domingo, 25 de maio de 2014

Função da Santa casa da Misericórdia de A. do Heroísmo

Aqui estou eu, toda produzida, à espera do meu marido para irmos ao almoço da Santa Casa da Misericórdia. gosto imenso deste acontecimento pelo que representa em termos de tradição e de espiritualidade mas também pelo convívio pois neste dia encontramos muitos conhecidos e amigos que já há muito não víamos. 
Foi muito agradável, a comida estava boa, tudo muito bem organizado e decorado não faltando os  confeitos para adoçarem o vinho de cheiro conforme é tradicional.
Um dos momentos altos foi o cortejo com o provedor e mesários  a levarem as coroas seguidos pelas mordomas que tiveram a seu cargo a organização de uma semana de festas que culminou com este lauto e tradicional almoço.
O provedor ao dirigir umas palavras aos presentes não esqueceu os irmãos que ficaram retidos na casa por doença prolongada ou por dificuldade de mobilidade o que me fez pensar que muitos dos presentes incluindo eu, logo logo estaremos lá. Entretanto vamos vivendo e sorrindo pois o sorriso é como que um brilho que ilumina as nossas vidas e as dos outros.

























Roupa velha

Designa-se por "Roupa Velha" um prato típico feito com as sobras do bacalhau, de cozido à Portuguesa de peixe ou frango e seus acompanhantes. Claro que também se pode fazer este prato cozendo propositadamente o bacalhau ou carnes assim como os legumes e depois proceder conforme reza a receita, contudo, embora pareça, não  vou falar aqui de artes culinárias mas de artes manuais; é que tenho andado muito atarefada a ultimar um trabalho de que te quero falar.
Aproveitei roupa velha, que já não tinha préstimo e depois de a descoser toda, lavei os bocados obtidos e que estavam em bom estado e cortei 72 quadrados todos muito iguais, depois passei a uma segunda fase que foi bordar estrelas de cores variadas em cada um dos quadrados, seguidamente uni tudo e por fim  passei a uma morosa fase de fazer a renda para rematar à volta e prendê-la, o que não foi tarefa fácil... 
Como vês, tenho andado ocupadíssima, mas valeu a pena, pois fiquei com uma linda coberta de cama e aproveitei as roupas, isto é reciclei, pondo em prática uma tarefa que agora é muito "Faschion" mas que já minha mãe muito praticava não para ser moderna ou "Faschion" mas por hábito e muitas vezes por necessidade, aprendi com ela e sinto-me feliz a realizar estas tarefas que não me deixam ficar depressiva .
Li algures que a arte da vida consiste em fazer da vida e na vida uma obra de arte. Pois aqui fica a minha obra de arte que eu realizei tentando fazer da minha vida uma arte. Espero que aprecies!!! 

















domingo, 4 de maio de 2014

Almoço regional





Foi um almoço muito agradável organizado pela comissão de festas do Império da rua de baixo de São Pedro, Angra do Heroísmo.
Estava tudo muito bem organizado e a comida muito bem feita e saborosa: Sopas de Espírito Santo, cozido alcatra, massa doce e arroz doce tudo regado de um bom vinho de cheiro e sumos.

Momentos muito bem passados em franco e alegre convívio que quero aqui registar porque considero estes momentos como a moeda das nossas vidas, a única moeda que é realmente importante e que nós podemos determinar como gastá-la, ou aproveitamos esses momentos de relaxamento e franco convívio em plenitude ou então ficamos a ver os outros gastar os seus momentos e vemos a nossa  vida passar...E como ela passa depressa!











Mulheres Maduras


No dia da mãe:

Somos mulheres maduras
Vivemos alegres e contentes
Espalhamos carinhos e ternuras
Como mães a sério, competentes.

Neste dia às mães dedicado
Aqui marcamos presença
A todos mandamos recado:
-Os filhos são nossa esperança.

Não sendo nossos, os filhos
São nossa obra e criação
Nossa canseira e  cadilhos
Mas luz em nosso coração.

Amor de mãe é como instrumento
Cuja música pode parar,
Mas toca em qualquer momento
E a mãe sempre a amparar.

Nunca duvide de uma mãe
Nem dos seus nobres sentimentos, 
Gostam dos filhos como ninguém
E por eles passam tormentos.

Maio de 2014/Clara Faria da Rosa

sábado, 3 de maio de 2014

No dia da mãe:

 - a mulher da fotografia

A mulher da fotografia:
A mulher de fotografia é minha mãe!
Fez  22 anos que faleceu no passado dia 30, esta foi a última foto que tirou, tinha 73 anos.
 Lembrei-me dela nesta efeméride, lembro-me dela hoje que se festeja o dia das mães e lembro-me dela todos os dias porque vive no meu coração, nas minhas lembranças e nos seus exemplos.
Era uma mulher, enérgica, trabalhadora , interessante e inteligente. Muitas mulheres de hoje não quereriam viver a vida com os moldes que ela viveu, dedicando-se  à família e ultrapassando os obstáculos que na altura eram muitos, com coragem e determinação. Ao recordar  esses tempos  e a sua vida sinto que fez o que devia ter feito e é por isso que a admiro e que a tenho sempre presente na minha vida, como um exemplo e ouço muitas vezes a sua voz a guiar-me, desviando-me de más decisões que porventura possa  tomar.
Naquela altura raras eram as mulheres que saíam de casa para trabalhar mas ela tinha uma profissão, era  uma boa costureira, trabalhava em casa, trabalhava muito, nunca se esquecendo que o seu trabalho principal era ser esposa e mãe, tenho a certeza que se fosse hoje, poderia ter ido longe e teria tido várias opções, atendendo à sua capacidade e determinação.
 Recordo com saudade  que quando chegava a casa ela estava sempre presente, com o seu avental, pondo a mesa para almoçarmos e ouvindo os meus problemas. É engraçado lembrar-me de tudo isto e fico pensando como muitas mães e esposas modernas consideram estas tarefas rotineiras  e desprestigiantes, mas a verdade é que se eu me lembro de tudo isto, passadas tantas décadas é porque tem alguma utilidade.
Ela pensava que a sua obrigação  era fazer com que a família permanecesse junta enfrentando todo o tipo de tempestades, mas algumas mães de agora pensam de modo diferente o que quanto a mim está na origem dos divórcios e do sofrimento por que muitas crianças e jovens adolescentes passam.
Mesmo depois de ter abandonado o lar para formar nova família o meu coração permaneceu naquele cantinho onde cresci, muito amada e muito bem acompanhada, voltando lá com muita frequência e a mãe era a grande responsável por isso....
Sei que a minha mãe se privou de muitas coisas para que a mim nada  faltasse e sei também que o que há de bom em mim é o resultado de a ter presente e disponível quando precisei.
É por isso que escrevo estas palavras, contando o que realmente sinto a respeito desta mulher, neste dia dedicado às mães, porque foi importante para mim ter aquela mulher sempre à minha espera, como ainda hoje é importante e me deixa feliz saber que a mulher da fotografia é a minha mãe que onde quer que esteja, tenho a certeza, vela por mim!

quinta-feira, 1 de maio de 2014


Maio na Terceira

Aí vem Maio
Coberto de flores,
Aí vem Maio
E muitos amores.
Maio na Terceira,
Mês das boninas amarelas
Dos jardins muito enfeitados,
Das meninas nas janelas
Dos jovens enamorados.
Maio na Terceira,
O sol brinda-nos 
Com o seu calor
E os pássaros com seu clamor. 
O vento rumoreja nos  ramos altos, 
Percebe-se uma mudança,
E o povo desta terra
Com a festa na lembrança 
Desabrocha ...
Liberta-se ... 
Diverte-se...
E o foguete num estoiro
Pum, Pum, Pum...
Sobe estrelado,
E da gaiola sai o toiro,
De um salto o jovem
Sobe a tapada
E junta-se à namorada.
E o rapaz dos cestos 
Grita o seu pregão
- Olha a pipoca, favas e milho torrado!
E na tasca comem-se bifanas,
E das varandas
Ecoam gargalhadas
Sobre o arraial colorido.

quarta-feira, 30 de abril de 2014


Depois da Páscoa, nos Açores:

Logo depois da Páscoa,
Nos Açores,
O arquipélago é um altar
E cada ilha é uma mesa
Para o  Espírito Santo louvar,
São cortejos para a igreja
Onde o imperador vai coroar,
E depois a mesa posta
Numa fartura sem par...
Massa doce, carne 
E  esculturas de alfenim,
Muito pão
Em arrendados açafates,
Vinho a borbulhar
No canjirão,
E copos enfeitados
De alvos e doces confeitos.
É o povo ilhéu
Religioso e  profano
Na sua fé,
Crente e  festeiro,
O terço rezando,
Com  muito fervor,
Numa sentida prece, 
Num hino, num louvor  
Ao Divino Espírito Santo!
Então, no sétimo domingo,
No terreiro do local,
É o culminar
Da abundância e da partilha,
É a terceira pessoa louvar...
Em cada casa, em cada ilha!


 Clara Faria da Rosa 
30/04/2014

segunda-feira, 28 de abril de 2014

No Dia Mundial do Sorriso



Eu quero sorrir...

Eu quero sorrir
Para ti,
Minha amiga de verdade,
E para ti também,
Para quem sou indiferente.
Eu quero sorrir
Para os que sofrem
Terríveis e cruéis doenças, 
Do corpo, do coração ou da mente
Ou de saudade de alguém. 
Eu quero sorrir
Ao vento
Para que espalhe uma mensagem
De  alegria e esperança
E que na aragem te traga
Paz, trabalho e muito amor.
Eu quero sorrir
Ao Sol
Para que a todos aqueça
E que da terra faça brotar
Muito verde, muita cor.
Eu quero sorrir
Ao mar
Para que a espuma das ondas
Espalhe muita ternura
E apague a amargura
Dos desamparados e pobres.
Eu quero sorrir, sorrir, sorrir...
Até meus lábios gelarem,
Até meus olhos não verem,
Os indiferentes e inimigos,
Os familiares e amigos,
O vento, o sol e a espuma do mar
E os pássaros a chilrear.
Eu quero sorrir, sorrir, sorrir...
Para sempre!

sábado, 26 de abril de 2014

Telhal dos Altares / tradição e rusticidade

Ontem fui, com meu marido, ao telhal dos Altares que fica na canada do Laranjo na dita freguesia dos Altares, ilha Terceira, Açores,  propriedade do Senhor Braulio Cunha, comprar material refractário para um forno. Quando lá chegámos pareceu-nos que o tempo parara aí há um século atrás ou mais. Muita sabedoria adquirida e preservada, tudo muito rudimentar tudo muito artesanal mas muito bem pensado e que funciona muito bem...
Olho à minha volta e decido que te hei-de dar conta do que lá se passa, é por isso que penso que quem lê ou escreve nunca está sozinho, ou bebe as palavras dos outros ou pensa no que há-de dizer aos outros. Contudo, o telhal dos Altares é um lugar tão peculiar, tão fora do comum que não pode ser descrito por palavras vulgares, como as que utilizo, só uma visita ao local te pode dar ideia da tradicional rusticidade que lá se vive então, ao ires lá,  darás conta do que aqui não consegui dizer.

                   









                             


quinta-feira, 24 de abril de 2014

25 abril

No 40º aniversário da revolução de Abril

Neste dia e atendendo à conjuntura social e económica que o nosso país está a atravessar quero citar um célebre economista norte-americano Arthur F. Burns :
"Aquele que se diz capaz de endireitar a economia de um país, não sabe do que está a falar!"
Burns,  falava de um modo geral, imagine-se se ele se referisse a Portugal o que diria!!!
Só peço a Deus que nos ajude a sair desta situação em que vivemos para  que o nosso país continue suficientemente livre de modo a que os nossos governantes possam, examinando tranquilamente a sua consciência, se a tiverem, ser capazes de endireitar a nossa economia, antes de morrerem todos  e nós tenhamos, futuramente, um país onde vale a pena continuar a viver, e uma nação a invejar! 

sábado, 19 de abril de 2014

Páscoa

Olhar de Páscoa


 Olho as pessoas 
 e nelas vejo a Páscoa...
 No brilho dos seus olhares,
 No sorriso dos seus lábios,
 No cumprir dos seus deveres,
 No ajudar os seus amigos.
 Olho à minha volta
 e vejo a Páscoa...
 Na  Primavera a despontar,
No colorido das flores,
 Na  Natureza a pintar
A vida de todas as cores.
Olho para dentro 
e em mim vejo a Páscoa...
Com  uma vontade forte
De o grande mistério anunciar,
Da vitória sobre a morte
E de a vida celebrar.
Penso na vida 
e sinto a Páscoa
Como um mágico segredo
Que não consigo guardar
E anuncio sem medo
É um milagre, ressuscitar!


Clara Faria da Rosa

sexta-feira, 18 de abril de 2014

O Inexprimível:

Penso ser este o dia próprio para me referir a este missal do início do século XIX, feito em Pariz, na antiga casa Morizot, Laplace, Sanchez e Cª Editores. É um belíssimo exemplar, cuja capa dura e com relevos ilustra o acontecimento que hoje celebramos, tem folhas douradas e dois fechos trabalhados, estando em muito bom estado para uma peça com mais de 200 anos. 
E, como depois  das palavras o silêncio é o melhor que consegue exprimir o inexprimível, recolha-mo-nos com esta imagem,com a mensagem que este livro nos transmite, com a nossa consciência e com a nossa fé.
Que Cristo ressuscite nos nossos corações...
Boa Páscoa!