terça-feira, 1 de julho de 2014

O vestido azul


Soneto azul : 

Quando meu vestido azul usei,
Senti-me bem e pensei:
- Sendo o azul celeste cor,
Porque não reflecte amor?

-Porque é que o azul das  nuvens
Não traz paz aos inquietos homens?
-E porque é que o azul do mar
Não aumenta a sede de amar?

- É porque o azul precisa  ser forte
Anilado, como preciosa safira, 
E fazer do mundo tela colorida, 

Para conduzir o Mundo ao Norte
Sem invejas, maldade ou ira,
Onde o importante seja a Vida!


Clara Faria da Rosa
1/Julho/2014

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Coroação das Bicas de Cabo Verde (1ª parte)


Penso que a vida melhora de um modo especial  quando sabemos dar o devido valor às coisas simples mas significativas que vivemos.Aprecio, valorizo e respeito muito  as nossas tradições, usos e costumes. é por isso que embora com duas semanas de atraso, registo aqui um dia especial para a pequena comunidade a que pertenço, para que este momento mágico não se transforme em pó e para que ao olharmos para este vídeo, embora amador, compreendamos o legado que nos deixaram os nossos antepassados. 

domingo, 29 de junho de 2014

Semana de rezar o terço no império de Bicas de Cabo Verde - São Pedro de Angra

Foi na semana de 8 a 14 deste mês de Junho que se rezou o terço no império como preparação para a coroação do dia 15. As pessoas apareciam conforme as suas disponibilidades e rezavam com fervor  penso que tentando compreender o sentido da vida e do misticismo que envolve este fervor ao divino Espírito Santo que caracteriza o povo dos Açores.
De realçar e louvar a postura da senhora Fernanda Teixeira que ao longo dos anos se disponibiliza para " oferecer o terço", uma anciã de oitenta e cinco anos que aguentava todo o tempo de joelhos enquanto os mais novos se queixavam disto e daquilo o que me fazia pensar que o truque é fazer anos isto é  passar o tempo sem envelhecer e que o tempo é como que um rio onde nem todos conseguem ou sabem  pescar...
 Após o terço havia sempre um pequeno momento de convívio salutar que servia para as pessoas do lugar se conhecerem melhor e para os mais novos se integrarem na comunidade pois são eles que, como dizia alguém,  estão a criar agora o passado  de amanhã .

domingo, 8 de junho de 2014

Na festa das Bicas de Cabo Verde - São Pedro de Angra

As Bicas são um cantinho
Que avista a "Senhora da Penha"
Fica em Angra escondidinho
Mas seu papel desempenha!

Embora sendo pequenos,
Temos raízes a preservar.
E nunca nos esquecemos
Do Espírito Santo louvar!

São coisas, pessoas e factos,
Passado, futuro e presente,
São os nossos antepassados,
Os vindouros e toda a gente!

É por isso que aqui estamos,
Para te avivar a memória,
Dizendo: - Contigo contamos
Para fazer a nossa história...

Agora, história fazemos
Com nossa participação
E aos mais novos dizemos:
- Respeitem a nossa tradição!

A juventude passada,
A vida que já se foi,
A esperança ultrapassada,
A lembrança que muito dói...

E o que posso aqui dizer
É que ganhemos coragem
E continuemos a viver
O tempo na sua voragem!


Reza a história que tudo começou na década de quarenta do século passado com um império de crianças feito em faias, na Canadinha das Bicas,  e com uma corôa de latão, depois fez-se um império de madeira na estrada corrente e só em 1958 se construiu o actual império de pedra e cal que tem sido preservado e alindado pelas várias comissões.



Festas das Bicas de Cabo Verde - São Pedro A.H. 2014



O Império desta localidade está preparado para começar hoje as suas festividades. O altar decorado pela Senhora Ana Soares que já há vários anos vem colaborando com as comissões de festas, e pela sua irmã Teresa Teixeira imigrante na Califórnia  que está de visita entre nós , espera pela mudança da coroa que irá ocupar o lugar cimeiro, os mastros estão no ar com as bandeiras coloridas  a abanar e a pequena iluminação já dá sinais de festa. Hoje começa a reza do terço pelas 20 horas, durante toda a semana.
E é assim que ano após ano, cada comunidade açoriana, por mais pequena que seja, se prepara para prestar o seu culto ao Divino Espírito Santo.


                                                                                                                     









domingo, 25 de maio de 2014

Função da Santa casa da Misericórdia de A. do Heroísmo

Aqui estou eu, toda produzida, à espera do meu marido para irmos ao almoço da Santa Casa da Misericórdia. gosto imenso deste acontecimento pelo que representa em termos de tradição e de espiritualidade mas também pelo convívio pois neste dia encontramos muitos conhecidos e amigos que já há muito não víamos. 
Foi muito agradável, a comida estava boa, tudo muito bem organizado e decorado não faltando os  confeitos para adoçarem o vinho de cheiro conforme é tradicional.
Um dos momentos altos foi o cortejo com o provedor e mesários  a levarem as coroas seguidos pelas mordomas que tiveram a seu cargo a organização de uma semana de festas que culminou com este lauto e tradicional almoço.
O provedor ao dirigir umas palavras aos presentes não esqueceu os irmãos que ficaram retidos na casa por doença prolongada ou por dificuldade de mobilidade o que me fez pensar que muitos dos presentes incluindo eu, logo logo estaremos lá. Entretanto vamos vivendo e sorrindo pois o sorriso é como que um brilho que ilumina as nossas vidas e as dos outros.

























Roupa velha

Designa-se por "Roupa Velha" um prato típico feito com as sobras do bacalhau, de cozido à Portuguesa de peixe ou frango e seus acompanhantes. Claro que também se pode fazer este prato cozendo propositadamente o bacalhau ou carnes assim como os legumes e depois proceder conforme reza a receita, contudo, embora pareça, não  vou falar aqui de artes culinárias mas de artes manuais; é que tenho andado muito atarefada a ultimar um trabalho de que te quero falar.
Aproveitei roupa velha, que já não tinha préstimo e depois de a descoser toda, lavei os bocados obtidos e que estavam em bom estado e cortei 72 quadrados todos muito iguais, depois passei a uma segunda fase que foi bordar estrelas de cores variadas em cada um dos quadrados, seguidamente uni tudo e por fim  passei a uma morosa fase de fazer a renda para rematar à volta e prendê-la, o que não foi tarefa fácil... 
Como vês, tenho andado ocupadíssima, mas valeu a pena, pois fiquei com uma linda coberta de cama e aproveitei as roupas, isto é reciclei, pondo em prática uma tarefa que agora é muito "Faschion" mas que já minha mãe muito praticava não para ser moderna ou "Faschion" mas por hábito e muitas vezes por necessidade, aprendi com ela e sinto-me feliz a realizar estas tarefas que não me deixam ficar depressiva .
Li algures que a arte da vida consiste em fazer da vida e na vida uma obra de arte. Pois aqui fica a minha obra de arte que eu realizei tentando fazer da minha vida uma arte. Espero que aprecies!!! 

















domingo, 4 de maio de 2014

Almoço regional





Foi um almoço muito agradável organizado pela comissão de festas do Império da rua de baixo de São Pedro, Angra do Heroísmo.
Estava tudo muito bem organizado e a comida muito bem feita e saborosa: Sopas de Espírito Santo, cozido alcatra, massa doce e arroz doce tudo regado de um bom vinho de cheiro e sumos.

Momentos muito bem passados em franco e alegre convívio que quero aqui registar porque considero estes momentos como a moeda das nossas vidas, a única moeda que é realmente importante e que nós podemos determinar como gastá-la, ou aproveitamos esses momentos de relaxamento e franco convívio em plenitude ou então ficamos a ver os outros gastar os seus momentos e vemos a nossa  vida passar...E como ela passa depressa!











Mulheres Maduras


No dia da mãe:

Somos mulheres maduras
Vivemos alegres e contentes
Espalhamos carinhos e ternuras
Como mães a sério, competentes.

Neste dia às mães dedicado
Aqui marcamos presença
A todos mandamos recado:
-Os filhos são nossa esperança.

Não sendo nossos, os filhos
São nossa obra e criação
Nossa canseira e  cadilhos
Mas luz em nosso coração.

Amor de mãe é como instrumento
Cuja música pode parar,
Mas toca em qualquer momento
E a mãe sempre a amparar.

Nunca duvide de uma mãe
Nem dos seus nobres sentimentos, 
Gostam dos filhos como ninguém
E por eles passam tormentos.

Maio de 2014/Clara Faria da Rosa