando a olhar, falando ao telemóvel e muitas vezes consultando um pequeno bloco negro que dava a sensação de ser uma calculadora ou um caderno de notas .
Estavam todos intrigados! No canto das ruas e avenidas vigiavam e comentavam, chegando-se ao ponto de se organizar uma lista , de voluntários, que rotativamente lá estivessem a observar e a tentar decifrar aquele grande e inquietante mistério...
Uns diziam ser uma agente secreta investigando as compras que os políticos , banqueiros e suas elegantes e requintadas esposas faziam, outros que era uma cientista a estudar o impacto que certos tecidos têm no comportamento, mais ou menos invulgar,  do ser humano, alguém afirmava convictamente, ser uma inspectora das finanças à caça dos comerciantes que não passavam factura aos clientes, conforme o estipulado, havia quem adiantasse que em  sua opinião era uma assistente social ou uma psicóloga, a estudar a reacção dos clientes ao atendimento pouco ético de muitos balconistas, mas a opinião mais consensual e generalizada era a de que se tratava de uma actriz de gabarito,  uma diva de alto coturno, disfarçada, para poder usufruir das belezas daquela centenária cidade, dos seus edifícios históricos, das suas ruas características, dos seus belos pregões e do talento dos vitrinistas que ornamentavam como em nenhuma cidade do mundo! 
Foi então que alguém, mais perspicaz reparou, que a bela dama de vermelho era seguida por um elegante carro preto, conduzido por um homem fardado que, parando amiudadas vezes, ia recolhendo embrulhos e embrulhinhos, caixas e caixinhas e sacos de todas as cores, tamanhos  e feitios.
Estava desfeito o mistério...
Andava aos saldos, a elegante mulher de vermelho!
Os saldos, o inimigo número um das mulheres do século XXI.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

A MINHA AMIGA LIANA


Ano Novo / Vida Nova

No findar do ano

Neste último dia  do ano quero meditar contigo no facto de termos,  ao longo de 2014, mudado de algum modo quer fisicamente quer psicologicamente. Aprendemos, esquecemos , sofremos, tivemos perdas irreversíveis na nossa família, vizinhos ou amigos, ao mesmo tempo também algumas famílias foram bafejadas com o aparecimento de um novo membro  porque, onde há vida há morte. Contudo, não deixamos de ser quem somos e devemos ter sempre presente o que escreveu o prémio Nobel da literatura 2012 MO YAN no seu livro "Peito Grande, Ancas Largas" que estou a reler.
" Morrer é fácil, o difícil é viver. E quanto mais difícil, maior é a vontade de viver. E quanto maior o medo da morte, mais a gente luta para continuar viva."
Por alguma razão Mo Yan foi distinguido com tal honra, ele sabe o que diz, basta principiar a ler o livro donde tirei a citação acima, ficamos presos à sua fluência, ao encadeado dos factos do  espaço histórico da China e da sua sociedade! 
Então, apesar do que se passou em 2014, vamos formular o propósito de lutar para  continuarmos vivos em todas as vertentes:
Vamos abusar do entusiasmo, da alegria, da boa-vontade e  tentar esquecer e ou não dar demasiada importância  às faltas que naturalmente vamos sentir no ano novo , é das dificuldades que nos virá a força de viver...

Noite de São Silvestre

Doze meses,badaladas, passas, 
E o tempo passa num instante!
Formulam-se votos, propósitos, desejos,
E o tempo passa de rompante!
Muito requinte, fraques e brilhos
E abre-se o espumante!
Dança-se ao som de  orquestras, 
E o ambiente é deslumbrante!
Pairam no ar ricos  perfumes,
Há flores, festões e  lindas mesas 
E um perfume estonteante!
Elevam-se taças, fazem-se brindes:
Ao novo ano, à  vida, à felicidade,
Ao amor, ao trabalho, à igualdade,
Ao valor da verdade e da lealdade,
Ao futuro, à saúde e à amizade...
E  percebe-se como  é importante
Viver em pleno, a sério esta oportunidade,
Porque o tempo passa num instante,
Porque o tempo passa de rompante,
De forma deslumbrante e estonteante! 

Noite de 31/12/2014
Clara faria da Rosa




terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Poinséttias

Poinséttias:
As minhas poinséttias floriram tarde e um pouco estragadas devido às intempéries que se têm feito sentir, contudo, não me farto de olhar para elas porque as associo ao Natal, a sua forma lembra uma estrela e a sua cor é quente e alegre.
Numa breve pesquisa fiquei a saber que:
São conhecidas por poinséttia, bico -de - papagaio, rabo - de - canário, cardeal, flor - de Natal ou estrela - de Natal,são flores muito decorativas são originárias do México, florescem no Inverno, 
na época natalícia.
Oriundas da América Central eram usadas para a produção de tintas e na cosmética e a sua seiva para o fabrico de medicamentos contra febres. As poinsétias esbranquiçadas ainda se utilizam para produção de cremes depilatórios.
Curiosidade: O que parece ser as pétalas das flores, são brácteas, isto é, folhas modificadas que protegem a flor, pequenina, que se encontra bem no centro da planta.
Nome científico: Poinséttia Pulcherrima, da família das Euforbiáceas.
O seu nome vem do embaixador doa Estados Unidos da América na República Mexicana ( Mr. Joel Poinsett), que a registou com o seu nome.

domingo, 28 de dezembro de 2014

Soquetes e Meias de vidro



Conta-se que quando do casamento do rei Filipe Quarto de Espanha que viveu entre 1605 e 1665, não sei qual dos casamentos, pois casou em primeiras núpcias em 1615  com Isabel de Bourbon e mais tarde em 1649  com Mariana da Áustria, a noiva em viagem para Madrid, ia sendo recepcionada festivamente em todas as cidade, numa das quais recebeu de presente de casamento uma caixinha dourada sobre uma almofada de veludo. Ao abri-la a rainha, horrorizada,  Deixou-a cair. O marechal da corte olhando pra o presente, viu que era um par de meias de seda, devolveu a caixa dizendo:
-Uma rainha não tem Pernas!
Esta história parece cómica, no entanto se nos reportarmos àquela  época em as mulheres usavam saias compridas , não deixando que se visse nem a ponta dos pés e era considerado o cúmulo do atrevimento pensar nas pernas da rainha, compreende-se perfeitamente a atitude da pobre rainha embora , eu tenha quase a certeza que ela estava mortinha por aceitar tal presente,  porque na altura um par de meias de vidro era um artigo precioso, raro e de luxo...
Isto tudo passa-se há cerca de quatro séculos contudo este natal pensei muito numa outra história relacionada com meias de vidro. 
 No Natal de 1962, tinha eu 14 anos, era uma rapariga cheia de ambições e sonhos,  mas descontente com as roupas que usava pois considerava-as inadequadas à minha idade, nesta idade o que nós queremos mesmo é parecer mais velhas! O pior de todos os meus males eram aquelas soquetes ( francesismo que vem de socquette), umas meias curtas até ao tornozelo e que a minha mãe arranjava maneira de as fazer condizer com o que eu vestia... Que coisa mais antiga,imprópria e infantil-Pensava eu, triste e desanimada por não ser compreendida nas minhas pretensões... O que eu sonhava mesmo era usar  meias de vidro, transparentes e bem esticadinhas  que me fizessem parecer uma mulher, de preferência com uma  risca atrás!
Até aquele Natal, embora pondo o sapatinho, no lar, como todas as crianças, normalmente encontrava lá uns figos passados ou umas guloseimas e nesse ano esperava, sem grande entusiasmo, o mesmo. Contudo, ao levantar-me e ao olhar para o lar, alguma coisa brilhava de modo diferente, o meu coração pulou, os meus pés voaram e como que por magia tomei nas mãos as meias de vidro mais bonitas que qualquer mulher pudesse ter, penso que até mais bonitas do que as que há séculos atrás tinham oferecido à noiva do rei de Espanha Filipe Quarto.
Penso que foi nessa altura,  nesse dia de Natal de 1962  e por causa de umas meias de vidro que me tornei mulher! 

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

E as comadres brigaram - em véspera de Natal

Comadre Rosa e comadre Mariquinhas davam-se bem, sem que entre elas houvesse grande cumplicidade, às vezes, outras vezes toleravam-se e de vez em quando punham-se de "candeias às avessas", eram umas pequenas rivalidades que as punham assim, mas nada de maior...
Cada uma tinha uma pequena, eram da mesma idade, igualmente travessas,vivas e muito amigas.
Com a proximidade do Natal comadre Rosa precisou de ir à vila, fazer umas comprinhas, mas a pequena não podia ir, porque já pagava frete na carreira, e a vida não estava para graças. Vai daí, lembrou-se de falar com Mariquinhas
- Podes ficar com a pequena para eu ir à vila?
- Que sim que podia , que ficava com a sua e que se entreteriam uma à outra -Respondeu-lhe Mariquinhas muito prestável.
Lá ficaram as duas muito contentes e como Mariquinhas era costureira e tinha muitas encomendas para aprontar para as festas  que se aproximavam, lá as deixou brincar e deitou-se ao trabalho.
De repente assustou-se com o silêncio, um silêncio aterrador que não pressagiava nada de bom... 
Lá foi pelas gaiatas e -Nossa Senhora de Fátima!- Não lhe deu uma coisinha má porque era forte e tinha que pensar numa maneira airosa de enfrentar a comadre Rosa quando chegasse e viesse pela pequena!
Não é que as duas haviam decidido pôr mãos à obra e praticar o mister de cabeleireira! Onde estavam os caracóis luzidios da afilhada, que eram o orgulho da comadre Rosa e tanto trabalho lhe davam? E a sua filha com um corte ultra - moderno que mais parecia uma galinha de pescoço pelado!!!
Chegada a hora da verdade foi um ai Jesus o que é isto? Uma - que não tinham tomado conta da filha, que até podiam estar as duas mortas, que não tinha cumprido o prometido! A  outra- que tinha sido um azar, que as canalha cega, que tendo muito trabalho se tinha descuidado! Enfim ficaram as duas de candeias às avessas.
Mas, como se sabe, nada é eterno, chegado o dia de Natal lá foram à mijinha do Menino a casa uma da outra, o cabelo cresceu e tudo foi esquecido.
Quem não se esqueceu desse episódio, fui eu que tive de ir ao barbeiro, tal tinha sido o corte! Ainda hoje estou para saber porque fui professora em vez de cabeleireira!? 

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Arranjo de Natal






Arranjo em manhã  de Natal

Numa arca de madeira 
Fiz para o  Natal um arranjo,
Com brilhos bem à maneira,
Foi pena não ter um anjo.

Os brilhos anunciavam 
Que estava perto o Salvador,
E as lindas pérolas lembravam
Os presentes para o Senhor...

Havia  sinos e estrelas,
Magia, alegria e cor,
Pinhas, azevinho e bolas, 
Saúde, festa e amor.

Mas pela manhã ao acordar
Surpreendeu-me o meu arranjo,
pareceu-me mais brilhar 
E vislumbrei um lindo anjo...

Parece que anunciava
Que se cumprira as profecias,  
E dele alegria e cor brotava
Porque nascera o Messias.

Não há arca, nem há cor
Nem verdes, pinhas ou  brilhos
Que venerem o Senhor...
Nem  sequer pérolas ou sinos!

Só muito amor e humildade
Perante mistério tão grande 
Esta surpreendente natividade
Que no Natal celebramos!


Natal de 2014
Clara faria da Rosa 

domingo, 21 de dezembro de 2014

Portugal à Gargalhada:

 Estando há um mês, por esta altura, em Lisboa, aproveitei para ir ao teatro ver um espectáculo do grande produtor e encenador Filipe La Féria que já nos habituou a trabalhos fantásticos e muitas vezes mágicos.
   Aqui vou eu, a caminho do Politeama, ver a revista  Portugal À Gargalhada. Com um elenco constituído por nomes como Marina Mota, Joaquim .Monchique José  Raposo entre outros foi um serão a não esquecer em que se entrosava uma crítica feliz  mordaz e atenta à actualidade nacional com lindas vozes, brilhos, movimento e figurinos de muito bom gosto e bem adequados aos temas.
 Embora tenha ficado no 1º balcão, para ser mais barato e voltar a ir, se tiver nova possibilidade, adorei!  Vale sempre a pena assistir a trabalhos bem feitos...
Cá vou eu com o meu rico bilhetinho, bem estimado, a caminho do dito teatro e no seu interior que é um espaço lindíssimo, bem ao meu gosto!







O meu coração dói!


Ai  dói tanto meu coração
De aflitiva preocupação,
É que vejo o meu Anjinho
Mutilado,  triste, doentinho...

Ao meu adorado Menino
Caiu-lhe o seu dedinho,
Fui ver, era o indicador...
Mas que mágoa, mas que dor! 

Afinal que doença é esta,
Que tal mal causou ao Menino?
Fui ver, era uma inflamação,
Ai que se me parte o coração!

Uma inflamação, artrite chamada 
Ai estou tão preocupada...
Como foi tal mal acontecer?
Triste coisa de se ver ! 

Então ao hospital o levei
E ao médico  lá o mostrei..
-É grave-disse o homem sério,
-Mas não é nenhum mistério!

- É que Ele tem apontado,
E aos homens indicado,
O caminho certo a atingir,
A estrela verdadeira a seguir  ...

- E como os homens são surdos,
E muitas vezes também cegos...
Fazem que não é com eles,
E continuam maus e reles!

- E o Menino continua a confiar,
E a apontar, a apontar, a apontar...
Até que lhe caia  mais um dedo, 
Até que o homem tenha medo!

- Medo de si, dos seus actos,
E mude suas  atitudes e factos... 
Medo da sua grande  maldade, 
E inunde o Mundo de bondade!


Natal de 2014
Clara Faria da Rosa